Gestantes de todo o país já podem receber, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), uma nova vacina destinada a protegê-las contra o vírus sincicial respiratório (VSR). O imunizante, aplicado entre a 28ª e a 35ª semana de gestação, foi incorporado recentemente ao calendário nacional e, segundo o obstetra Edvardes Carmona Gomes, especialista em gestação de alto risco, reduz de forma significativa o risco de bronquiolite e de internações nos primeiros meses de vida do bebê.
Durante entrevista concedida à Rádio Massa FM em Campo Grande, o médico explicou que a aplicação da dose no final da gravidez permite à mãe transferir anticorpos diretamente ao feto. “A criança nasce com essa imunidade e permanece protegida por pelo menos seis meses”, indicou. A proteção, acrescentou, pode chegar a quase um ano quando a mulher mantém a amamentação, etapa que continua a fornecer anticorpos contra o VSR.
Na rede privada, a imunização tem custo superior a R$ 1,5 mil; no SUS, passa a ser oferecida de forma gratuita, o que, na avaliação do especialista, beneficia principalmente famílias que não teriam condições de arcar com a despesa. O VSR é um dos principais agentes de infecções respiratórias na infância e está associado a quadros de bronquiolite e pneumonia, responsáveis por hospitalizações frequentes em recém-nascidos e lactentes, sobretudo nos primeiros 12 meses.
Edvardes destacou que, além da nova vacina, o SUS mantém a oferta de todas as imunizações recomendadas pelas sociedades médicas para o período gestacional. Entre elas, a dTpa — indicada a partir de 20 semanas, com proteção contra difteria, tétano e coqueluche —, as vacinas contra hepatite B, gripe e covid-19. Situações específicas, como surtos regionais de febre amarela, podem levar à orientação para aplicação desse imunizante durante a gravidez, sempre mediante avaliação profissional.
Ao abordar a segurança da novidade incorporada ao programa público, o obstetra lembrou que as tecnologias empregadas atualmente dispensam o uso de vírus vivos, eliminando o risco de infecção pela própria vacina. Ele manifestou preocupação com a possibilidade de circulação de informações falsas que possam prejudicar a adesão das gestantes. “Tomara que não apareçam fake news sobre esse assunto”, afirmou, ressaltando que estudos de eficácia e segurança foram analisados antes da inclusão no calendário nacional.
Para garantir que todas as doses estejam em dia, a orientação é que a gestante procure a unidade de saúde por volta da 20ª semana, quando se inicia a aplicação da dTpa, e verifique o histórico vacinal completo. No caso do imunizante contra o VSR, mulheres entre 28 e 35 semanas devem buscar o serviço o quanto antes para respeitar o intervalo mínimo de 15 dias necessário à formação de anticorpos antes do parto. Esse período é considerado fundamental para que o recém-nascido receba a transferência ideal de proteção no momento do nascimento.
O especialista reforçou que manter o calendário vacinal atualizado traz benefícios diretos tanto para a mãe quanto para o bebê, reduz complicações obstétricas e diminui a demanda por leitos pediátricos. Ele lembrou que a imunização é uma medida preventiva consagrada, já incorporada à rotina do pré-natal, e que a inclusão de novas vacinas segue critérios técnicos amparados por evidências científicas.
Com a distribuição do novo imunizante, o Ministério da Saúde amplia o conjunto de ações voltadas à redução da mortalidade infantil e ao fortalecimento da atenção básica. A expectativa é que a aplicação em massa contribua para queda nos índices de hospitalização por infecções respiratórias, especialmente nos períodos de maior circulação do VSR, que costuma apresentar picos sazonais.
Profissionais de saúde recomendam que as gestantes agendem o quanto antes a visita à unidade básica, levando carteira de vacinação e exames do pré-natal. Assim, é possível atualizar eventuais pendências e programar a aplicação de todas as doses dentro dos prazos ideais. O contato antecipado com a equipe permite ainda esclarecer dúvidas sobre possíveis reações e contraindicações específicas.
Ao final da entrevista, Edvardes Carmona Gomes lembrou que a vacinação durante a gravidez é reconhecida por entidades nacionais e internacionais como estratégia segura e eficaz. “Atualizar as vacinas é uma forma simples de proteger a gestação e o bebê”, concluiu, reforçando a importância de as famílias aproveitarem a oferta gratuita do SUS.









