A Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande, que abriga atualmente 2.764 internos, passou a contar com uma força-tarefa federal destinada a reordenar protocolos de controle, movimentação e vigilância. A intervenção, autorizada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), terá duração inicial de 90 dias e integra o Projeto Padrão Segurança Máxima (PSM), concebido para conter a atuação de facções criminosas a partir do ambiente prisional.
Escolhida como ponto de partida do PSM em Mato Grosso do Sul, a unidade marca a primeira aplicação prática do modelo no país. A ação foi viabilizada por meio de cooperação entre a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) e a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen-MS), que coordenam a adoção de rotinas padronizadas inspiradas na experiência dos presídios federais.
Para executar as mudanças, o MJSP autorizou o emprego da Força Penal Nacional, que deslocou 22 policiais penais federais e estaduais vindos de Acre, Bahia, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, São Paulo e Sergipe. O efetivo atua sob coordenação da Polícia Penal Federal e trabalha lado a lado com outros 40 policiais penais de Mato Grosso do Sul que já compõem o quadro da penitenciária.
A presença do contingente federal concentra-se nos pavilhões do complexo, acompanhando em tempo real todas as etapas da rotina prisional. Entre as frentes prioritárias estão a contenção e movimentação dos detentos, com reformulação do fluxo interno de deslocamento; o endurecimento das revistas em celas, corredores e pátios; e o aprimoramento do controle de acessos em portarias, tanto para servidores quanto para visitantes.
Segundo a Senappen, o objetivo central é transferir ao sistema estadual o know-how desenvolvido nas cinco penitenciárias federais, ajustando procedimentos às características físicas e administrativas do complexo sul-mato-grossense. A pasta enfatiza que o método busca “descentralizar” a expertise da União e fortalecer a integração entre as forças penais que atuam no combate ao crime organizado.
Além da revisão dos protocolos operacionais, a penitenciária receberá novos equipamentos ao longo dos próximos meses. Já adquiridos pela Senappen, os itens incluem aparelhos de raio-X, detectores de metal, viaturas especializadas e scanners corporais (body scans). A utilização desses dispositivos é considerada estratégica para bloquear a entrada de celulares, armas e drogas sem recorrer a métodos de revista íntima, reduzindo vulnerabilidades que facilitam a comunicação ilícita entre detentos e grupos externos.
A unidade de Campo Grande integra um conjunto de 138 prisões classificadas como estratégicas pelo Programa Brasil Contra o Crime Organizado, distribuídas em todo o território nacional. O programa atua em três eixos: inteligência e operações, modernização tecnológica e capacitação de servidores, com foco em estabelecimentos que concentram presos de alta periculosidade ou lideranças de organizações criminosas.
Para a administração estadual, a chegada da equipe federal complementa o trabalho já realizado localmente. O diretor-presidente da Agepen-MS, Rodrigo Rossi Maiorchini, avalia que a atuação conjunta proporciona intercâmbio de procedimentos, amplia a padronização de rotinas e acrescenta ferramentas para enfrentar desafios específicos do sistema penitenciário sul-mato-grossense.
A expectativa das autoridades é que o modelo em implantação sirva de laboratório para a modernização de outras unidades prisionais de Mato Grosso do Sul, replicando práticas consideradas bem-sucedidas na contenção de lideranças criminosas. Com a experiência monitorada durante os 90 dias de intervenção, as equipes pretendem ajustar detalhes operacionais e estabelecer diretrizes que possam ser adotadas de forma permanente ao término da missão da Força Penal Nacional.
O planejamento inclui relatórios periódicos que avaliarão a eficiência dos novos protocolos, o impacto da tecnologia aplicada e o grau de integração alcançado entre servidores federais e estaduais. A análise desses indicadores definirá possíveis prorrogações da força-tarefa ou expansões do PSM para outras regiões do estado.
Enquanto o cronograma avança, a Senappen reforça que a iniciativa se insere em uma estratégia nacional de enfrentamento ao crime organizado, procurando reduzir a influência de facções sobre o sistema prisional e, por consequência, sobre a criminalidade externa. O Ministério da Justiça e Segurança Pública acompanha os resultados para verificar a viabilidade de estender o método a demais unidades contempladas pelo programa em todo o país.
Com a força-tarefa já em campo e a chegada dos novos equipamentos prevista para as próximas semanas, a Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande assume o papel de referência na busca por maior controle, segurança e eficiência dentro do sistema prisional brasileiro.









