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Consumidora de Dourados perde R$ 4 mil em golpe durante compra de motor on-line

Uma moradora de Dourados, município do sul de Mato Grosso do Sul, procurou a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) para registrar ocorrência após ter sido vítima de um golpe de comércio eletrônico que envolveu a compra de um motor automotivo. De acordo com o boletim, a mulher realizou duas transferências bancárias que totalizaram R$ 6,5 mil, mas descobriu que o valor foi encaminhado a contas de pessoas físicas e não à empresa que acreditava estar contratando.

O episódio teve início quando a consumidora encontrou, na internet, um anúncio de venda de um motor para Ford Ka. A publicação mencionava que o equipamento pertencia a uma empresa de autopeças localizada em Blumenau, Santa Catarina. A vítima acessou o link disponibilizado no anúncio e, por meio de aplicativo de mensagens, iniciou contato com um indivíduo que se apresentou como funcionário do estabelecimento.

Segundo o registro policial, as negociações avançaram rapidamente. O suposto vendedor enviou imagens do motor, detalhou características técnicas e informou que o preço seria de R$ 6,5 mil, já com frete incluso até Dourados. Convencida de que se tratava de uma operação legítima, a cliente decidiu concluir a compra. Para efetivar o pagamento, recebeu duas instruções distintas: realizar um Pix de R$ 4 mil e um TED com o valor remanescente de R$ 2,5 mil.

A primeira transferência, via Pix, foi efetuada para uma chave aleatória apresentada como conta empresarial. A segunda, por meio de Transferência Eletrônica Disponível, teve o mesmo destinatário indicado como beneficiário da companhia. Entretanto, apenas depois de concluir as operações, a compradora verificou que ambas as contas estavam vinculadas a pessoas físicas, informação que não havia sido mencionada durante a negociação.

A ausência de nota fiscal foi o fator que despertou desconfiança. O suposto representante comercial havia prometido enviar o documento assim que o pagamento fosse confirmado, mas não encaminhou comprovante nem atualizações sobre o envio do item. Ao perceber que não receberia o motor nem a documentação prometida, a moradora buscou orientações junto à instituição financeira responsável pelas transações.

O banco recomendou a contestação dos pagamentos e indicou que a vítima formalizasse o ocorrido junto à polícia. Na Depac, foram registrados todos os dados sobre a compra, valores transferidos, nomes dos titulares das contas bancárias e o conteúdo das conversas mantidas com o anunciante. As informações serão encaminhadas ao setor competente para investigação de crime de estelionato.

Casos semelhantes têm se tornado frequentes em compras on-line que envolvem peças de veículos, setor em que a demanda por reposição rápida e preços atrativos pode levar consumidores a negociar com vendedores desconhecidos. Especialistas orientam que o comprador verifique se o anúncio está vinculado a empresa devidamente registrada, confirme CNPJ, exija nota fiscal e desconfie de contas em nome de pessoas físicas quando o negócio é apresentado como corporativo.

A orientação policial também inclui não concluir pagamentos antes de confirmar a legitimidade do estabelecimento, utilizar plataformas que ofereçam proteção ao consumidor e manter registros de todas as conversas. Em casos de suspeita ou confirmação de golpe, a recomendação é acionar imediatamente o banco para tentar bloquear valores e procurar a delegacia mais próxima para registrar boletim de ocorrência.

Na situação relatada em Dourados, a vítima aguarda resposta da instituição financeira sobre a possibilidade de ressarcimento parcial ou integral dos R$ 6,5 mil. A investigação tentará identificar os titulares das contas que receberam os valores e rastrear o destino dos recursos. Até o momento, não houve recuperação do montante nem confirmação do paradeiro do suspeito.

O caso permanece sob análise da polícia civil, que busca reunir elementos suficientes para responsabilizar eventuais envolvidos no esquema. Enquanto isso, autoridades reforçam a importância de prudência em transações on-line, sobretudo em compras de alto valor. A Depac segue disponível para registrar ocorrências desse tipo e orientar consumidores que detectarem movimentações suspeitas.