A instalação de novos empreendimentos industriais, liderados pela fábrica de celulose da Arauco em Inocência e pela unidade da Bracell em Bataguassu, desencadeia um ciclo de crescimento em Três Lagoas e nos municípios vizinhos. O volume de investimentos transforma não só a cadeia de celulose, mas repercute em setores como comércio, serviços e, principalmente, mercado imobiliário, que apresenta forte demanda por locações.
Setor de celulose impulsiona a região
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Marco Antônio Gomes Junior, aponta a consolidação do polo de celulose como o principal motor da atual expansão. Além das plantas industriais já operacionais, a confirmação de que o centro administrativo da Arauco ficará em Três Lagoas gera impacto imediato. Aproximadamente 400 profissionais serão transferidos, acompanhados de suas famílias, criando procura adicional por moradia, vagas em escolas, serviços de saúde e opções de lazer.
Segundo o secretário, a escolha do município deve-se à infraestrutura consolidada: rede de serviços completa, oferta diversificada de comércio e indicadores de qualidade de vida superiores aos observados em cidades vizinhas. Esse ambiente favorável estimula empresas que buscam eficiência logística e suporte técnico para se instalar na região.
Novos fornecedores globais também confirmaram presença. A multinacional Andritz e a finlandesa Valmet planejam unidades voltadas a equipamentos e serviços para a indústria de celulose, reforçando a posição de Três Lagoas como elo estratégico de toda a cadeia produtiva. A chegada de companhias de suporte fortalece o ecossistema industrial e amplia o número de oportunidades para profissionais técnicos e especializados.
Aquecimento do mercado imobiliário
A migração de profissionais e a previsão de contratações temporárias durante a fase de construção elevam a demanda por imóveis. Imobiliárias registram aumento nas consultas para locação de casas, apartamentos e salas comerciais, enquanto construtoras aceleram projetos para atender ao novo público. O movimento repercute em serviços complementares, como mobiliário, manutenção e segurança patrimonial, gerando receita adicional para negócios locais.
Com o fluxo de trabalhadores externos, hotéis e pousadas também se beneficiam. A ocupação cresce, sobretudo em períodos de pico de obras, impactando positivamente restaurantes, transportadoras e estabelecimentos de varejo. Esse dinamismo cria um círculo virtuoso: mais receita municipal via tributos, maior capacidade de investimento em infraestrutura e novos atrativos para empresas.
Desafios do mercado de trabalho
Apesar do cenário favorável, indicadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta semana revelam que Três Lagoas ocupa a 14ª posição em rendimento médio entre os municípios de Mato Grosso do Sul, com salário mensal de R$ 1.674. Ao mesmo tempo, empresas relatam dificuldade para preencher vagas técnicas e operacionais, sobretudo aquelas que exigem formação específica para atuar em plantas industriais ou em manutenção de equipamentos avançados.
A falta de mão de obra qualificada mantém postos abertos por períodos prolongados, limitando a velocidade de expansão de alguns setores. Para contornar o problema, companhias intensificam programas de formação interna, parcerias com instituições de ensino e campanhas de atração de profissionais de outras regiões.
Citricultura diversifica a matriz econômica
Além da celulose, a citricultura emerge como vetor de crescimento. Produtores ampliam a aquisição de áreas destinadas ao plantio de laranja em Três Lagoas e arredores. O investimento por hectare nessa cultura supera o aplicado na silvicultura, exigindo desembolsos significativos em irrigação, mudas e tecnologia agrícola. Em contrapartida, gera demanda intensa por mão de obra, principalmente em atividades de manejo, colheita e logística rural.
Com a expansão dos pomares, a região diversifica sua matriz econômica e reduz a dependência exclusiva do segmento florestal. O campo passa a absorver trabalhadores que não encontravam espaço na indústria, equilibrando a oferta de vagas em áreas urbanas e rurais.
Perspectivas de continuidade do crescimento
Mesmo diante da instabilidade internacional, Três Lagoas mantém desempenho acima da média nacional. O secretário de Desenvolvimento Econômico classifica o momento como “bolha positiva”, caracterizado pela combinação de investimentos robustos, demanda aquecida e indicadores de confiança elevados. A expectativa é que a conclusão das obras em andamento e a entrada em operação dos novos fornecedores prolonguem o ciclo de expansão nos próximos anos.
Os reflexos estendem-se a municípios próximos. Inocência, sede da futura fábrica da Arauco, recebe melhorias em infraestrutura viária para suportar o aumento no tráfego de caminhões de madeira. Bataguassu, onde se concentra a unidade da Bracell, observa incremento no comércio local e maior ocupação em empreendimentos habitacionais. O conjunto desses fatores consolida a região leste de Mato Grosso do Sul como eixo de desenvolvimento, atraindo capital nacional e estrangeiro.
Com a conjunção de grandes projetos industriais, diversificação agrícola e mercado imobiliário aquecido, Três Lagoas reafirma sua vocação produtiva e se posiciona como referência econômica no estado. A manutenção desse ciclo dependerá da capacidade de qualificar mão de obra, ampliar a infraestrutura de suporte e preservar a competitividade que hoje sustenta a chegada de novos investimentos.









