A MSGÁS delineou um conjunto de ações para assegurar a oferta de gás natural e ampliar a participação do biometano em Mato Grosso do Sul após um ano marcado pela abertura do mercado livre e pela redução do volume importado da Bolívia. A concessionária encerrou 2025 com cerca de 550 km de rede, 27 mil clientes ativos e planos de investimento que incluem dois novos gasodutos, reforço de caixa via captação de recursos e iniciativas ligadas à transição energética.
Expansão da malha e novos clientes
Entre janeiro e dezembro de 2025, a companhia acrescentou praticamente 50 km à malha existente em Campo Grande, Três Lagoas e Corumbá. O segmento corumbaense soma 30 km já instalados e aguarda a conexão ao sistema principal. O avanço anual permitiu elevar o total de usuários de cerca de 10 mil, dez anos atrás, para 27 mil. A meta para 2026 é ultrapassar a marca de 30 mil consumidores, mantendo o ritmo de expansão entre 40 km e 50 km de rede por ano.
Efeito da queda no gás boliviano
A oferta reduzida do Gasoduto Bolívia-Brasil pressionou a arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), já que o tributo é recolhido no estado sede do importador. Hoje, o Brasil recebe em torno de 13 milhões de metros cúbicos diários da Bolívia, menos da metade dos 30 milhões registrados no início dos anos 2000. Para mitigar perdas, o governo estadual vem estimulando a instalação de comercializadoras, a fim de manter parte do imposto na unidade federativa. A MSGÁS não depende de repasses públicos; a empresa cobre custos operacionais com receita própria e distribui dividendos ao Tesouro estadual.
Gasoduto para Inocência e estudos para Bataguassu
O próximo ciclo de obras começa em janeiro de 2026, quando está prevista a construção de um gasoduto de 125 km entre Três Lagoas e Inocência. A estrutura deverá entrar em operação até julho de 2027, fornecendo gás à nova fábrica de celulose da Arauco. O investimento estimado gira em torno de R$ 200 milhões.
Paralelamente, a concessionária avalia a viabilidade de um trecho de aproximadamente 120 km até Bataguassu para atender a Bracell, empreendimento ainda sem cronograma fechado. Outro projeto em fase inicial contempla a instalação de cerca de 30 km de rede no município de Dourados, com foco em clientes industriais e na potencial injeção de biometano, abundante na região.
Biometano como vetor de descarbonização
A equivalência química entre gás natural e biometano permite o uso do mesmo sistema de distribuição. A companhia vê oportunidade de atender empresas exportadoras interessadas em reduzir a pegada de carbono e, desse modo, ampliar a participação de fontes renováveis na matriz estadual. O biometano também integra as metas de descarbonização de frotas previstas pelo governo sul-mato-grossense até 2030.
Mercado livre de gás avança
Com a regulamentação nacional do mercado livre em 2025, indústrias locais já manifestaram interesse em migrar para o novo modelo, que permite a compra direta de fornecedores. A expectativa da MSGÁS é que esse segmento, hoje residual, represente quase 90 % do volume distribuído em 2026. A empresa trabalha na adaptação de processos internos e na negociação de contratos para atender às exigências de contratação, medição e balanceamento típicas do ambiente competitivo.
Autorização para importar da Argentina
Para diversificar fontes, a MSGÁS obteve autorização federal que lhe permite importar até 150 mil metros cúbicos de gás por dia da Argentina. O trâmite administrativo levou cerca de cinco meses e foi concluído sem que houvesse uma operação específica em vista. O objetivo é eliminar a etapa burocrática e estar apta a aproveitar oportunidades comerciais que possam surgir a partir de 2026.
Ajuste do limite de endividamento
A Assembleia Legislativa aprovou a elevação do teto de endividamento da concessionária de R$ 70 milhões para R$ 350 milhões, valor que, segundo a direção, corresponde a uma correção inflacionária do limite anterior. A empresa, que apresenta baixo índice de alavancagem, planeja captar cerca de R$ 100 milhões via Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste, uma das linhas com menor custo do mercado. Dependendo do avanço dos projetos de Bataguassu e Dourados, novos financiamentos podem ser buscados a partir de 2027.
Prioridades para 2026
Os eixos estratégicos para o próximo ano concentram-se na consolidação do mercado livre, na expansão do biometano e na contribuição para a descarbonização dos transportes. Esses projetos, aliados à construção de novos dutos e à diversificação das fontes de suprimento, compõem a agenda da MSGÁS para sustentar o crescimento da demanda industrial, comercial e veicular em Mato Grosso do Sul.









