A rede pública de saúde de Três Lagoas, no interior sul-matogrossense, recebeu aproximadamente R$ 5 milhões em equipamentos, materiais e melhorias estruturais desde o ano passado, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. A pasta afirma que os recursos possibilitaram a ampliação de consultas, exames especializados e atendimento por telemedicina, com reflexo direto na redução de filas formadas em 2022 e 2023. Apesar dos avanços anunciados, parte da população continua relatando demora em atendimentos hospitalares e a falta pontual de medicamentos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Investimentos e metas
De acordo com a secretária municipal de Saúde, Juliana Salim, a atual gestão encontrou demanda reprimida em praticamente todas as especialidades médicas quando assumiu. Para enfrentar o problema, a prefeitura destinou cerca de R$ 5 milhões à aquisição de novos equipamentos, insumos, mobiliário e adequações prediais em unidades básicas e de média complexidade. O objetivo, segundo ela, é esvaziar as listas de espera herdadas dos anos anteriores.
Conforme Salim, dermatologia, gastroenterologia, cardiologia e pneumologia já apresentam queda expressiva no tempo médio de espera. Na dermatologia, por exemplo, o intervalo entre o encaminhamento feito pelo clínico geral e a consulta especializada caiu para aproximadamente 20 dias. A gestora argumenta que a redução se deve tanto ao reforço presencial de profissionais quanto ao uso de tecnologias digitais para acelerar diagnósticos e encaminhamentos.
Telemedicina como estratégia
Outro pilar do plano municipal é a expansão da telemedicina e das teleinterconsultas, modalidade que permite ao médico da atenção primária discutir o caso do paciente com um especialista à distância. Na avaliação da secretaria, o recurso tem ajudado a suprir a escassez de profissionais em áreas específicas, sobretudo endocrinologia infantil, psiquiatria e psicologia. O atendimento virtual, informa Salim, evita deslocamentos, antecipa decisões terapêuticas e libera vagas presenciais para situações que exigem exame físico detalhado.
Segundo a pasta, o serviço de saúde digital vem sendo integrado aos prontuários eletrônicos das unidades básicas, permitindo o compartilhamento de resultados de exames laboratoriais e de imagem. A medida busca padronizar fluxos e diminuir retrabalho, além de gerar relatórios que orientem políticas de distribuição de recursos.
Percepção da população
Mesmo com os números apresentados pela administração municipal, moradores ouvidos em diferentes bairros da cidade relatam experiências de espera prolongada em alguns postos e no hospital municipal. Há reclamações sobre o tempo para realização de exames complexos, disponibilidade de profissionais em plantões noturnos e agendamento de cirurgias eletivas. Na avaliação de parte dos usuários, a melhoria ainda não é percebida de forma uniforme em todos os serviços.
Também foram registrados relatos de falta pontual de medicamentos de uso contínuo, como anti-hipertensivos e insulinas. Famílias afirmam ter percorrido mais de uma unidade até encontrar o fármaco ou, em alguns casos, precisaram comprar por conta própria. A situação afeta principalmente pacientes que dependem do SUS para manutenção de tratamentos crônicos.
Posicionamento da Secretaria
A secretária Juliana Salim reconhece que houve episódios de desabastecimento, mas nega que exista falta generalizada de remédios pactuados. De acordo com ela, interrupções pontuais decorrem de problemas logísticos ou de atrasos no fornecimento em nível nacional. Salim afirma que as equipes monitoram estoques em tempo real e que reposições emergenciais são acionadas sempre que algum item atinge nível crítico.
Quanto às queixas sobre demora em atendimento hospitalar, a gestora argumenta que o volume de pacientes oscila semanalmente e, em picos de demanda, pode haver sobrecarga temporária. Ela destaca que a abertura de novos horários para consultas e a contratação de plantonistas fazem parte do esforço para diminuir o impacto dessas flutuações.
Próximos passos
O município pretende intensificar mutirões de consultas e exames nos próximos meses, sobretudo em ortopedia, oftalmologia e ginecologia. A Secretaria de Saúde avalia ainda lançar um aplicativo para que os usuários acompanhem em tempo real o andamento do agendamento e o estoque de medicamentos em cada unidade. Segundo a pasta, a ferramenta deverá ser testada em caráter piloto até o fim do semestre.
Enquanto a gestão reforça investimentos financeiros e tecnológicos para encerrar as filas históricas, permanece o desafio de equalizar a percepção da população com os indicadores oficiais. A administração municipal sustenta que a meta é zerar a demanda reprimida ainda em 2024, mantendo vigilância sobre o fornecimento de medicamentos e a rotina de atendimentos hospitalares.








