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Sindicato condena bloqueio de jornalistas em coletiva da Prefeitura de Campo Grande

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Mato Grosso do Sul (Sindjor-MS) divulgou nota nesta segunda-feira (15) em que reprova a decisão da Prefeitura de Campo Grande de impedir a entrada de determinados veículos de comunicação em uma coletiva oficial realizada no Paço Municipal. O encontro com a imprensa tinha como pauta a greve do transporte coletivo urbano, mas foi restrito a apenas parte dos profissionais que buscavam cobertura presencial.

De acordo com o sindicato, repórteres dos portais Top Mídia News, Correio do Estado e Total News foram barrados logo na recepção da sede do Executivo, localizada na região central da capital sul-mato-grossense. Os profissionais, que haviam se deslocado para acompanhar as informações do poder público sobre a paralisação dos ônibus, receberam a orientação de que não poderiam participar da entrevista porque seus veículos não constavam na lista previamente autorizada pela administração municipal.

O Sindjor-MS classificou o procedimento adotado pela gestão da prefeita Adriane Lopes (PP) como uma medida que afronta princípios constitucionais. Na avaliação da entidade, a restrição de acesso compromete o direito coletivo à informação, previsto no artigo 5º da Constituição Federal, e fere a liberdade de imprensa, essencial à transparência dos atos governamentais. Para o sindicato, decisões desse tipo minam a confiança pública e limitam o escrutínio social sobre a conduta de agentes que ocupam cargos de poder.

Em nota, a entidade que representa os jornalistas afirmou ainda que veículos com postura editorial crítica ao Executivo municipal vêm enfrentando, de forma sistemática, dificuldades para obter dados, entrevistas ou credenciamento em eventos oficiais. Segundo o sindicato, as restrições se intensificam quando essas redações divulgam denúncias ou questionamentos relacionados à gestão, configurando, na prática, retaliações institucionais que contrariam o ambiente democrático.

Para o Sindjor-MS, o ato de impedir oficialmente a presença de profissionais que realizam cobertura independente constitui censura, mesmo que não haja expressa proibição de publicar conteúdo. Na avaliação do sindicato, qualquer seleção prévia que exclua jornalistas por critério editorial restringe o pluralismo de informações e viola o princípio da impessoalidade na administração pública.

A entidade também ressaltou que órgãos e representantes do poder público têm o dever de prestar contas de modo equânime a todos os cidadãos, independentemente do veículo que busque acesso às informações. O sindicato lembrou que a atuação jornalística é reconhecida como elemento fundamental para o controle social e a fiscalização das políticas públicas, razão pela qual a exclusão de profissionais de coletivas institucionais compromete a qualidade do debate público.

O Sindjor-MS pediu que a Prefeitura reveja procedimentos de credenciamento e estabeleça critérios transparentes que garantam a participação de todos os meios interessados em cobrir atividades oficiais. A entidade reforçou que, em contextos de interesse coletivo, como a paralisação do transporte urbano, a circulação irrestrita de informações auxilia a população a compreender medidas, cronogramas e responsabilidades dos gestores.

Até o momento da publicação deste texto, a administração municipal de Campo Grande não se pronunciou sobre o episódio nem apresentou justificativa para a limitação imposta aos veículos que tiveram o acesso negado à coletiva.