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Brasileiros detidos com quatro fuzis AK-47 na Bolívia são transferidos para presídio em Corumbá

Dois cidadãos brasileiros expulsos da Bolívia após serem flagrados com armamento de uso restrito encontram-se, desde a manhã de sexta-feira (26), recolhidos no Presídio de Corumbá, em Mato Grosso do Sul. A transferência ocorreu depois que a Polícia Federal recebeu os suspeitos na fronteira, cumprindo os trâmites de entrega definidos entre as autoridades dos dois países.

Os detidos foram capturados na terça-feira (23) no município boliviano de Porongo, situado na região de Santa Cruz, quando tentavam entrar em território boliviano a bordo de uma caminhonete que transportava quatro fuzis AK-47, além de carregadores e diversas munições. O armamento é classificado como de uso restrito e, portanto, sujeito a controle rigoroso pelas legislações de Brasil e Bolívia.

A abordagem foi realizada por agentes da Direção de Prevenção ao Roubo de Veículos (Diprove), unidade especializada em combater o furto e o contrabando de automóveis. De acordo com o relato das autoridades bolivianas, os ocupantes da caminhonete desobedeceram à ordem de parada e tentaram fugir, desencadeando uma perseguição por vias urbanas de Porongo. Durante a fuga, um segundo veículo, também ocupado por brasileiros, aproximou-se em aparente tentativa de resgatar os suspeitos. A ação foi frustrada pela rápida reação policial, e o automóvel de apoio conseguiu escapar. Até o momento, não há registro de localização dos demais envolvidos.

Após a captura, os dois brasileiros, o veículo e todo o material bélico foram encaminhados ao Grupo Especial Delta e à Força Especial de Luta Contra o Crime, responsáveis pela investigação em território boliviano. As equipes iniciaram procedimentos para rastrear a origem das armas, identificar a rota percorrida pelos suspeitos e determinar o possível destino dos fuzis. Informações preliminares ainda não indicam se o armamento seria utilizado dentro da Bolívia ou se seria encaminhado a outro país, mas a hipótese de tráfico transnacional é considerada.

Concluídas as formalidades locais, o governo boliviano optou pela expulsão imediata dos detidos, medida prevista na legislação do país para cidadãos estrangeiros envolvidos em delitos graves. A entrega foi realizada em ponto de controle na fronteira com Corumbá, onde agentes da Polícia Federal executaram a custódia e confirmaram a identidade dos presos.

Durante a checagem de antecedentes, a Polícia Federal constatou que um dos homens possuía mandado de prisão em aberto expedido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. O documento, segundo a corporação, refere-se a processo anterior por crime não detalhado no informe divulgado. O outro suspeito não apresentava pendências judiciais registradas até a data da prisão, mas ambos permanecerão à disposição da Justiça brasileira enquanto prosseguem as investigações.

No Presídio de Corumbá, os detidos aguardam definição de processos criminais que podem incluir tráfico internacional de armas, associação criminosa e posse ilegal de armamento de uso restrito. O material apreendido e a caminhonete permanecem retidos, servindo como prova para inquéritos instaurados tanto pela Polícia Federal quanto pelas autoridades bolivianas.

Logo após o episódio, o Ministério de Governo da Bolívia divulgou nota informando o reforço do patrulhamento em corredores considerados estratégicos para o escoamento ilegal de armamentos. De acordo com o comunicado, tropas adicionais da Polícia Nacional foram deslocadas para regiões próximas às fronteiras com Brasil, Paraguai e Peru. A meta declarada é coibir o tráfico de armas, impedir a consolidação de rotas clandestinas e desarticular possíveis organizações responsáveis por abastecer grupos criminosos na América do Sul.

Em território brasileiro, a Polícia Federal também intensificou ações de fiscalização em faixas de fronteira de Mato Grosso do Sul. A corporação afirmou que mantém cooperação permanente com as forças de segurança bolivianas e de outros países vizinhos, compartilhando informações sobre apreensões, rotas suspeitas e integrantes de redes criminosas transnacionais.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre quantas pessoas teriam participado da tentativa de resgate dos detidos nem sobre a procedência exata dos fuzis AK-47 apreendidos. As investigações prosseguem em sigilo para identificar fornecedores, compradores e a eventual conexão dos armamentos com facções que atuam no Brasil ou em nações vizinhas.

Os desdobramentos do caso serão acompanhados pelos Ministérios Públicos de Brasil e Bolívia, que deverão avaliar a necessidade de cooperação jurídica internacional. Enquanto isso, as duas polícias mantêm intercâmbio de dados a fim de esclarecer a cadeia logística envolvida, dimensionar o alcance da organização e impedir novas tentativas de transporte ilegal de armamento pesado pela fronteira entre os dois países.