A ”lambança” da Polícia Federal, segundo troca de mensagens que o ex-juiz Sérgio Moro manteve com o procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, aconteceu ainda em 2016.

23/06/2019 por Alan Alan Kaká

A ”lambança” da Polícia Federal, segundo troca de mensagens que o ex-juiz Sérgio Moro manteve com o procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, aconteceu ainda em 2016. A crítica de Moro à PF se referiu a anexação, sem preservação de sigilo, de lista da Odebrecht contendo nomes de políticos com foro privilegiado, a autos de processo da Operação Lava Jato:

“Tremenda bola nas costas”, acusou Moro.

O receio de Moro, naquela ocasião, era de que o STF considerasse, a não observância da PF com a preservação do sigilo de políticos com foro, como _”uma afronta”_.

Moro demonstrou, ainda, preocupação com um protesto que estava sendo realizado em frente ao apartamento de Teori Zavascki pelo Movimento Brasil Livre (MBL), aos quais chamou de ”tontos” – apesar da manifestação se dar em defesa dele próprio.

Os diálogos aconteceram apenas uma semana após, o então juiz de primeira instância ter sido repreendido pelo ministro e primeiro relator da Lava Jato, Teori Zavascki, devido vazamento, feito por Moro à imprensa, de áudio contendo diálogo entre o ex-presidente Lula e a então presidente Dilma Rousseff.

Teori, que morreu em um acidente aéreo menos de um ano após o episódio, chamou a atitude do vazamento feito por Moro de ”descabida”.

O áudio havia sido obtido em grampo judicial realizado no telefone do ex-presidente, que estava sendo investigado pela força-tarefa. Ao vazar o diálogo, Moro não observou a preservação de sigilo do grampo judicial, além de expor Dilma Rousseff, que gozava de direito a foro privilegiado.

Em resposta a Teori, Moro afirmou em despacho que, o vazamento irregular feito por ele, fora apenas um ”equívoco” e que ”não teve por objetivo gerar fato político-partidário”.

Porém, a geração de fato político-partidário ocorreu de forma inequívoca, aumentando o desgaste político da ex-presidente e sua imagem negativa junto à opinião pública.

O episódio do desagravo feito pelo ministro do Supremo ao ex-juiz foi chamado de “queda de braço” por Dallagnol, ainda segundo os diálogos revelados nos últimos dias pelas reportagens do The Intercept.

Na mesma ocasião, o procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, buscou apoio a Sérgio Moro junto a Luiz Fux, também ministro do STF. Ao saber que Fux teria dito a Dallagnol que poderiam contar com ele _principalmente no novo governo”, ”para o que precisarmos”, Moro respondeu: ”Excelente! In Fux we trust”.

As mensagens que ilustram a sequência de fatos narrados acima, ocorreram meses antes do impeachment de Dilma Rousseff, portanto, antes mesmo da decisão do Congresso que culminou no “novo governo”, que fora sugerido por Dallagnol na troca de mensagens, mas que já havia sido “acordado”, segundo Jucá (imagem).

Parte deste conteúdo foi retirado de reportagem conjunta da Folha e do The Intercept publicada neste domingo (23), a primeira desde o início da divulgação dos diálogos.

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