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Quatro meses após a festa de inauguração, Vila dos Idosos continua vazia em Campo Grande

Quatro meses depois da cerimônia de inauguração, a Vila dos Idosos, empreendimento de locação social direcionado a pessoas acima de 60 anos na área central de Campo Grande, permanece fechada e sem data para receber moradores. O evento que marcou a entrega simbólica dos 40 apartamentos ocorreu em 29 de agosto, durante as comemorações pelos 126 anos da capital sul-mato-grossense. Na ocasião, os futuros inquilinos foram sorteados, mas continuam à espera da liberação das chaves.

A inauguração contou com a presença da prefeita Adriane Lopes, do deputado estadual Lídio Lopes e de outras autoridades municipais. Durante o ato, o diretor-presidente da Agência Municipal de Habitação (Emha), Cláudio Marques Costa Júnior, informou que os apartamentos e as dez salas comerciais anexas estariam prontos para uso até o fim de 2025, após ajustes técnicos e burocráticos. Entretanto, mesmo com o ano de 2023 próximo do encerramento, o condomínio segue inacabado.

A construção foi iniciada em junho de 2022, ainda na gestão do ex-prefeito Marquinhos Trad. O investimento originalmente previsto era de R$ 7 milhões, mas o custo final alcançou aproximadamente R$ 15 milhões, ultrapassando em mais do dobro o orçamento estimado. O cronograma inicial apontava conclusão em 24 meses, projeção que indicava junho de 2024; passados 18 meses do início das obras, o canteiro segue sem conclusão e já acumula 42 meses desde a concepção do projeto, segundo a própria prefeitura.

Cada um dos 40 apartamentos possui 34 m² de área privativa. O modelo operacional estabelece aluguel social de R$ 155,00 por mês para os contemplados, valor informado durante a inauguração. Para reforçar a sustentabilidade financeira do condomínio, dez pontos comerciais foram planejados para receber serviços como padaria, farmácia e conveniência. A previsão da Emha é arrecadar cerca de R$ 20 mil mensais com a locação desses espaços e aplicar o montante na manutenção do conjunto.

Pelo regulamento, os beneficiários podem permanecer no imóvel enquanto atenderem aos requisitos definidos pela administração municipal, que incluem renda de até três salários mínimos, inexistência de propriedade em seu nome e cadastro ativo na Emha. A ocupação não gera direito de posse nem permite transferência a herdeiros. Na noite do sorteio, além dos 40 titulares, foi criada lista de suplentes com outros 40 nomes. A autarquia também registra mais de mil pessoas interessadas no programa.

O processo seletivo atraiu 1.144 inscrições de idosos, das quais 212 foram desclassificadas por não preencherem todos os critérios. Assim, 932 candidatos participaram do sorteio, resultando em concorrência aproximada de 23 inscritos por vaga. Apesar da grande procura, a indefinição sobre a entrega dos apartamentos tem gerado frustração entre sorteados e familiares, que cobram respostas sobre o cronograma de conclusão.

Mesmo com o atraso, a iniciativa recebeu reconhecimento nacional. Em setembro, durante o 72º Fórum Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS), realizado em João Pessoa, a prefeita Adriane Lopes e o diretor da Emha foram agraciados com o Selo Mérito 2025 nas categorias “Atendimento Habitacional de Grupos Sociais com Necessidades Específicas” e “Regularização Fundiária e Edilícia”. O prêmio destacou a proposta de oferecer moradia adaptada a idosos de baixa renda, bem como outros projetos habitacionais do município.

No entanto, o reconhecimento não trouxe, até o momento, definições práticas sobre a data de entrega. Questionada em diferentes ocasiões desde a inauguração, a administração municipal limita-se a afirmar que ainda realiza ajustes estruturais e procedimentos legais necessários para o funcionamento pleno do condomínio, sem detalhar prazos.

A Vila dos Idosos está localizada em terreno próximo a serviços de saúde, transporte público e comércio central, fatores apontados pela prefeitura como diferenciais para a autonomia dos futuros moradores. A estrutura inclui elevadores, corrimãos, piso antiderrapante e áreas de convivência planejadas para reduzir riscos de acidentes e promover interação social entre os residentes.

Enquanto a obra não é concluída, os 40 apartamentos permanecem fechados, e as salas comerciais seguem sem inquilinos. Os idosos contemplados aguardam convocação oficial para assinatura dos contratos de locação. Até que a prefeitura apresente um calendário definitivo, o principal projeto de habitação social para a terceira idade em Campo Grande continua sem data de início efetivo, mantendo em suspenso as expectativas de quem espera por uma solução habitacional na fase final da vida.