O verão no hemisfério Sul começa oficialmente neste domingo, 21 de dezembro de 2026, e as projeções para Mato Grosso do Sul indicam a manutenção do padrão climático típico da estação. O Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) prevê calor intenso, pancadas de chuva concentradas em curtos períodos e variações na quantidade de precipitação ao longo dos próximos três meses.
De acordo com os modelos analisados pelo órgão estadual, as temperaturas tendem a se manter próximas ou ligeiramente acima da média histórica entre janeiro e março. Na maior parte do território sul-mato-grossense, as médias devem oscilar de 24 °C a 26 °C. As regiões norte e nordeste apresentam probabilidade maior de registros elevados, podendo alcançar valores entre 26 °C e 28 °C. No extremo sul, os termômetros devem apontar índices mais amenos, situando-se entre 22 °C e 24 °C.
A tendência de calor acima da média está associada à disponibilidade de umidade na atmosfera, que favorecerá a ocorrência de pancadas de chuva típicas de verão. Esses eventos, embora frequentes, costumam ser pontuais e de curta duração, gerando períodos alternados de tempo seco e instabilidade. Quando ocorrem, as precipitações podem vir acompanhadas de descargas elétricas e rajadas de vento, aumentando o risco de temporais localizados.
Distribuição das chuvas
Para o trimestre que abrange janeiro, fevereiro e março, o volume de chuva esperado varia de 400 a 600 milímetros na maior parte do estado. No extremo nordeste, o acumulado pode atingir entre 500 e 700 milímetros. Mesmo com esses totais, os especialistas alertam que a distribuição não será uniforme: podem ocorrer intervalos de estiagem seguidos de episódios de chuva intensa, mantendo a oscilação em torno da média climatológica.
A presença de umidade favorece a formação de áreas de instabilidade, mas a irregularidade na ocorrência dos eventos faz com que parte da precipitação se concentre em poucos dias. Esse comportamento aumenta a possibilidade de alagamentos pontuais, especialmente em centros urbanos, ao mesmo tempo em que algumas localidades podem registrar déficit hídrico temporário entre um episódio e outro.
Influência do ENOS
As análises do Cemtec apontam alta probabilidade de neutralidade do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS) durante todo o período. A fase neutra indica ausência de aquecimento ou resfriamento significativo das águas do Pacífico equatorial, reduzindo a influência direta do sistema sobre o clima regional. Nessas situações, o comportamento das chuvas e das temperaturas no estado tende a responder mais a condições atmosféricas locais e ao padrão típico de verão.
Embora a neutralidade do ENOS limite a interferência de grandes anomalias oceânicas, não elimina a possibilidade de variações bruscas no tempo. A combinação entre calor, umidade elevada e dinâmica atmosférica regional pode provocar tempestades severas, sobretudo durante a tarde e o início da noite, quando o aquecimento diurno atinge seu pico.
Implicações para a população e setores produtivos
A expectativa de temperaturas acima da média, associada à irregularidade das chuvas, exige atenção especial da população. Em áreas urbanas, é recomendável redobrar cuidados em relação à exposição prolongada ao sol e manter hidratação adequada. O risco de tempestades com ventos fortes e descargas elétricas demanda cautela extra em atividades ao ar livre.
No meio rural, a alternância entre períodos chuvosos e intervalos de estiagem pode impactar o manejo agrícola. Produtores devem planejar plantio, irrigação e aplicação de insumos considerando a possibilidade de excesso de chuva em curtos espaços de tempo, o que pode prejudicar talhões recém-semeados ou provocar erosão. Ao mesmo tempo, possíveis lapsos de precipitação podem exigir estratégias de retenção de umidade no solo.
Resumo das projeções
Em síntese, o próximo verão em Mato Grosso do Sul apresenta quatro pontos principais:
- Temperaturas médias entre 24 °C e 26 °C na maior parte do estado, chegando a 28 °C em áreas do norte e nordeste.
- Registros mais amenos, de 22 °C a 24 °C, no extremo sul.
- Volume de chuva entre 400 e 600 milímetros na maior parte do território, podendo alcançar 700 milímetros no nordeste.
- Alta probabilidade de neutralidade do fenômeno ENOS, limitando influências externas e mantendo o padrão climático local.
O monitoramento contínuo das condições atmosféricas permanece essencial para a emissão de alertas tempestivos. O Cemtec reforça que as previsões de médio prazo são atualizadas regularmente e podem sofrer ajustes conforme novos dados se tornam disponíveis.









