Search

Ministério da Saúde intensifica vigilância sobre nova variante da influenza A em Mato Grosso do Sul

O Ministério da Saúde passou a acompanhar de forma sistemática a circulação do subclado K do vírus influenza A (H3N2) em Mato Grosso do Sul, após a confirmação de casos em Campo Grande e em municípios do interior do Estado. A medida foi anunciada pelo secretário-executivo da pasta, Mozart Júlio Tabosa Sales, durante cerimônia de inauguração do Hospital Regional de Dourados.

De acordo com o gestor, uma central de monitoramento foi mobilizada em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e com a Secretaria de Vigilância em Saúde. Equipes técnicas das três esferas de governo atuam de forma integrada para coletar, analisar e divulgar informações sobre a nova variante, a fim de orientar ações de prevenção e controle. “As medidas já estão sendo tomadas na área de vigilância”, declarou Sales, ressaltando que o diálogo com estados e municípios é permanente.

O esquema de acompanhamento utiliza unidades sentinela distribuídas em diferentes regiões do país, responsáveis por identificar casos suspeitos, coletar amostras clínicas e monitorar mudanças no comportamento do vírus. Os resultados laboratoriais são consolidados em bancos de dados nacionais e compartilhados com autoridades de saúde para permitir respostas rápidas, caso surjam indícios de aumento de circulação ou de gravidade.

O alerta epidemiológico referente ao subclado K foi divulgado na sexta-feira, 19 de janeiro, pela Coordenadoria de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde de Campo Grande (CIEVS/CG). A nota técnica apresentou a análise de sete amostras coletadas recentemente em Mato Grosso do Sul; três delas tiveram resultado positivo para a nova variante genética do H3N2, indicando presença local do vírus.

Na capital sul-matogrossense, o caso confirmado envolve uma mulher de 73 anos que havia recebido a vacina contra a influenza no último ciclo de imunização. A paciente apresentou sintomas leves, como tosse e febre, procurou atendimento em uma unidade sentinela, recebeu orientações médicas e evoluiu para recuperação completa. A ausência de histórico de viagem internacional ou de contato com viajantes sugere transmissão comunitária dentro do Estado.

A investigação apontou ainda amostras positivas para o subclado K nos municípios de Nioaque e Ponta Porã, coletadas entre outubro e novembro de 2023. Até dezembro, a circulação dessa variante na América do Sul era considerada baixa. No Brasil, os primeiros registros ocorreram no Estado do Pará, seguidos pelas detecções em território sul-matogrossense, evidenciando expansão gradual do subtipo.

Segundo Mozart Sales, a identificação precoce de alterações genéticas no vírus influenza é crucial para ajustar estratégias de saúde pública. “O primeiro passo é a vigilância, o acompanhamento e a análise do comportamento do vírus. A partir disso, as medidas são definidas em conjunto”, afirmou. Entre as possíveis ações estão reforço da vacinação, ampliação de testes laboratoriais e orientações específicas a unidades de saúde.

Os sintomas associados ao subclado K não diferem dos observados na gripe sazonal tradicional. Pacientes podem apresentar febre, tosse, dor de garganta, coriza, cefaleia e calafrios. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com secreções respiratórias, por gotículas expelidas ao falar, tossir ou espirrar e por aerossóis que permanecem em suspensão em ambientes fechados e mal ventilados.

Dados preliminares analisados pelo Ministério da Saúde indicam que a vacina trivalente ou quadrivalente contra a influenza mantém proteção contra formas graves da doença, inclusive provocadas pelo subclado K, sobretudo em grupos de maior risco, como idosos, crianças, gestantes, puérperas e pessoas com comorbidades. A recomendação oficial é manter o esquema vacinal atualizado e procurar atendimento médico ao surgirem sintomas respiratórios, de modo a receber diagnóstico adequado e reduzir a propagação do vírus.