Uma capivara jovem surpreendeu moradores do bairro Colinos, em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, ao entrar na garagem de uma residência na tarde de quarta-feira, 5. O animal, que costuma habitar a região da Lagoa Maior, percorreu aproximadamente um quilômetro e meio até chegar à rua Munir Thomé, onde encontrou o portão aberto e deitou-se na varanda, bem próxima à porta principal da casa.
A proprietária do imóvel, a professora aposentada Cleide Dias Monteiro, relatou que não esperava a visita. De acordo com seu testemunho, a capivara provavelmente deixou a Lagoa Maior, seguiu pela rua Bruno Garcia e, ao perceber um espaço livre, entrou no quintal em busca de abrigo. O trajeto indica que o animal atravessou áreas residenciais e vias movimentadas antes de ser notado pelos moradores.
Durante a tentativa de se acomodar, o animal machucou uma das patas, deixando vestígios de sangue na varanda. Apesar do ferimento, permaneceu deitado, sem apresentar comportamento agressivo, até a chegada da equipe de resgate. Segundo a moradora, o ambiente ficou silencioso e a capivara manteve-se tranquila, permitindo que os residentes acionassem as autoridades sem dificuldades.
A Polícia Militar Ambiental (PMA) de Três Lagoas foi chamada e chegou ao local cerca de uma hora após o contato dos moradores. Os policiais realizaram o manejo de forma cautelosa para evitar estresse adicional ao animal. Utilizando equipamentos adequados, a equipe acomodou a capivara em recipiente de transporte e a encaminhou para avaliação veterinária.
Após exame preliminar, os profissionais constataram ferimentos leves na pata, possivelmente ocasionados por atrito no asfalto ou em superfícies ásperas durante o deslocamento. A capivara recebeu cuidados básicos e permaneceu sob observação para garantir a recuperação total antes de eventual devolução ao habitat natural.
Capivaras são mamíferos herbívoros e semi-aquáticos que encontram na Lagoa Maior um ambiente propício para alimentação e convívio em grupo. O local tornou-se um ponto turístico da cidade, onde esses animais circulam livremente e já fazem parte da paisagem urbana. Embora sejam geralmente dóceis, especialistas destacam que se trata de fauna silvestre e, por isso, o contato direto com humanos pode representar riscos para ambos.
A PMA reforçou orientações à população de Três Lagoas sobre a conduta adequada ao avistar animais silvestres em áreas residenciais. As recomendações incluem manter distância segura, evitar tentativas de captura e acionar imediatamente os órgãos competentes. Segundo a corporação, mesmo que pareçam habituados à presença humana, esses animais podem reagir de forma imprevisível quando se sentem ameaçados, além de serem potenciais transmissores de zoonoses.
Casos de capivaras fora de seu ambiente habitual têm se tornado mais frequentes em regiões urbanas próximas a corpos d’água. Fatores como busca por alimento, variações climáticas e interferência humana no habitat natural podem levar esses animais a deslocamentos atípicos. No episódio desta quarta-feira, a rápida comunicação entre moradores e autoridades contribuiu para um resgate sem complicações.
A moradora ressaltou a importância da pronta resposta das equipes especializadas e elogiou a condução do procedimento. Para ela, a situação serviu de alerta sobre a necessidade de atenção à fauna local e de respeito aos espaços ocupados por esses animais. A polícia ambiental, por sua vez, destacou que portões abertos ou lixeiras acessíveis podem atrair animais silvestres para dentro das propriedades, recomendando medidas simples de prevenção.
Encerrado o atendimento, a capivara permanecerá sob cuidados veterinários até estar apta a retornar à Lagoa Maior. A PMA informou que continuará monitorando a área para identificar possíveis fatores que estimulem novas incursões. Enquanto isso, a orientação permanece: ao se deparar com qualquer animal silvestre em quintais ou vias públicas, a população deve manter a calma, evitar contato e buscar auxílio de profissionais treinados.









