Pequenas agroindústrias de produtos de origem animal instaladas em sete municípios do sul de Mato Grosso do Sul ganharam autorização para comercializar seus itens em todo o território estadual. O aval foi concedido ao consórcio Sul-Fronteira, formado por Amambai, Dourados, Douradina, Laguna Carapã, Ponta Porã, Antônio João e Aral Moreira, que agora passa a integrar o programa de certificação sanitária coordenado pelo governo estadual.
Na prática, empreendimentos que já detêm o Serviço de Inspeção Municipal (SIM) ou são fiscalizados diretamente pelo consórcio poderão expandir suas vendas além das fronteiras de seus respectivos municípios. Produtos como queijos, embutidos, carnes processadas e demais itens de origem animal passam a ter trânsito liberado entre diferentes regiões de Mato Grosso do Sul, favorecendo a ampliação do público consumidor.
Como funciona a certificação
O programa é desenvolvido pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) em parceria com a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), a Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) e o Ministério da Agricultura e Pecuária. A coordenação técnica fica sob responsabilidade da Iagro, que avalia a conformidade dos serviços de inspeção municipais ou consorciados.
Para aderir ao sistema, cada município ou consórcio precisa cumprir uma série de requisitos. O primeiro passo é estar registrado no Cadastro Integrado de Sistemas de Bases (CISB) do Ministério da Agricultura. Além disso, a legislação local de inspeção deve estar alinhada às normas estaduais, garantindo parâmetros equivalentes para a fiscalização sanitária.
Somente após o atendimento dessas exigências a estrutura recebe o certificado de adesão. A etapa seguinte envolve a verificação dos processos produtivos e dos próprios produtos, assegurando que padrões mínimos de qualidade e segurança alimentar sejam respeitados. A intenção é evitar riscos à saúde pública quando os alimentos circularem por diferentes localidades.
Benefícios para produtores e consumidores
A autorização estadual oferece uma perspectiva de mercado mais ampla para pequenos empreendedores da cadeia de proteína animal. Com a possibilidade de acessar redes varejistas, feiras, mercados institucionais e clientes de outras cidades, esses negócios ganham escala potencial de vendas. O aumento da demanda tende a refletir em melhoria da margem de lucro e maior sustentabilidade econômica.
Para o consumidor, o programa representa acesso a uma variedade maior de itens regionais. Alimentos com identidade cultural específica, antes restritos a circuitos locais, poderão chegar a prateleiras de outras regiões do estado, incentivando o intercâmbio de sabores e tradições. Ao mesmo tempo, a certificação assegura que as condições sanitárias sejam equivalentes às exigidas no restante do território sul-mato-grossense.
Procedimentos de fiscalização contínua
A Iagro mantém responsabilidade sobre auditorias periódicas, verificando se os estabelecimentos seguem as boas práticas de fabricação e os protocolos de defesa sanitária animal. Caso ocorram inconformidades, o certificado pode ser suspenso até o ajuste completo das pendências. Dessa forma, a confiabilidade do sistema se baseia em controle permanente, não apenas na emissão inicial do selo.
O consórcio Sul-Fronteira reúne cidades com forte vocação agropecuária e histórico de produção de laticínios, charcutaria e cortes especiais. Com a adesão, o grupo passa a figurar entre os polos regionais autorizados a fornecer alimentos de origem animal em escala estadual, equiparando-se a municípios já certificados de outras partes de Mato Grosso do Sul.
Estratégia de desenvolvimento regional
A política de certificação integra as ações de agregação de valor na cadeia produtiva defendidas pela Semadesc. Ao alinhar sanidade, regularização e abertura de mercado, o governo estadual pretende fortalecer pequenos empreendimentos, diversificar a economia local e estimular a permanência de produtores nas zonas rurais.
Segundo a secretaria, ampliar canais de comercialização é condição fundamental para o avanço de agroindústrias familiares, geralmente limitadas ao mercado municipal. A expansão para todo o estado facilita a formação de parcerias comerciais e o acesso a programas públicos de compras alimentares, abrindo novas oportunidades de receita.
Com a certificação do consórcio Sul-Fronteira, Mato Grosso do Sul dá continuidade à estratégia de integrar microrregiões produtivas em um mesmo sistema de inspeção. O modelo contribui para reduzir custos de fiscalização, unificar padrões técnicos e garantir que os alimentos cheguem com segurança ao consumidor, mantendo a identidade regional dos produtos.









