O Governo de Mato Grosso do Sul inaugurou a primeira Sala de Situação Binacional Brasil–Paraguai, concebida para integrar a vigilância em saúde ao longo da faixa de fronteira entre os dois países. Anunciada como uma das principais entregas estaduais previstas para 2025, a estrutura passa a concentrar o monitoramento de indicadores epidemiológicos, alertas e protocolos, permitindo respostas articuladas diante de riscos sanitários e movimentações populacionais.
Ambiente voltado à cooperação permanente
Instalada em Campo Grande, a sala foi apresentada como um ambiente destinado ao acompanhamento conjunto de doenças transfronteiriças e ameaças emergentes. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), a iniciativa representa uma estratégia permanente de atuação binacional, ultrapassando a ideia de um espaço físico isolado. A expectativa é de que a cooperação contínua reduza o tempo de detecção de surtos e garanta decisões baseadas em evidências.
Mapeamento atualizado orienta planejamento
Para embasar a operação do novo centro, o governo atualizou e formalizou o mapeamento estratégico da faixa de fronteira. O levantamento reuniu informações sobre capacidades, fragilidades e necessidades de municípios limítrofes em ambos os lados da divisa, gerando um panorama detalhado de infraestrutura, recursos humanos e rotas de deslocamento populacional. Esse material passou a nortear o planejamento integrado e a definição de áreas prioritárias para ações em surtos, emergências sanitárias ou eventos climáticos que impactem a saúde pública.
Conforme a SES, a consolidação desses dados facilitou a identificação de riscos e a seleção de estratégias com maior efetividade. O documento mapeia postos de vigilância, capacidade laboratorial, rotas de acesso a comunidades isoladas e fluxos migratórios, elementos considerados essenciais para a definição de protocolos binacionais de resposta rápida.
Integração de sistemas e troca de informações
A estrutura tecnológica da sala baseia-se em sistemas interoperáveis e soluções digitais que permitem análises em tempo real. Painéis compartilhados exibem indicadores provenientes de plataformas brasileiras e paraguaias, fornecendo visualização integrada da situação epidemiológica. O compartilhamento contínuo de bases de dados possibilita a emissão imediata de alertas conjuntos, reduzindo a distância entre a detecção de um evento e a implementação de medidas de contenção.
A SES informa que o ambiente conta com videowalls, estações de trabalho conectadas às redes de vigilância dos dois países e softwares de análise geoespacial. Essas ferramentas permitem a sobreposição de informações epidemiológicas a fatores como clima, densidade populacional e rotas de deslocamento, apoiando a tomada de decisões em situações de emergência.
Processo de alinhamento ao longo do ano
Para viabilizar a operação integrada, equipes técnicas brasileiras e paraguaias realizaram visitas a unidades de saúde, pontos de controle sanitário e laboratórios de referência. Reuniões periódicas revisaram procedimentos, fluxos de notificação e critérios de priorização. Segundo a superintendência de Vigilância em Saúde, esse trabalho colaborativo estabeleceu um novo patamar de integração, no qual a região de fronteira passou a ser tratada como um território compartilhado de vigilância, e não como duas jurisdições paralelas.
Além da vigilância epidemiológica, os encontros contemplaram ações de vigilância sanitária e ambiental, incluindo inspeções conjuntas em estabelecimentos de risco e avaliação de áreas suscetíveis a vetores. O objetivo foi harmonizar práticas de campo, reduzir duplicidade operacional e garantir que informações críticas circulem sem atraso.
Próximos passos previstos para 2026
Embora a sala já esteja em funcionamento, o cronograma oficial inclui etapas adicionais para ampliar seu alcance até 2026. Entre as metas divulgadas estão a expansão do uso da estrutura por municípios brasileiros e equipes de saúde paraguaias, o fortalecimento da capacidade laboratorial transfronteiriça, a padronização definitiva de protocolos de resposta, novas capacitações conjuntas e a integração de bases de dados complementares.
O plano prevê ainda o desenvolvimento de módulos adicionais para monitorar indicadores ambientais que influenciem a incidência de doenças, como variações climáticas e qualidade da água. Com isso, espera-se melhorar a detecção precoce de ameaças e garantir mobilização coordenada diante de riscos epidemiológicos emergentes.
Expectativa de impacto regional
Com a implantação da Sala de Situação Binacional, Mato Grosso do Sul aposta em maior agilidade para conter surtos que ultrapassam a linha de divisa, cenário frequente na faixa que separa Brasil e Paraguai. Ao centralizar dados e estabelecer protocolos compartilhados, a iniciativa pretende reduzir a exposição de populações fronteiriças a doenças de rápida disseminação, além de otimizar recursos ao evitar ações duplicadas.
A SES reforça que a sustentabilidade do projeto depende da continuidade do diálogo técnico entre as autoridades sanitárias dos dois países e da adesão progressiva de municípios fronteiriços. A manutenção de equipes treinadas e de infraestrutura tecnológica atualizada também foi apontada como requisito para que a sala cumpra sua função de apoio a decisões baseadas em evidências.
Enquanto os modelos de governança e operação se consolidam, o governo estadual considera a sala como referência para iniciativas semelhantes em outras fronteiras brasileiras. A experiência adquirida na integração de sistemas, na construção de protocolos binacionais e no mapeamento de capacidades poderá servir de base para expandir estratégias de vigilância em saúde a outras regiões de divisa no futuro.









