O plantio da soja em Mato Grosso do Sul chega à reta final com 97,5% da área prevista já semeada, segundo levantamento de entidade representativa dos produtores. Apesar do ritmo acelerado no campo, a irregularidade das chuvas e o baixo volume de comercialização antecipada mantêm o setor em estado de alerta.
A cultura ocupa aproximadamente 4,7 milhões de hectares no estado. Nas regiões central e sul, o percentual de áreas plantadas supera 98%, consolidando a quase totalidade da semeadura nesses polos. O avanço reforça a relevância econômica da oleaginosa para Mato Grosso do Sul, responsável por parcela expressiva da renda agrícola local.
A produtividade média estimada para o ciclo 2023/24 é de 52,8 sacas por hectare. Com esse rendimento, a colheita pode alcançar 15,1 milhões de toneladas, projeção sustentada pelo crescimento de 6% na área destinada ao grão em relação ao ciclo anterior. A expansão mostra a confiança dos produtores, mas também amplia a exposição a riscos climáticos e de mercado.
O trabalho de semeadura ganhou velocidade nas últimas semanas: em apenas cinco semanas, 81% das áreas foram plantadas, aproveitando uma janela considerada ideal. Esse desempenho só foi possível graças a períodos iniciais de umidade adequada, que facilitaram a preparação do solo e a semeadura em ritmo contínuo.
Entretanto, o cenário climático mudou. Dias sucessivos de calor intenso e chuvas irregulares interromperam a regularidade observada no início da temporada. Em algumas fazendas, a precipitação recente não ultrapassou 20 milímetros, volume insuficiente para repor a umidade em profundidade. Dezembro é apontado pelos agrônomos como mês decisivo para o desenvolvimento vegetativo da soja, motivo pelo qual qualquer estiagem prolongada pode afetar o potencial produtivo.
Por ora, técnicos classificam a situação como controlada, mas exigindo monitoramento permanente. O acompanhamento de temperaturas, precipitações e condições de solo tornou-se rotina diária, sobretudo em áreas de solo mais leve, onde a água se dissipa com rapidez. Caso se confirme a previsão de chuvas irregulares nos próximos dias, parte do potencial de rendimento poderá ser comprometida.
Paralelamente, o ritmo de comercialização segue abaixo do padrão histórico. Apenas 21% da safra futura foi negociada até o momento, percentual considerado baixo frente à média de cerca de 30% normalmente registrada nesta época. Antecipar vendas costuma ser estratégia para travar custos e reduzir exposição ao mercado na fase de colheita, quando os preços podem ceder pela oferta maior.
A decisão de segurar negócios envolve diferentes fatores. Alguns produtores aguardam movimentos de alta nos preços antes de ampliar volumes comprometidos. Além disso, o cenário externo apresenta incertezas, sobretudo em relação à demanda chinesa e à conjuntura macroeconômica global, o que influencia diretamente na formação de preços internos. A cautela verificada em Mato Grosso do Sul também aparece em outras regiões produtoras do país.
No ambiente internacional, a Bolsa de Chicago continua como principal referência. No pregão da madrugada, os contratos futuros tiveram leve valorização na expectativa do relatório semanal de vendas e exportações dos Estados Unidos, tradicionalmente divulgado às quintas-feiras. Rumores sobre compras adicionais da China e o acompanhamento das condições climáticas na América do Sul completam o quadro observado pelos agentes de mercado.
Um relatório mais abrangente de oferta e demanda global está previsto apenas para a semana seguinte. Até lá, as variações climáticas nas regiões produtoras brasileiras e os dados de embarques norte-americanos devem seguir como balizadores de preço. Qualquer mudança significativa nesses indicadores tende a refletir rapidamente nas negociações internas.
Com uma área recorde semeada e as lavouras em estágio inicial de desenvolvimento, o produtor sul-mato-grossense equilibra expectativas positivas de produção com a necessidade de prudência diante do comportamento do clima e da lentidão nas vendas antecipadas. A combinação entre gestão de custos, monitoramento climático e oportunidade de travamento de preços será determinante para definir o resultado da safra 2023/24 no estado.









