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Arauco inicia obras preliminares de ramal ferroviário de 47 km em Mato Grosso do Sul

A Arauco deu início, na última semana, às etapas preparatórias para construir um ramal ferroviário de 47 quilômetros que ligará a fábrica de celulose em implantação no município de Inocência (MS) à Malha Norte, operada pela Rumo. O novo trecho formará um corredor logístico entre o interior de Mato Grosso do Sul e o Porto de Santos, no litoral paulista, viabilizando o escoamento da produção prevista para a unidade industrial atualmente em fase de obras.

O investimento integra o Projeto Sucuriú, orçado em US$ 4,6 bilhões, por meio do qual a companhia chilena ingressa no mercado brasileiro de celulose. Além do ramal, o aporte contempla a construção da planta industrial com capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas anuais de fibra curta. A previsão de início de operação é o final de 2027.

Autorizações e incentivos fiscais

Para viabilizar o traçado ferroviário, a empresa obteve todas as autorizações regulatórias exigidas. Entre elas estão a concessão da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a habilitação como Agente Transportador Ferroviário, a Declaração de Utilidade Pública (DUP) para desapropriações e as licenças ambientais necessárias à abertura de frentes de serviço.

O empreendimento também foi enquadrado no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi), que suspende a cobrança de PIS e Cofins sobre bens e serviços destinados às obras. Na semana passada, o Ministério dos Transportes publicou portaria que formaliza isenção de R$ 91,7 milhões vinculada ao projeto ferroviário.

Traçado e intervenções previstas

O percurso seguirá paralelo às rodovias MS-377 e MS-240, cruzando áreas rurais do município de Inocência. Estão previstos passagens inferiores e superiores, remanejamentos viários, dispositivos de transposição de fauna e uma ponte de 270 metros sobre o córrego São Mateus. A estrutura foi projetada para reduzir movimentação de solo e minimizar supressão vegetal ao longo do leito ferroviário.

O traçado atinge 40 propriedades rurais. Embora a DUP autorize a desapropriação, a companhia mantém negociações diretas com produtores e autoridades locais. O início efetivo das obras civis ocorrerá apenas nos trechos cujos acordos já foram formalizados, informou a empresa.

Medidas ambientais

Como condicionante para a instalação, foi firmado Termo de Compromisso com o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul. O documento prevê a destinação de R$ 4,3 milhões, distribuídos em 24 meses, para ações de recuperação de áreas degradadas, conservação de recursos hídricos e monitoramento da fauna na região de influência do projeto.

A companhia afirma que o modal ferroviário permitirá reduzir em 94 % as emissões de gases de efeito estufa em comparação ao transporte rodoviário, além de retirar aproximadamente 7 mil viagens de caminhões por mês das estradas estaduais e federais que cortam o leste sul-matogrossense.

Impactos socioeconômicos

A etapa de construção da fábrica e do ramal ferroviário deverá mobilizar mais de 14 mil trabalhadores, incluindo programas de capacitação voltados à mão de obra local. Após o início da operação industrial, a expectativa é manter cerca de 6 mil empregos diretos e indiretos nas áreas industrial, florestal e logística.

De acordo com projeções da Arauco, a entrada em funcionamento da unidade e do novo corredor de escoamento incrementará a renda da população, ampliará a arrecadação tributária do município e deverá atrair investimentos complementares em serviços e infraestrutura.

Próximos passos

Com as autorizações concedidas e as primeiras frentes de trabalho já instaladas, a empresa concentra esforços na liberação total das áreas e na mobilização de equipamentos. A implantação do ramal envolve terraplenagem, execução de obras de arte especiais, montagem da superestrutura ferroviária e instalação de sistemas de sinalização e comunicação.

Quando concluído, o trecho se conectará à Malha Norte, permitindo o transporte de celulose por aproximadamente 1 600 quilômetros até o Porto de Santos, principal terminal de exportação do país. A solução ferroviária é apontada pela companhia como elemento estratégico para garantir competitividade no mercado externo e otimizar a cadeia logística da celulose produzida em Mato Grosso do Sul.

O cronograma detalhado das obras não foi divulgado, mas a empresa mantém a estimativa de concluir o ramal dentro do prazo necessário para a partida da fábrica de Inocência, prevista para o último trimestre de 2027.