Ex-juiz, Odilon de Oliveira, culpa Governo Federal por saída do MPF de Ponta Porã, por falta de sergurança para os agentes públicos trabalharen na fronteira

15/01/2020 por Adriano Hany

A saída do Ministério Público Federal de Ponta Porã, por conta da violência e falta de proteção aos agentes na região, foi alvo de críticas do juiz federal aposentado, Odilon de Oliveira.

A decisão do MPF foi duramente criticada pela Associação Nacional dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e a OAB.

No entanto, segundo Odilon que trabalhou como juiz por um longo período na região de fronteira, o motivo pelo qual era incansavelmente ameaçado por narcotraficantes, foi a falta de garantias de segurança por parte do governo que motivaram a saída do órgão federal.

“O governo federal virou as costas para os procuradores da República. É evidente que o intenso exercício das atividades do MPF na fronteira, na área criminal, causa risco. Conheço, de perto, a dedicação dos procuradores e é evidente que sua ausência fará falta em Ponta Porã. O que a sociedade e as instituições devem culpar é a União, extremamente omissa com relação à segurança dos membros do MPF na fronteira. Infelizmente, vivi na pele e conheço bem a situação”, avaliou.

“Quem combate ao crime organizado, como os integrantes do Ministério Público Federal, não pode ser alvo de desleixo por quem tem o dever de lhe dar segurança. São mães, pais, irmãos, maridos, esposas, que saem para trabalhar com incertezas”, comentou Odilon de Oliveira.

“Uma sede dotada de mecanismos de segurança, carro blindado, deslocamento com escolta e outras medidas são indispensáveis. Garanto que tudo isto foi reivindicado pelos Procuradores da República. Garanto também, e sem medo de errar, que a União, obrigada a tal, virou as costas, como é de sua rotina”, disse o juiz.

Odilon ainda finaliza dizendo que a União tem que deixar de ser omissa com a fronteira, postura que reflete negativamente no Brasil inteiro. Dar segurança a quem trabalha lá é fundamental.

“Enfrentei o crime organizando durante trinta anos, sem dar trégua. Fui alvo de vários planos de morte e de ameaças de organizações de traficantes internacionais. Fui jurado de morte. Aposentei-me e a União simplesmente me abandonou, deixando-me preso em casa. Isto é lamentável. Um desestímulo para quem deseja enfrentar o crime organizando. Por isto, poucos se dispõem a colocar a vida em risco”, revelou o juiz aposentado.

Diante de tudo isso ficou constatado que o MPF não tinha a estrutura mínima que garantisse segurança aos seus servidores.

Exemplo disso era a sede, que se valia de uma residência adaptada para o trabalho, sem local adequado, sequer para acomodar armas e bens patrimoniais.

Odilon acredita que a Ajufe podia fazer mais do que criticar o fechamento, ao invés disso, cobrar melhores condições de trabalho aos agentes públicos da justiça.

Aposentado desde 2017, o Juiz Odilon, como é conhecido, ficou conhecido não só no Brasil como no mundo por ter endurecido com os grandes traficantes do país. Ele levou a justiça criminosos internacionais como Abadia, prendeu membros do PCC, CV e traficantes da fronteira. Por esse motivo foi ameaçado e praticamente perdeu a liberdade, não podendo sequer ir ao portão de casa sem escolta policial formalmente armada, mesmo depois de aposentado, ainda não é seguro estar em público sem a devida segurança.