A Rua Otávio Sigefredo Roriz, situada no bairro Vila Nova, em Três Lagoas (MS), acumula reclamações de moradores sobre falta de infraestrutura básica há pelo menos 15 anos. Alagamentos constantes, ausência de pavimentação asfáltica e, mais recentemente, vazamento de esgoto a céu aberto compõem o cenário descrito pelos residentes, que apontam risco à saúde, mau cheiro e dificuldade de locomoção.
De acordo com relatos, as primeiras queixas surgiram quando o excesso de lama provocava enxurradas durante o período chuvoso. Com o passar do tempo, o surgimento de dois pontos de extravasamento de esgoto agravou a situação. A mistura entre a água das chuvas e o efluente formou poças permanentes em frente às casas, favorecendo a proliferação de mosquitos e criando um ambiente propício a infecções e doenças transmitidas por vetores.
Moradores destacam que o problema não se restringe ao incômodo do odor. A água suja invade quintais, impede a circulação de veículos e pedestres e coloca em risco crianças que costumam brincar nas proximidades. Idosos e pessoas com mobilidade reduzida também relatam dificuldade para transitar pela via, sobretudo em dias de chuva intensa, quando o nível de água aumenta rapidamente.
Entre os residentes afetados está o aposentado Geraldo Raimundo Pereira, que vive no local desde o início dos problemas. Segundo ele, a rua já enfrentava alagamentos consideráveis, porém o rompimento da tubulação de esgoto nos últimos meses tornou a situação insustentável. Pereira afirma ter procurado diferentes órgãos públicos, mas relata que as solicitações de reparo são encaminhadas de um setor para outro, sem resposta definitiva.
A falta de pavimentação contribui para a deterioração do espaço. Sem asfalto, a pista de terra se desmancha com as chuvas, formando valas e aumentando a quantidade de lama. Quando o esgoto transborda, essa lama se converte em lama misturada a resíduos, intensificando odores e dificultando ainda mais a passagem de moradores. A repetição do problema em períodos chuvosos faz com que muitos evitem sair de casa ou recorrer a trajetos alternativos mais longos.
Com a água parada, os moradores afirmam notar aumento significativo de insetos, principalmente mosquitos. O volume de larvas observado nas poças preocupa famílias, que temem doenças como dengue, zika e chikungunya. Além disso, a presença de efluente reforça o risco de contaminação por bactérias e vermes, sobretudo para crianças que mantêm contato direto com a água contaminada.
A Prefeitura de Três Lagoas informou, por meio de nota, que a Rua Otávio Sigefredo Roriz integra a terceira etapa de um projeto de melhorias previsto para a região. Segundo a administração municipal, as obras de drenagem e pavimentação devem começar em 2026. O comunicado não detalha intervenções emergenciais, mas destaca que o cronograma de execução está mantido.
Responsável pelo sistema de saneamento, a Sanesul também se pronunciou. A concessionária afirmou ter enviado uma equipe técnica ao endereço para avaliar a origem do vazamento. Ainda no mesmo dia, o órgão relatou que a água acumulada foi drenada. Entretanto, moradores indicam que a medida não elimina a causa do problema, pois os pontos de extravasamento seguem ativos e voltam a causar alagamentos sempre que chove com maior intensidade.
Os residentes do bairro Vila Nova alegam conviver com a falta de saneamento básico e pavimentação há mais de uma década, sem que intervenções anteriores tenham resultado em solução permanente. Eles solicitam uma ação conjunta entre Prefeitura e Sanesul que contemple substituição da tubulação danificada, regularização do fluxo de esgoto e obras de infraestrutura que incluam instalação de asfalto, meio-fio e drenagem pluvial.
Enquanto aguardam o início da terceira etapa do projeto municipal, os moradores pedem providências imediatas para reduzir os riscos sanitários e garantir a segurança de crianças, idosos e demais integrantes da comunidade. Segundo eles, a expectativa é de que as autoridades adotem medidas provisórias capazes de conter os vazamentos e minimizar alagamentos, evitando novos danos durante as próximas temporadas de chuva.
Apesar das manifestações dos órgãos responsáveis, a população se mantém apreensiva. A recorrência do problema e o longo período de espera por obras definitivas reforçam o sentimento de negligência relatado por muitas famílias. Até o momento, não há previsão de intervenções emergenciais além da drenagem pontual realizada pela Sanesul, e a solução estrutural anunciada pela Prefeitura está estimada apenas para 2026.









