Uma fiscalização do Batalhão de Polícia Militar Rodoviária (BPMRv) resultou na apreensão de mercadorias avaliadas em mais de R$ 223 mil na tarde de sábado, 20 de abril, na rodovia MS-164, quilômetro 105, em Ponta Porã, região de fronteira com o Paraguai. Durante a operação, policiais da Base Operacional de Aquidabã abordaram um veículo de passeio que transportava diversos itens de origem estrangeira sem comprovação de importação legal.
De acordo com o relatório da corporação, a vistoria revelou grande quantidade de produtos dos segmentos de perfumaria, farmácia, informática e mecânica. Entre as mercadorias, chamaram a atenção 175 canetas classificadas como emagrecedoras, distribuídas em diferentes marcas e dosagens. Os números detalhados apontam 32 unidades de TG 15 mg, 115 unidades de Lipoless 15 mg, 25 unidades de Tirzec 15 mg, uma unidade de Lipoless 10 mg, uma unidade de Lipoless 5 mg e duas unidades de Retatrutide Loss.
Segundo a Polícia Militar, o valor total dos produtos apreendidos foi estimado em R$ 142.060,00. O automóvel utilizado para o transporte foi avaliado em R$ 80.500,00, elevando o prejuízo calculado para as atividades ilícitas a R$ 223.100,00. Todo o material, o veículo e os ocupantes foram encaminhados à Delegacia da Polícia Federal para a adoção dos procedimentos cabíveis.
A ação ocorreu durante blitz rotineira voltada ao combate de crimes transfronteiriços. O trecho da MS-164 onde a abordagem foi realizada liga Ponta Porã a outras cidades do sul de Mato Grosso do Sul e é considerado corredor estratégico para o escoamento de mercadorias contrabandeadas. A presença de diferentes categorias de produtos no mesmo automóvel reforça a suspeita de que se tratava de transporte irregular planejado para abastecer o mercado clandestino em território brasileiro.
As chamadas “canetas emagrecedoras” têm sido alvo de apreensões frequentes nas estradas da região. Commercializadas como dispositivos de aplicação subcutânea de medicamentos para controle de peso, essas canetas exigem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para importação e venda no país. Quando ingressam sem registro ou sem o devido trâmite aduaneiro, são classificadas como produtos de origem suspeita, passíveis de apreensão e destruição.
Além das canetas, os policiais listaram artigos de perfumaria e cosméticos, componentes eletrônicos, itens de informática e peças mecânicas automotivas. A diversidade indica o emprego de compartimentos do veículo para acomodar cargas de formatos distintos, prática comum entre contrabandistas para diluir o risco de perda em caso de fiscalização.
Os envolvidos, cujas identidades não foram divulgadas, responderão por crimes de contrabando e descaminho com base na legislação federal. Dependendo da análise da Polícia Federal e do Ministério Público, também poderão ser enquadrados em delitos relacionados à saúde pública, devido ao transporte de medicamentos sem licença.
O BPMRv informou que operações semelhantes continuarão ao longo de todo o corredor fronteiriço, com foco na apreensão de produtos irregulares e no bloqueio de rotas alternativas utilizadas por organizações criminosas. Em nota, a unidade destacou que a cooperação com a Polícia Federal é fundamental para garantir o encaminhamento jurídico adequado dos casos.
Embora o valor financeiro das mercadorias seja expressivo, autoridades ressaltam que o impacto ao crime organizado vai além da soma estimada. A retirada de itens não registrados do mercado visa reduzir riscos à saúde dos consumidores e enfraquecer redes responsáveis por importação clandestina, lavagem de dinheiro e evasão fiscal.
Após os trâmites iniciais de apresentação dos materiais e dos suspeitos, a Delegacia da Polícia Federal de Ponta Porã deverá instaurar inquérito para verificar a origem exata dos produtos, o envolvimento de terceiros e a possível existência de remessas anteriores. O automóvel permanecerá retido até decisão judicial.
A apreensão de sábado integra um conjunto de ações intensificadas desde o início do ano, quando foram registradas várias ocorrências semelhantes na mesma rodovia. Dados preliminares do BPMRv indicam aumento na circulação de canetas emagrecedoras de origem estrangeira, produto que se tornou alvo preferencial de contrabandistas pela alta demanda no mercado brasileiro.
Com a conclusão dos procedimentos policiais, as autoridades reforçam que cidadãos flagrados transportando mercadorias sem nota fiscal ou sem autorização sanitária podem sofrer sanções que incluem multa, perda dos produtos e processo criminal. Operações de fiscalização seguirão em pontos considerados estratégicos da malha viária sul-mato-grossense.









