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Paradesporto projeta Três Lagoas e reafirma o esporte como ferramenta de inclusão

O paradesporto de Três Lagoas, município do leste sul-mato-grossense, atravessa um ciclo de expansão marcado por resultados expressivos em competições e pela formação de novos talentos. O movimento reforça o papel do esporte como instrumento de inclusão social e de autonomia para pessoas com deficiência, além de colocar a cidade em evidência nos calendários estadual, nacional e internacional.

Resultados em Brasília impulsionam visibilidade

Na última semana, os atletas Lucas e Emerson conquistaram medalhas de prata nas Olimpíadas Especiais das APAEs, disputadas em Brasília. Lucas ficou em segundo lugar na bocha adaptada, enquanto Emerson alcançou o mesmo posto no atletismo. Os pódios fortaleceram a confiança de ambos, que relatam evolução física e emocional desde que passaram a treinar de forma sistemática. As conquistas também funcionam como estímulo para colegas que iniciam suas trajetórias esportivas.

Nomes que mantêm a cidade no pódio

Além de Lucas e Emerson, o grupo competitivo de Três Lagoas reúne André, Bruno, Maria Fernanda e Marcelo de Souza. Esses paratletas compõem uma geração que vem participando de campeonatos estaduais e nacionais com frequência, ampliando a presença do município em modalidades como atletismo, bocha, natação e ciclismo adaptado. Todos se inspiram no histórico de Silvânia Costa, atleta paralímpica que soma dois ouros nos Jogos e um título mundial, resultados que projetaram a cidade para além das fronteiras do país.

Silvânia prepara novo ciclo paralímpico

Referência para os colegas, Silvânia Costa já iniciou a preparação para disputar as próximas Paralimpíadas, agendadas para Los Angeles. A atleta planeja competir em duas frentes: atletismo, modalidade na qual obteve suas principais conquistas, e ciclismo, disciplina que abraçou recentemente. Segundo seu cronograma, ela pretende conciliar os treinos para manter a consistência no salto em distância ao mesmo tempo em que desenvolve o desempenho sobre a bicicleta.

Treinamento permanente e metas de alto rendimento

O técnico Ângelo de Jesus Caldeira coordena parte das sessões de treinamento em Três Lagoas e destaca que o trabalho se orienta pelo alto rendimento, sem descuidar de princípios como acessibilidade e autonomia dos atletas. A rotina diária envolve exercícios específicos para cada deficiência, avaliação de desempenho e adaptações em equipamentos. Embora muitas disputas possam parecer recreativas ao público externo, o planejamento segue padrões de equipes profissionais, com metas definidas para campeonatos regionais, nacionais e, em alguns casos, paralímpicos.

Impacto social além das medalhas

Os resultados esportivos oferecem visibilidade, mas o principal efeito do paradesporto local é o aumento da autoestima e da independência de seus participantes. Jovens e adultos que ingressam nos projetos relatam ganhos na convivência familiar, melhor desempenho escolar e ampliação das redes de apoio. As atividades diárias proporcionam disciplina, convivência em equipe e oportunidades de viagem, aspectos considerados cruciais para a inclusão social de pessoas com deficiência.

Estrutura de apoio favorece continuidade

O crescimento verificado em Três Lagoas depende de um conjunto de fatores. Treinadores especializados, famílias engajadas e políticas públicas de incentivo formam a base que sustenta os programas. A cidade conta com espaços adaptados para treino, transporte oferecido em dias de competição e parcerias com instituições de ensino, o que facilita a identificação de novos talentos. Esse ambiente colaborativo gera um ciclo virtuoso: resultados positivos atraem mais atenção, estimulando novos investimentos e ampliação de vagas.

Projeções para os próximos anos

Com duas medalhas paralímpicas e um título mundial já registrados no histórico municipal, as metas futuras incluem ampliar a delegação em eventos nacionais, garantir presença em mundiais de categoria e consolidar representantes em Los Angeles. O planejamento prevê intercâmbios com centros de referência, atualização constante de metodologias de treinamento e captação de recursos para compra de equipamentos adaptados. Essas iniciativas buscam manter o ritmo de crescimento e assegurar que Três Lagoas permaneça no mapa do paradesporto brasileiro.

A evolução observada confirma que, para além dos pódios, o esporte adaptado oferece oportunidades concretas de transformação de vidas. Histórias como as de Lucas, Emerson, Silvânia e seus colegas evidenciam que disciplina, suporte adequado e investimento público criam um ambiente em que a superação de barreiras se torna rotina, inspirando atletas e comunidade em geral.