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Exército intensifica vigilância em 150 km de fronteira de Mato Grosso do Sul com apoio de tecnologia e ações integradas

O Comando Militar do Oeste (CMO) encerrará 2025 concentrando esforços na modernização do monitoramento e na cooperação com forças policiais para conter o tráfico de drogas na fronteira de Mato Grosso do Sul. A informação foi detalhada pelo comandante da unidade, general Alcides Valeriano de Faria Júnior, durante entrevista à rádio Massa FM, em Campo Grande.

Integração entre Exército e forças de segurança

Segundo o general, o último ano foi marcado por operações conjuntas que reuniram Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal e Departamento de Operações de Fronteira. A estratégia combinou patrulhamento ostensivo em áreas críticas com a troca permanente de dados de inteligência, o que resultou em apreensões milionárias de cocaína e maconha ao longo da fronteira seca com o Paraguai.

Alcides destacou que boa parte do trabalho permanece fora do alcance do público: equipes especializadas se dedicam diariamente à coleta, análise e compartilhamento de informações sobre rotas, pontos de passagem e organizações criminosas. De acordo com o CMO, mais de 80% dos carregamentos de cocaína e maconha que ingressam no território brasileiro utilizam Mato Grosso do Sul como corredor logístico.

Faixa de 150 km sob atenção permanente

O Exército atua na chamada faixa de fronteira, área que se estende por 150 quilômetros a partir da linha divisória internacional e abrange cidades como Ponta Porã, Corumbá e Dourados. Nessa região, a simples travessia de uma rua ou avenida pode significar a entrada em outro país, fator que dificulta a fiscalização e favorece a ação de quadrilhas especializadas em transporte de entorpecentes.

Para minimizar lacunas de cobertura, o CMO emprega o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron). A plataforma utiliza radares, câmeras de longo alcance, sensores de solo e comunicação criptografada para detectar deslocamentos suspeitos, inclusive durante a noite ou em condições climáticas adversas. Apesar disso, o comandante admite que o efetivo disponível não é suficiente para cobrir toda a extensão territorial, o que exige a execução de operações pontuais e articuladas com outras instituições.

Visita técnica e desafios operacionais

Em recente agenda oficial, uma comitiva de Brasília visitou Ponta Porã para avaliar, in loco, as dificuldades enfrentadas pelas tropas. O grupo percorreu pontos onde a separação física entre Brasil e Paraguai é praticamente inexistente, observando a facilidade de circulação para veículos e pedestres. O levantamento subsidiará relatórios que devem orientar novos investimentos federais em infraestrutura de vigilância.

Recursos adicionais e prioridades para 2026

O Congresso Nacional aprovou recurso extra para o Exército, com parte destinada ao Sisfron a partir de 2026. O valor ainda não foi divulgado oficialmente, mas, conforme Alcides, a verba será empregada prioritariamente na implantação integral do sistema nas brigadas de Cuiabá e Corumbá. Ambas as unidades apresentam atraso no cronograma original por falta de financiamento.

Entre as metas técnicas, estão a aquisição de sensores de maior alcance, a expansão das torres de observação e o aprimoramento dos canais de comunicação entre quartéis e centros de comando. O objetivo é permitir resposta rápida a movimentos suspeitos e reduzir o tempo entre detecção e abordagem, aumentando a capacidade de apreensão de cargas ilegais.

Fortalecimento do Conselho de Segurança de Campo Grande

Para 2024, o CMO pretende ampliar sua participação no Conselho de Segurança de Campo Grande (Consec). A iniciativa visa intensificar o intercâmbio de inteligência estratégica e operacional com órgãos municipais e estaduais de segurança pública. “A prioridade é aprofundar o entrosamento e modernizar o monitoramento da fronteira”, afirmou o comandante, enfatizando que a cooperação institucional continuará sendo o principal instrumento de combate ao crime transfronteiriço.

As ações também incluem programas de capacitação para militares e policiais, com foco em tecnologias de sensoriamento e análise de dados, além de exercícios conjuntos em áreas rurais e centros urbanos. O cronograma prevê, ainda, a realização de seminários sobre tráfico de drogas e crimes correlatos, envolvendo representantes do Poder Judiciário e do Ministério Público.

Com essas medidas, o Exército Brasileiro busca aumentar a eficiência na detecção de ilícitos, conter a entrada de drogas e reforçar a sensação de segurança nas comunidades que vivem próximas à fronteira. O balanço apresentado pelo CMO indica que, apesar dos desafios operacionais, a atuação integrada e o investimento constante em tecnologia são pontos centrais na estratégia de enfrentamento ao crime organizado na região.

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