Um farmacêutico de 61 anos foi detido na manhã desta segunda-feira (8) depois de ser flagrado com seis aparelhos celulares escondidos em uma caixa de medicamentos na Penitenciária de Segurança Média de Três Lagoas, município localizado a 338 quilômetros de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. A prisão em flagrante foi realizada por policiais penais da Agência de Administração Penitenciária (Agepen) e registrada no boletim de ocorrência como favorecimento real, previsto no artigo 349 do Código Penal.
De acordo com o relato dos servidores que atuavam na portaria, o profissional de saúde já se encontrava no interior da unidade e, por volta das 8h, comunicou que precisaria acessar o estacionamento para buscar uma caixa contendo remédios em seu veículo. O pedido foi autorizado, uma vez que o farmacêutico presta serviços regulares ao estabelecimento prisional. À volta, ele passou por revista pessoal, procedimento padrão adotado pela Agepen em todas as entradas e saídas de servidores, visitantes e prestadores de serviço.
Na revista inicial, nada de irregular foi encontrado junto ao corpo do suspeito. A segunda verificação foi direcionada ao volume transportado: uma caixa de papelão aparentemente preenchida apenas com cartelas de medicamentos. Quando os policiais removeram os blisters, localizaram um fundo falso. Ali estavam escondidos os seis telefones celulares, embalados de forma a reduzir a chance de detecção rápida.
Assim que percebeu ter sido descoberto, o farmacêutico alegou que precisaria retornar ao veículo para buscar um “documento” esquecido. Os agentes impediram a movimentação até que a direção da Penitenciária Masculina fosse informada e comparecesse à portaria. Com a tentativa de evasão frustrada, o homem recebeu voz de prisão e foi conduzido à sala administrativa para esclarecimentos.
Na presença da equipe responsável, o detido relatou ter recebido os aparelhos de um indivíduo do lado de fora do complexo. Segundo sua versão, o interlocutor solicitou que os celulares fossem entregues a um interno de 56 anos que cumpre pena na mesma unidade. O farmacêutico não indicou qual seria a recompensa pelo serviço, tampouco forneceu detalhes sobre a identidade do intermediário. Os agentes registraram as declarações no boletim e comunicaram o fato à autoridade policial competente.
Concluídos os procedimentos iniciais, a direção encaminhou o preso à Delegacia de Polícia Civil para autuação em flagrante com base no artigo 349 do Código Penal, que tipifica como crime “ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou facilitar a entrada de aparelhos de comunicação em estabelecimento prisional”. A pena prevista varia de três meses a um ano de detenção, além de multa. O inquérito deverá apurar também eventual participação de terceiros, incluindo o detento de 56 anos apontado como destinatário dos aparelhos.
A Agepen ressaltou que a rotina de revista em prestadores de serviço segue normas internas que preveem inspeção corporal e verificação minuciosa de objetos sempre que alguém entra ou sai da penitenciária. A autarquia informou ainda que os celulares apreendidos serão encaminhados ao Judiciário para as providências cabíveis e que um processo administrativo interno será instaurado para apurar responsabilidades funcionais, caso envolvidos façam parte do quadro de servidores.
O farmacêutico permanece à disposição da Justiça. A Polícia Civil investiga a origem dos aparelhos, o envolvimento de demais indivíduos e a possibilidade de outras tentativas semelhantes. A direção da penitenciária comunicou o episódio à Vara de Execuções Penais, que pode adotar medidas disciplinares em relação ao detento mencionado na ocorrência.
Com o caso, a Agepen reforçou a orientação para que servidores, colaboradores e visitantes não transportem objetos proibidos, lembrando que a entrada de equipamentos de comunicação sem autorização configura crime. A administração penitenciária destaca que, além de comprometer a segurança interna, a presença de celulares nas celas permite o planejamento de ilícitos externos, extorsões e outros crimes.









