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Hospital Regional de Dourados inicia atividades com 100 leitos, 60 cirurgias e custeio assegurado

O Hospital Regional de Dourados Olga Castoldi Parizotto foi oficialmente inaugurado no sábado, 20 de abril, data em que o município completou 90 anos. A unidade, situada às margens da BR-463, começou a funcionar antes da cerimônia oficial e já realizou cerca de 60 cirurgias desde a abertura operacional na segunda-feira, 15 de abril.

Com 100 leitos ativos, o hospital foi projetado para reduzir filas de média e alta complexidade dos 34 municípios do Cone Sul de Mato Grosso do Sul, região que concentra aproximadamente 900 mil habitantes. A estrutura inicial compreende 59 leitos de internação, 20 de UTI ─ divididos igualmente entre adultos e crianças ─ e 21 leitos de cuidados imediatos. Quatro salas cirúrgicas dão suporte a procedimentos em ortopedia, cirurgia geral, ginecologia, urologia, vascular e aparelho digestivo.

O governador Eduardo Riedel destacou, durante a inauguração, que o financiamento da unidade seguirá um modelo tripartite. Segundo ele, Estado, prefeituras e Ministério da Saúde assumiram compromisso permanente de custeio, considerado fundamental para manter o hospital em plena capacidade. “Pode ter certeza que não faltarão recursos para conduzir essa estratégia”, afirmou. Riedel condicionou o ato inaugural ao funcionamento prévio do serviço, ressaltando que a execução de quase 60 cirurgias na semana de abertura demonstra a efetividade do novo equipamento de saúde.

Conforme estimativa da diretora-geral, Andreia Alcântara, a instituição tem condição técnica para realizar mais de 1.060 cirurgias eletivas por mês. A prioridade imediata recai sobre pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente nas especialidades com maior demanda reprimida, como ortopedia e cirurgia geral. “Abrimos o hospital com todos os leitos em funcionamento”, pontuou a gestora.

O acesso aos serviços será regulado pela Central Estadual em parceria com as secretarias municipais. Não haverá atendimento de porta aberta; o paciente precisará ser encaminhado por unidades de pronto atendimento ou hospitais de menor complexidade. O secretário estadual de Saúde, Maurício Simões Corrêa, explicou que o modelo de regulação busca distribuir os casos de acordo com a gravidade e a disponibilidade de vagas, evitando sobrecarga e garantindo melhor uso dos recursos.

Representando o Ministério da Saúde, o secretário executivo Mozart Júlio Tabosa Sales confirmou a participação federal no financiamento anual, estimado em mais de R$ 100 milhões. Ele comparou o hospital a um veículo de alta performance que necessita de manutenção contínua, reforçando que a União atuará de forma solidária para assegurar o funcionamento integral da estrutura.

Além do aporte financeiro, o governo federal planeja enviar equipamentos por meio dos programas Pronas (Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica) e Pronon (Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência). Também foi anunciada a criação de residências médicas em cardiologia, ortopedia e anestesiologia, transformando a unidade em polo de capacitação profissional para a Grande Dourados.

A expansão do complexo hospitalar já possui cronograma. Para 2026, está prevista a ampliação para 192 leitos, com a instalação de serviço de hemodinâmica e a abertura de uma quinta sala cirúrgica. Segundo a direção, o planejamento de crescimento busca acompanhar a demanda regional e reduzir a necessidade de encaminhamento de pacientes para outros centros do estado ou fora dele.

O investimento em infraestrutura e custeio objetiva desafogar hospitais de Campo Grande e acelerar atendimentos de alta complexidade nas cidades do Cone Sul. A expectativa das autoridades estaduais é que a oferta de leitos de UTI pediátrica e adulta, aliada à capacidade cirúrgica, diminua o tempo de espera por procedimentos e melhore indicadores de saúde pública na região.

No primeiro ciclo de funcionamento, a gestão do hospital monitora indicadores como taxa de ocupação, tempo de internação e volume de cirurgias realizadas, fatores que balizarão ajustes operacionais e estratégias de expansão. A parceria entre entes federativos foi apontada pelos gestores como elemento essencial para garantir sustentabilidade financeira e assistência continuada à população.

Com portas oficialmente abertas, o Hospital Regional de Dourados já integra a rede estadual de atenção à saúde, oferecendo serviços de média e alta complexidade e fortalecendo a assistência hospitalar no sul de Mato Grosso do Sul.