O Governo de Mato Grosso do Sul formalizou, em 3 de abril de 2025, o repasse de R$ 25 milhões para a Santa Casa de Campo Grande, vinculando a transferência de recursos a uma reestruturação administrativa no hospital. O compromisso foi firmado durante reunião que reuniu representantes estaduais, municipais, parlamentares e a direção da instituição, quando o governador Eduardo Riedel destacou que o aporte só faria sentido acompanhado de ajustes no modelo de gestão.
Segundo o governador, o valor disponibilizado surgiu a partir de emendas da bancada federal, mas a liberação foi condicionada a mudanças internas que reduzam a recorrência de crises financeiras na unidade. Riedel afirmou que “é necessária uma mudança estrutural” para que novos pedidos de auxílio emergencial não se repitam a cada poucos meses.
O montante de R$ 25 milhões foi organizado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) em três parcelas de aproximadamente R$ 8,3 milhões. A previsão de pagamento estabeleceu desembolsos entre 20 de abril e o final de junho de 2025. Os repasses saíram do Fundo Estadual de Saúde, exigindo remanejamento de projetos originalmente previstos no orçamento para viabilizar a transferência.
De acordo com a SES, o objetivo imediato foi recompor estoques de materiais e medicamentos, além de liberar prestações de serviços que enfrentavam restrições por falta de insumos. O secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, relatou que a pasta monitorava a situação da Santa Casa havia vários meses e vinha lançando mão de ações extraordinárias para evitar interrupção de atendimentos.
O histórico recente de contribuições estaduais foi usado como argumento para reforçar a cobrança por eficiência administrativa. Em 2024, um convênio de R$ 15 milhões, igualmente pago em três parcelas, já havia sido destinado ao hospital. No mesmo ano, a instituição recebeu mais R$ 9 milhões para cobrir o pagamento do décimo terceiro salário dos funcionários, despesa que não constava do contrato formal entre Santa Casa e governo.
Somados, os valores de fim de 2024 e início de 2025 ultrapassam R$ 49 milhões, panorama que o Executivo estadual apresentou como prova de que os repasses têm aumentado, enquanto a crise persiste. O governo também destacou que, anualmente, o sistema de saúde de Campo Grande recebe mais de R$ 1 bilhão em recursos estaduais, reforçando a exigência de planejamento financeiro e previsibilidade na gestão hospitalar.
Durante o encontro de 3 de abril, a presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, afirmou que o recurso proporcionaria alívio temporário e permitiria a manutenção dos serviços. Ela reconheceu, no entanto, que a administração precisaria se adequar às condições impostas pelo Estado para garantir a continuidade do apoio financeiro.
A reunião contou com a presença da coordenadora da bancada federal, senadora Soraya Thronicke, do senador Nelsinho Trad, dos deputados federais Luiz Ovando, Geraldo Resende e Beto Pereira, além do presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro, e do presidente da Câmara Municipal, vereador Papy. Também participaram a secretária municipal de Saúde, Rosana Leite, e a prefeita Adriane Lopes.
Durante as discussões, parlamentares e representantes do Executivo enfatizaram a necessidade de definir indicadores claros de desempenho para o hospital. A proposta é vincular futuros aportes ao cumprimento de metas de eficiência, transparência e redução de custos operacionais, evitando o que identificam como ciclo de colapsos financeiros sucessivos.
Com o acordo firmado, o governo estadual acompanha a aplicação dos recursos por meio de relatórios periódicos encaminhados pela Santa Casa à Secretaria de Saúde. Caso os prazos de entrega de informações ou metas de reorganização não sejam cumpridos, o Executivo sinalizou que poderá rever o fluxo de novos repasses.
A direção do hospital informou que a verba recebida entre abril e junho será aplicada prioritariamente na aquisição de medicamentos, reposição de materiais cirúrgicos e regularização de contratos com fornecedores. Internamente, comprometeu-se a revisar processos administrativos, renegociar dívidas e adotar mecanismos de controle de gastos para se adequar às exigências impostas pelo Estado.
O acordo firmado em abril tornou-se a principal aposta do governo para estabilizar o atendimento na Santa Casa de Campo Grande no curto prazo, ao mesmo tempo em que estabelece, pela primeira vez, condição explícita de reestruturação do modelo de gestão em troca de repasses significativos. O Executivo estadual sustenta que a medida é indispensável para impedir novas solicitações emergenciais e garantir que o fluxo de recursos resulte em ganhos efetivos para pacientes e profissionais.









