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Escuta ativa se consolida como estratégia para reter profissionais e fortalecer lideranças, aponta especialista

A prática da escuta ativa vem ganhando espaço como um dos principais recursos para retenção de talentos no ambiente corporativo. A avaliação é da psicóloga Rosângela Barcellos, especialista em desenvolvimento de lideranças, que abordou o tema em entrevista concedida ao projeto Fábrica de Talentos no estúdio da Rádio Massa Campo Grande.

Com mais de 20 anos de atuação na formação de gestores e mais de 10 mil horas dedicadas ao coaching executivo, Rosângela relata que o hábito de ouvir com presença plena diferencia líderes e organizações em um contexto marcado por excesso de tarefas e estímulos constantes. “Escutar é estar inteiro”, afirmou, ao defender que a qualidade da atenção oferecida a cada colaborador impacta diretamente o engajamento das equipes.

Segundo a especialista, a ausência de escuta efetiva provoca desconexão imediata entre profissionais e empresa. Quando o colaborador percebe que não é ouvido, a tendência inicial é o desligamento emocional, processo que costuma anteceder pedidos de demissão ou queda na produtividade. Esse distanciamento, acrescentou, interfere não apenas na permanência dos talentos, mas também no desempenho global do negócio.

Para Rosângela, escutar vai além da troca verbal. O interlocutor identifica se o gestor está genuinamente presente ou apenas aguardando o encerramento da conversa. Essa percepção, reforça, contribui para consolidar ou fragilizar a relação de confiança necessária ao trabalho em equipe.

A psicóloga observa que a multiplicação de estímulos externos, em especial o uso frequente do celular, tem reduzido a qualidade das interações tanto no ambiente de trabalho quanto na vida pessoal. A presença de notificações constantes interfere na capacidade de atenção e envia ao outro a mensagem de desinteresse, ainda que involuntária.

Entre as recomendações práticas apresentadas aos gestores, Rosângela orienta reservar intervalos curtos e periódicos para ouvir cada membro do time. Segundo ela, cinco ou dez minutos de atenção plena podem ser suficientes para compreender demandas, antecipar problemas e reconhecer conquistas. A proposta inclui registrar esses momentos na agenda da liderança e tratá-los como compromissos prioritários, equiparados a reuniões de negócios.

A especialista ressalta que a escuta ativa não se limita ao âmbito profissional. A habilidade, explica, repercute em todas as esferas de convivência e contribui para relações mais saudáveis. No cenário corporativo, porém, o ganho é direto: vínculos sólidos, equipes motivadas e menor rotatividade.

Rosângela avalia que, embora ferramentas tecnológicas agilizem processos e facilitem a comunicação, elas não substituem a qualidade da presença humana. A liderança, destaca, precisa equilibrar produtividade e conexão, garantindo que prazos sejam cumpridos sem comprometer o diálogo.

Outro ponto enfatizado pela psicóloga é a relação entre escuta ativa e cultura organizacional. Empresas que incentivam a prática, observa, tendem a criar ambientes seguros para a manifestação de ideias e feedbacks. Esses espaços favorecem a inovação, pois permitem que diferentes perspectivas sejam consideradas antes da tomada de decisões.

Para consolidar a escuta ativa como valor da empresa, a especialista sugere programas de sensibilização, treinamentos específicos e acompanhamento contínuo do comportamento das lideranças. Métodos como rodas de conversa, coaching interno e avaliações de clima organizacional podem apoiar o processo.

Embora a implementação consuma tempo e dedicação, os resultados, afirma Rosângela, compensam o esforço. Entre os benefícios observados, ela aponta aumento da confiança nos gestores, melhoria nos indicadores de satisfação e redução de custos associados à substituição de colaboradores.

Aos profissionais que desejam desenvolver a competência, a psicóloga recomenda práticas diárias, como manter contato visual durante diálogos, evitar interrupções e confirmar o entendimento por meio de perguntas objetivas. Atitudes simples, conclui, contribuem para fortalecer vínculos, ampliar a colaboração e assegurar a retenção de talentos em cenários corporativos cada vez mais competitivos.