O Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Três Lagoas, vinculado ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), recebeu nesta semana 11 aves retiradas de cativeiro irregular durante fiscalização da Polícia Militar Ambiental (PMA). A apreensão ocorreu após constatação de que os animais eram mantidos sem autorização do órgão ambiental responsável.
Entre as espécies encaminhadas ao centro estão quatro canários-da-terra, quatro coleirinhas, um azulão e um papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva). Nenhuma das aves possuía anilha de identificação ou documentação que comprovasse origem legal, circunstância que caracterizou infração ambiental. As irregularidades resultaram na lavratura de autos administrativos e na aplicação de multas que somam R$ 9,5 mil — R$ 4,5 mil referentes às oito aves passeriformes e R$ 5 mil pela posse do papagaio-verdadeiro, espécie protegida internacionalmente.
Conforme o protocolo do Cetas, todos os animais passaram por avaliação clínica logo após a chegada. Profissionais da unidade verificaram condições sanitárias, estado nutricional e eventuais lesões decorrentes do período em cativeiro. O acompanhamento inclui exames, alimentação específica e observação comportamental até que seja definida a destinação mais apropriada, que pode envolver reintrodução na natureza ou transferência para o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), em Campo Grande.
Além das aves, um filhote de beija-flor também está sob cuidados da equipe. O pequeno animal recebe alimentação frequente e monitoramento contínuo, etapa considerada fundamental para a sobrevivência de organismos tão sensíveis. Segundo o Cetas, o trabalho envolve técnicas de manejo adaptadas à fisiologia da espécie, com oferta de dieta líquida e controle rigoroso de temperatura.
Nesta mesma semana, a unidade ainda recebeu um filhote de tamanduá-bandeira entregue por um produtor rural à PMA. O animal foi encontrado em uma propriedade da região sem a mãe por perto. Após avaliação preliminar em Três Lagoas, o filhote foi encaminhado ao CRAS de Campo Grande, instituição preparada para etapas avançadas de reabilitação de mamíferos de médio porte.
Para o chefe da Unidade Regional do Imasul em Três Lagoas, Rafael Alex Barbosa, a integração entre as forças de fiscalização ambiental e os órgãos de segurança pública facilita a resposta rápida a situações que envolvem fauna silvestre. Ele avalia que operações conjuntas fortalecem o combate ao tráfico e à manutenção irregular de animais, além de assegurar que exemplares resgatados recebam assistência técnica adequada.
O diretor-presidente do Imasul, André Borges, salienta o papel estratégico do Cetas no contexto da conservação estadual. De acordo com ele, cada resgate representa oportunidade de reforçar populações naturais e de sensibilizar a sociedade sobre a importância da manutenção de habitats. Borges lembra que a unidade opera como elo entre o trabalho de campo da PMA e a etapa de reabilitação conduzida pelo CRAS.
Inaugurado após mais de uma década de estudos e monitoramento ambiental, o Cetas de Três Lagoas foi projetado para suprir a demanda por suporte à fauna na região, caracterizada por vegetação nativa, reflorestamentos e corredores ecológicos. O investimento total na estrutura alcançou aproximadamente R$ 1,7 milhão, obtido por meio de parcerias com empresas privadas e aporte do próprio Imasul.
As instalações contam com espaços destinados ao manejo, atendimento emergencial e permanência temporária de animais silvestres, seguindo critérios de biossegurança e de bem-estar. A capacidade de resposta imediata permite que profissionais atuem desde o recebimento de espécies com histórico de cativeiro até a preparação para soltura em áreas adequadas.
Segundo o Imasul, iniciativas de fiscalização associadas a centros de triagem colaboram para reduzir a pressão sobre populações naturais. O órgão destaca que a captura e a venda irregular de aves canoras, como canário-da-terra, coleirinha e azulão, figuram entre as infrações mais recorrentes no estado. Já o papagaio-verdadeiro é alvo de intensa demanda no mercado ilegal, o que justificou multa superior à aplicada para as demais aves nessa ocorrência.
Com o acolhimento dos 11 exemplares e dos dois filhotes — beija-flor e tamanduá-bandeira —, o Cetas reforça sua função de ponto de referência para a fauna silvestre resgatada na região leste de Mato Grosso do Sul. O centro continuará acompanhando a evolução clínica dos animais até a conclusão dos processos de reabilitação e destinação, etapa final que definirá a devolução ao habitat ou encaminhamento a instituições especializadas.








