Uma equipe policial apreendeu aproximadamente 1,9 quilo de maconha, 106 gramas de cocaína e um drone que, segundo a investigação preliminar, seria utilizado para enviar entorpecentes e celulares a unidades prisionais da região de Campo Grande. A ocorrência foi registrada durante patrulhamento no bairro Tiradentes, depois que os agentes receberam uma denúncia anônima relatando atividade de tráfico em um conjunto de residências.
Os policiais se deslocaram ao endereço indicado e abordaram uma mulher que saía do imóvel apontado na denúncia. Populares informaram que ela morava na última casa do conjunto. Durante a abordagem, a suspeita confirmou que havia material ilícito na residência, mas declarou que os objetos não lhe pertenciam.
Pelo lado de fora da casa, os agentes observaram pela janela um pacote com substância semelhante a maconha, além de uma balança de precisão posicionada ao lado. Diante da evidência, foi realizada a entrada no local. No interior do imóvel foram encontrados diversos tabletes de maconha, parte já dividida e embalada em porções menores, compatíveis com o transporte por drone. Também foram localizados 106 gramas de cocaína, dispostos em embalagens individuais.
Além das drogas, os policiais recolheram um drone de médio porte, três baterias, dois controles remotos, três aparelhos celulares – um deles já embalado para ser suspenso pelo equipamento aéreo –, duas balanças de precisão, dinheiro em notas de pequeno valor e grande quantidade de material para fracionamento e embalagem dos entorpecentes.
De acordo com o relato apresentado pela suspeita, o responsável pela mercadoria seria o namorado dela, apontado como o operador do esquema de venda e distribuição. A mulher afirmou não participar das transações, mas não soube explicar a razão de o material permanecer guardado em sua residência.
Todo o conteúdo apreendido foi encaminhado, junto com a conduzida, à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac Cepol), onde o caso foi registrado. A polícia informou que o uso de algemas foi necessário para garantir a segurança da equipe e da própria suspeita durante o deslocamento.
A investigação agora busca identificar outros integrantes do grupo, confirmar o destino final dos entorpecentes e esclarecer a participação de cada envolvido. A principal linha de apuração é de que as drogas, os celulares e o restante do material seriam levados por meio do drone a presídios localizados nas proximidades da capital sul-mato-grossense.
O procedimento padrão inclui perícia nas substâncias apreendidas, análise técnica do equipamento aéreo e extração de dados dos celulares recolhidos. As informações obtidas deverão apoiar o avanço das diligências e apontar rotas, horários e eventuais comparsas responsáveis pelo abastecimento das unidades prisionais.
Embora a quantidade de maconha encontrada seja considerada significativa, a polícia destacou que o fracionamento das porções sugere dinâmica de distribuição frequente. Os pacotes destinados ao transporte aéreo já estavam separados e pesavam menos do que a capacidade máxima do drone, o que reforça a hipótese de utilização para sobrevoar muralhas e enviar itens proibidos a detentos.
Além da acusação de tráfico de drogas, o inquérito pode incluir crime de favorecimento real se for comprovado que o grupo pretendia beneficiar pessoas privadas de liberdade. As penas somadas podem ultrapassar cinco anos de reclusão, dependendo do enquadramento final.
A suspeita permanece à disposição da Justiça enquanto a Polícia Civil aprofunda as investigações para localizar o namorado mencionado e eventuais compradores ou intermediários. Informações adicionais também serão cruzadas com registros anteriores de apreensão de drones nos arredores de penitenciárias, com o objetivo de verificar se há conexão entre casos semelhantes.
Até o momento, a Secretaria de Justiça e a administração penitenciária ainda não confirmaram se houve tentativa recente de arremesso de drogas ou celulares nas unidades mencionadas. Entretanto, o material apreendido sugere planejamento detalhado para burlar a segurança dos estabelecimentos prisionais.
O resultado da perícia no drone e nos aparelhos eletrônicos deverá indicar a frequência de voos, pontos de decolagem e coordenadas de pouso dentro dos presídios, fornecendo subsídios importantes para as próximas etapas da investigação. Enquanto isso, o equipamento e os demais itens permanecem sob custódia da autoridade policial.









