No período em que a solidariedade costuma ganhar destaque, um serviço voluntário localizado em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, consolida-se como referência para quem precisa permanecer na cidade durante tratamentos médicos. Trata-se da Casa de Apoio mantida pela vereadora Sirlene dos Santos, criada para receber familiares de pacientes internados nos hospitais do município que não dispõem de recursos para hospedagem.
A iniciativa, que funciona desde 1º de outubro de 2015, surgiu da experiência pessoal e profissional da parlamentar na área da saúde e também de valores aprendidos na infância, no Distrito de Arapuá. Embora Sirlene exerça mandato na Câmara Municipal, ela afirma que o projeto não está vinculado à atuação política nem integra políticas públicas. Segundo a organização, mais de mil pessoas já passaram pelo local ao longo dos quase dez anos de funcionamento.
Localizada em bairro próximo ao complexo hospitalar da cidade, a casa oferece o essencial para dar suporte a quem acompanha tratamentos prolongados. O imóvel dispõe de camas, espaço para banho, cozinha com refeições simples, área para lavanderia e ambiente de convivência. A capacidade oficial é de até sete hóspedes, mas o número pode ser ampliado conforme a demanda. Os usuários permanecem pelo tempo necessário, até que o paciente receba alta.
O público atendido é diversificado. Chegam ao local mães de recém-nascidos internados na UTI neonatal, parentes de pacientes em unidades de terapia intensiva e famílias provenientes de distritos, fazendas vizinhas e outros municípios que buscam atendimento em Três Lagoas. Sem alternativa, muitas dessas pessoas ficariam em poltronas de hospital ou arcariam com custos de hotéis, despesas inviáveis para boa parte delas.
Além do acolhimento material, o espaço também oferece suporte emocional. Uma vez por semana, um grupo de oração se reúne na residência para compartilhar mensagens de fé e palavras de incentivo com os hóspedes. De acordo com a equipe, esse momento tem ajudado a fortalecer quem enfrenta a rotina de cuidados intensivos e a incerteza sobre a recuperação dos parentes.
O funcionamento diário depende de uma rede de apoio formada pela família da vereadora, colaboradores voluntários e assessores parlamentares que se revezam no atendimento. Esses voluntários recebem os novos hóspedes, orientam sobre regras de convivência, cuidam da limpeza e providenciam mantimentos. Doações de alimentos, produtos de higiene e roupas de cama complementam os recursos necessários para manter o serviço.
Sirlene dos Santos reforça que a casa não exerce papel de campanha nem tem caráter eleitoral. Ela observa que grande parte dos acolhidos sequer é eleitora de Três Lagoas, pois muitos vêm de cidades vizinhas exclusivamente para acompanhar parentes internados. A vereadora acrescenta que encontrou motivação para dar continuidade ao projeto mesmo após sofrer um aneurisma cerebral, episódio que a fez repensar a importância de oferecer amparo em momentos de vulnerabilidade.
Durante a semana que antecede o Natal, o trabalho ganha visibilidade por refletir valores associados à data, como partilha e cuidado com o próximo. Entretanto, a casa mantém portas abertas durante todo o ano, sete dias por semana, independentemente de feriados ou do período legislativo. Segundo os organizadores, a procura costuma aumentar em épocas de alta demanda hospitalar, especialmente nos meses mais chuvosos, quando há crescimento de internações ligadas a doenças respiratórias.
A manutenção do serviço exige planejamento para atender picos de ocupação. Quando o número de hóspedes ultrapassa a lotação original, colchões extras são distribuídos em espaços comuns, e voluntários adaptam a oferta de refeições. Apesar das limitações, os responsáveis ressaltam que o objetivo principal é preservar a dignidade e garantir um local seguro para descanso e higiene.
Passadas quase dez anos desde a inauguração, a Casa de Apoio se consolidou como alternativa para famílias que enfrentam a doença longe de casa. Os organizadores avaliam que a continuidade do projeto depende da mobilização de pessoas dispostas a colaborar, seja com tempo, alimentos ou recursos financeiros. Enquanto esse suporte permanecer, o serviço seguirá oferecendo abrigo gratuito a quem acompanha parentes em situação de internação, contribuindo para minimizar o impacto emocional e econômico desses períodos.









