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Três Lagoas constrói CAPS Infantojuvenil para ampliar atendimento em saúde mental

Três Lagoas, no interior de Mato Grosso do Sul, está implantando um novo Centro de Atenção Psicossocial voltado a crianças e adolescentes. A unidade, classificada como CAPS J, encontra-se em construção na rua Eurídice Chagas Cruz, no bairro Jardim Alvorada, e tem como meta aumentar a capacidade de atendimento em saúde mental para o público infantojuvenil do município.

A obra é executada pela empresa Moraes & Ferreira Incorporação Imobiliária Ltda., com investimento de R$ 2.128.819,91. Os recursos são provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) do Ministério da Saúde. A conclusão do empreendimento permitirá a concentração, em um único espaço, de serviços de psicologia, psiquiatria e acompanhamento multiprofissional específicos para a faixa etária de zero a 18 anos.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o projeto responde a uma demanda que vem crescendo de forma consistente. A procura por consultas e terapias voltadas a crianças e adolescentes aumentou nos últimos anos, gerando filas represadas. A construção do CAPS J foi planejada para reduzir esses gargalos, proporcionando atendimento contínuo e acompanhamento especializado em um ambiente adaptado às necessidades desse público.

Além de consultas regulares, a nova estrutura abrigará programas direcionados a pacientes neurodivergentes, como aqueles diagnosticados com transtorno do espectro autista, atualmente atendidos em espaços dispersos. A gestão municipal avalia que a integração de serviços no mesmo endereço facilitará o acesso das famílias e otimizará o trabalho das equipes.

Em 2025, a Secretaria de Saúde realizou quatro mutirões de psicologia infantil, reavaliando aproximadamente mil crianças e adolescentes. Parte desse grupo recebeu alta, enquanto outra parte foi classificada como prioritária para acompanhamento prolongado. O levantamento reforçou a necessidade de uma unidade exclusiva, com profissionais capacitados para abordagens terapêuticas compatíveis com a fase de desenvolvimento dos pacientes.

O CAPS J funcionará com equipes multiprofissionais formadas por psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, assistentes sociais e educadores físicos, entre outros. Fluxos internos serão organizados para garantir triagem rápida, consultas de referência, atividades em grupo e visitas domiciliares, quando necessárias. A expectativa é que a metodologia favoreça o estabelecimento de vínculos terapêuticos e a continuidade do cuidado.

Embora a prioridade seja a população infantojuvenil, o município planeja ampliar a cobertura de saúde mental para todas as faixas etárias. A Secretaria de Saúde estuda a transformação do atual CAPS II em CAPS III, o que possibilitaria oferta de serviço 24 horas para pacientes em crise aguda ou em sofrimento mental grave. O objetivo é diminuir o tempo de permanência na Unidade de Pronto Atendimento, considerada inadequada para internações prolongadas nessa área.

O fortalecimento da rede de saúde mental faz parte de um conjunto mais amplo de ações previsto para o próximo ano. A gestão municipal também planeja reformar unidades já existentes, expandir o uso da telemedicina e investir em soluções de saúde digital para agilizar marcações de consultas e compartilhamento de prontuários entre profissionais. Essas iniciativas, segundo a pasta, devem contribuir para maior resolutividade dos casos e redução do tempo de espera.

A instalação do CAPS J atende às diretrizes nacionais de atenção psicossocial, que priorizam o atendimento territorializado e comunitário. A unidade funcionará como porta de entrada para cuidados especializados, articulando-se com escolas, serviços de assistência social, hospitais e demais dispositivos do Sistema Único de Saúde. A previsão é que o espaço, após inaugurado, opere em regime de atendimento diurno, com possibilidade de acolhimento inicial em situações de emergência.

No aspecto orçamentário, o investimento de pouco mais de R$ 2,1 milhões contempla a construção civil, aquisição de mobiliário, equipamentos clínicos e tecnológicos. A escolha do Jardim Alvorada considerou critérios de acessibilidade e distribuição geográfica, buscando facilitar o deslocamento de moradores de diferentes regiões da cidade.

A Secretaria de Saúde estima que o início das atividades no novo CAPS J resultará em filas menores, melhor acolhimento e integração de serviços, consolidando uma assistência mais humanizada e contínua. Com a ampliação da rede, Três Lagoas pretende assegurar que crianças e adolescentes em sofrimento psíquico recebam acompanhamento adequado, reduzindo complicações futuras e garantindo maior qualidade de vida às famílias atendidas.