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Polícia Federal cumpre mandados em três cidades durante a Operação Paliteiro contra contrabando de cigarros

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (11) a Operação Paliteiro, voltada a desarticular uma associação criminosa suspeita de transportar e comercializar cigarros introduzidos irregularmente no território brasileiro. A ação ocorreu simultaneamente em Dourados, no Mato Grosso do Sul, e nos municípios paulistas de Presidente Prudente e Garça, onde foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal.

Segundo informações da corporação, a investigação aponta que o grupo vinha atuando de forma estruturada, concentrando-se no recebimento de mercadorias procedentes do Paraguai e na posterior distribuição dos produtos a cidades do interior de São Paulo. Os policiais identificaram indícios de que os integrantes da organização se especializaram em toda a cadeia logística do contrabando, desde o transporte transfronteiriço até a venda nos pontos de varejo.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram recolhidos telefones celulares e outros materiais considerados relevantes para o inquérito. Todo o conteúdo apreendido será encaminhado à perícia criminal da Polícia Federal, que irá realizar a extração de dados e a análise técnica para esclarecer a extensão das atividades do grupo, identificar possíveis novos envolvidos e mapear a rota utilizada para a introdução das cargas clandestinas.

A corporação não divulgou o número de investigados nem confirmou se houve prisões na fase atual da operação. O foco, de acordo com nota oficial, é robustecer as provas sobre o funcionamento da rede criminosa e assegurar a interrupção do fluxo ilícito de cigarros, prática que gera prejuízos fiscais, alimenta a concorrência desleal e financia outras modalidades de crime.

Dourados, ponto-chave do esquema segundo os investigadores, está localizada a pouco mais de 120 quilômetros da fronteira entre Brasil e Paraguai, o que favoreceria a entrada rápida dos carregamentos contrabandeados no território nacional. A partir dessa cidade sul-matogrossense, o material seria encaminhado em veículos de carga ou utilitários para depósitos nas regiões de Presidente Prudente e Garça, de onde seguiria para diferentes mercados consumidores do estado de São Paulo.

A operação recebeu o nome de Paliteiro em alusão ao formato dos maços de cigarros empilhados e às embalagens estreitas que, conforme os policiais, eram acondicionadas em grandes volumes dentro dos veículos. A escolha da denominação também serve para padronizar o controle interno das investigações, facilitando a distinção desta ação em relação a outras iniciativas de combate ao contrabando.

Conforme a Polícia Federal, o contrabando de cigarros figura entre os delitos de maior impacto econômico para o país, já que impede a arrecadação de tributos incidentes sobre a produção e a comercialização de produtos legais. Estimativas do setor apontam que marcas importadas irregularmente representam parcela significativa do mercado, pressionando a indústria formal e reduzindo recursos destinados a políticas públicas. Embora esses dados sejam de conhecimento geral, não há, neste inquérito específico, avaliação oficial ainda divulgada sobre o montante financeiro movimentado pela associação investigada.

Os mandados executados nesta quinta-feira foram solicitados após a análise de documentos e registros obtidos em etapas preliminares da apuração. Entre os elementos reunidos estão relatos de vigilâncias, imagens de câmeras de monitoramento e informações sobre viagens suspeitas realizadas em horários não convencionais. Com a nova etapa, os agentes pretendem avançar na identificação dos fornecedores estrangeiros, dos transportadores contratados para atravessar a fronteira e dos responsáveis pela revenda em solo paulista.

A corporação enfatizou que as investigações prosseguem sob sigilo para preservar a efetividade das próximas diligências. Os objetos apreendidos serão periciados em laboratórios oficiais, procedimento que inclui a verificação de mensagens armazenadas, histórico de chamadas e eventuais arquivos que indiquem a existência de vínculos financeiros entre os investigados. Caso sejam confirmadas as suspeitas, os envolvidos poderão responder pelos crimes de contrabando, associação criminosa e outros delitos previstos na legislação penal e tributária.

Após a conclusão dos laudos e a consolidação das provas, o inquérito será enviado ao Ministério Público Federal, responsável por analisar o material e decidir sobre a oferta de denúncia à Justiça. A Polícia Federal informou que continuará realizando ações coordenadas para prevenir a entrada de produtos ilícitos no país, reforçando a fiscalização nas áreas de fronteira e intensificando a cooperação com outras forças de segurança.