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Mulher é detida após disparar contra o marido durante briga em Campo Grande

Uma discussão familiar terminou em disparos de arma de fogo e na detenção de uma mulher de 42 anos, na noite de sexta-feira (19), em Campo Grande. O caso ocorreu por volta das 22h, em uma residência localizada na Rua Judson Tadeu Ribas, Vila Nascente, e mobilizou equipes da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e da perícia criminal.

De acordo com o registro policial, o marido, de 41 anos, foi encontrado caído dentro do imóvel. Ele estava consciente, apresentava ferimentos provocados pelos disparos e recebeu socorro inicial de um vizinho antes da chegada dos bombeiros. Na sequência, foi encaminhado à Santa Casa para atendimento médico. Seu estado de saúde não foi detalhado no boletim, mas ele permanecia lúcido no momento em que foi retirado do local.

A suspeita não estava na residência quando os policiais chegaram. Ela foi localizada em uma casa vizinha, na mesma rua, onde aguardava a chegada da viatura. Aos militares, a mulher entregou a arma utilizada, uma pistola calibre .380, acompanhada de carregador e munições. Também foi apreendido um revólver calibre .38 sem munição, que, segundo ela, pertence ao casal, porém não foi utilizado no episódio.

Na versão apresentada à polícia, a briga começou ainda dentro do carro do casal, no retorno de uma festa de casamento. A mulher relatou que o marido dirigia em velocidade acima do permitido e sob efeito de álcool. Durante o trajeto, teria iniciado agressões verbais e, posteriormente, físicas. O desentendimento prosseguiu já no interior da residência, onde o filho da suspeita, cuja idade não foi informada, tentou separar o casal. Em depoimento, o jovem confirmou que interveio para proteger a mãe.

Segundo relatou a mulher, em meio à confusão, ela enxergou risco iminente à própria integridade e à dos filhos. Nesse contexto, efetuou disparos com a pistola .380. O número exato de tiros não foi divulgado. Estojos recolhidos na cena do crime foram encaminhados para análise balística, que deverá indicar a quantidade de projéteis disparados e a trajetória dos mesmos.

A perícia criminal isolou o imóvel, realizou levantamento fotográfico, recolheu as armas, munições e demais indícios materiais. Equipes também obtiveram imagens do circuito de monitoramento da residência, que serão examinadas para esclarecer a dinâmica do confronto. Os peritos buscam confirmar em que ponto a vítima foi atingida, a distância do disparo e se houve tentativa de defesa por parte do marido.

Consta ainda no boletim que o homem possui antecedentes relacionados à violência doméstica, informação que será considerada durante a investigação conduzida pela Delegacia de Polícia Civil competente. O histórico poderá ajudar a determinar se houve eventual situação de legítima defesa ou se o caso será enquadrado como tentativa de homicídio.

Após entregar as armas, a suspeita recebeu atendimento jurídico no local e prestou esclarecimentos acompanhada de uma delegada. Ela passou por exame de corpo de delito e, até a última atualização do caso, não havia confirmação sobre a manutenção de sua prisão ou eventual liberação condicional. A decisão dependerá da análise preliminar das provas colhidas e do entendimento do plantonista responsável pelo flagrante.

A Polícia Civil prosseguirá com a coleta de depoimentos de testemunhas, entre elas vizinhos que ouviram os disparos, além de parentes e amigos que estavam na festa momentos antes do ocorrido. Os investigadores pretendem verificar o teor de possíveis mensagens trocadas entre o casal e examinar eventuais registros anteriores de atendimento policial no endereço.

Com base nos laudos periciais, nas declarações formais e nas imagens de vídeo, as autoridades buscam estabelecer a cronologia precisa dos fatos, definir se houve premeditação, legítima defesa ou excesso. A conclusão poderá resultar em indiciamento por tentativa de homicídio, lesão corporal ou arquivamento do procedimento, dependendo dos resultados obtidos.

Enquanto o inquérito segue em tramitação, as armas permanecem apreendidas e a mulher pode ser obrigada a cumprir medidas cautelares, como afastamento do lar ou monitoramento eletrônico, caso necessário. O Ministério Público será acionado após a finalização do relatório policial para avaliar as providências judiciais cabíveis.

Até o momento, não foram divulgadas informações adicionais sobre o estado clínico do homem ou previsão de alta hospitalar. A investigação continua e novas atualizações deverão ser divulgadas pelas autoridades competentes.