O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) divulgou o balanço de 2025 com números que refletem a atuação institucional em frentes que vão do enfrentamento à corrupção ao monitoramento ambiental. O relatório aponta 4.048 ações civis e penais propostas ao longo do ano, além de 30.182 denúncias encaminhadas ao Judiciário. As estatísticas reúnem ainda 107 prisões efetuadas em operações ligadas a organizações criminosas e esquemas de desvio de recursos públicos.
No campo específico do combate à corrupção, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) conduziu investigações que identificaram prejuízos superiores a R$ 66 milhões aos cofres estaduais e municipais. Para reunir provas, os promotores contaram com 180 mandados de busca e apreensão cumpridos em 13 cidades sul-mato-grossenses. As apurações resultaram na apresentação de denúncias e no bloqueio de bens de investigados.
A mesma força-tarefa coordenou 19 operações focadas em grupos de alta complexidade ligados ao crime organizado. Durante essas ações, foram expedidos 370 mandados de busca e apreensão que, aliados ao trabalho de inteligência, culminaram nas 107 prisões registradas no ano. Segundo o MPMS, a ofensiva atingiu principalmente estruturas envolvidas em lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e corrupção.
A área de tecnologia teve participação decisiva nessas investigações. O Centro de Pesquisa, Análise, Difusão e Segurança da Informação (CI) colocou à disposição dos promotores um banco com mais de 400 mil registros, cruzados para acelerar a produção de provas e aprimorar a análise de dados financeiros, telefônicos e patrimoniais. A integração das informações reduziu o tempo de resposta em procedimentos considerados sensíveis.
Na esfera da segurança pública, o órgão promoveu uma força-tarefa destinada a agilizar o trâmite de boletins de ocorrência de violência doméstica. A iniciativa envolveu digitalização de documentos, gravação de interrogatórios e coleta de depoimentos em formato audiovisual, estratégia que, segundo o MPMS, contribuiu para reduzir a morosidade e ampliar a proteção às vítimas.
A atuação voltada para saúde e políticas sociais registrou avanços por meio do Centro de Autocomposição (Compor). A unidade intermediou acordos que asseguraram R$ 15,3 milhões em benefícios à população. Entre os casos de maior repercussão, está a mediação junto à Santa Casa de Campo Grande, que resultou em um plano emergencial destinado à manutenção do atendimento hospitalar, ameaçado por dificuldades financeiras.
No enfrentamento à violência contra a mulher, o sistema Alerta Lilás reforçou o monitoramento de agressores reincidentes. O programa gerou 19.214 alertas automáticos após atualização de protocolos internos motivada por ocorrências de grande visibilidade. As informações subsidiaram a adoção de medidas protetivas e a fiscalização do cumprimento de determinações judiciais.
O MPMS também manteve a agenda ambiental como prioridade. Programas de monitoramento monitoraram 71 mil hectares para coibir desmatamento ilegal, inclusive na região do Pantanal, por meio da iniciativa Pantanal em Alerta. A estratégia combinou imagens de satélite, sobrevoos e articulação com órgãos de fiscalização estaduais e federais.
Em termos de impacto social, a campanha “Declare Seu Carinho” arrecadou R$ 6 milhões destinados a projetos voltados à infância e à adolescência. Outro destaque foi a doação de 350 celulares apreendidos em processos criminais para a rede pública de ensino, com finalidade pedagógica. A medida busca ampliar o acesso de estudantes a recursos digitais.
O canal direto com a sociedade também foi ampliado. A Ouvidoria do MPMS registrou 5.018 manifestações, entre denúncias, reclamações e pedidos de informação. Esses registros serviram de base para novos inquéritos e orientaram a definição de prioridades em áreas como saúde pública, transporte e fornecimento de água.
Ao apresentar os resultados, o procurador-geral de Justiça, Romão Avila Milhan Junior, destacou a importância da imprensa livre para o trabalho ministerial, afirmando que reportagens continuam a impulsionar apurações de irregularidades em serviços essenciais.
Para 2026, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul informou que pretende ampliar o uso de ferramentas tecnológicas, fortalecer parcerias com órgãos de controle e manter o foco em ações de grande abrangência, com atenção especial a violência doméstica, saúde e proteção ambiental.









