Um homem de 66 anos, diagnosticado com transtornos mentais, vive há mais de três anos em uma casa na rua Alaor Garcia, bairro Vila Alegre, em Três Lagoas (MS), sem acompanhamento familiar e exposto a condições de higiene extremamente precárias. O caso, denunciado por moradores na última semana, revela a permanência do idoso em ambiente tomado por lixo doméstico, fezes humanas e de animais, além de forte odor, fatores que representam risco direto à saúde dele e da vizinhança.
A aparência externa do imóvel, que se assemelha a um endereço abandonado, contrasta com a realidade de seu ocupante. De acordo com vizinhos, a residência acumula resíduos de diferentes naturezas, inclusive equipamentos eletrônicos descartados, dificultando a circulação interna. As deficiências de cuidado pessoal envolveram, recentemente, uma queda dentro do ambiente, que resultou em lesão na região do quadril. Sem familiares por perto, a recuperação ocorreu com apoio improvisado dos residentes nos arredores, que providenciaram curativos e medicação básica.
Relatos de quem conseguiu entrar no local apontam que o homem, apesar de retraído em outras ocasiões, passou a demonstrar disposição em receber ajuda, autorizando inclusive a gravação de um vídeo que registra o cenário interno. Nas imagens, ele segura um cachorro, apontado pelos denunciantes como o único companheiro constante. Segundo os moradores, o idoso manifestou desejo de que o lixo seja retirado e que sejam tomadas providências para melhorar as condições da casa.
A rede de solidariedade organizada pelo bairro tem garantido o mínimo necessário para a subsistência. Vizinhos se revezam no envio de marmitas, na entrega de medicamentos e na realização de pequenos curativos, porém afirmam que não dispõem de estrutura para promover limpeza completa, acompanhamento médico continuado nem suporte psicológico. O grupo reforça que a situação ultrapassa a capacidade de auxílio comunitário e exige intervenção pública capaz de assegurar dignidade diária ao morador.
A ausência total de parentes foi confirmada pelos próprios moradores, que dizem não ter identificado qualquer visita familiar desde que o idoso passou a viver sozinho. Eles afirmam ainda que membros da comunidade já procuraram órgãos municipais em tentativas anteriores, sem solução definitiva. Com o agravamento do quadro, o pedido agora é por ação imediata que inclua remoção de resíduos, avaliação de saúde física e mental e eventual encaminhamento a serviços especializados.
Após a denúncia, a Prefeitura de Três Lagoas divulgou nota informando que a Secretaria Municipal de Assistência Social enviou equipe técnica à residência na quarta-feira, dia 17. O grupo verificou as condições do imóvel, realizou entrevista inicial com o idoso e iniciou contato com familiares. Segundo a administração municipal, foram adotadas medidas previstas nos protocolos da pasta, voltadas à proteção social de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Entre as providências comunicadas estão o cadastramento do morador em programas de acompanhamento contínuo e a articulação com serviços de saúde para avaliação médica. A Secretaria afirma manter monitoramento do caso e declarou permanecer à disposição da comunidade para esclarecimentos adicionais. Detalhes sobre prazo de limpeza do imóvel ou eventual transferência do idoso para unidade de acolhimento não foram informados até o momento.
Enquanto aguarda definições, a vizinhança segue prestando suporte emergencial. Moradores relatam que, mesmo com a conscientização sobre riscos sanitários, mantêm visitas diárias para garantir que o idoso se alimente e tenha acesso a água potável. Alguns voluntários tentaram iniciar a remoção de parte do lixo, mas esbarraram em volume elevado de resíduos, falta de equipamentos adequados e receio de contaminação.
A situação exposta no bairro Vila Alegre chama atenção para a necessidade de políticas públicas que alcancem pessoas com transtornos mentais sem retaguarda familiar. No entendimento dos moradores, o caso do idoso de 66 anos não se resume à limpeza de um imóvel, mas envolve a oferta de cuidados regulares, acompanhamento multiprofissional e garantia de direitos previstos em lei. A comunidade aguarda novas ações do poder público, enquanto mantém mobilização para assegurar, ainda que de forma limitada, a sobrevivência e a integridade do vizinho.









