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Mato Grosso do Sul transforma recuperação de pastagens em pilar da economia verde

Mato Grosso do Sul adotou a recuperação de pastagens degradadas como política prioritária para impulsionar uma produção agropecuária de baixo carbono. Estimativas oficiais apontam que cerca de 4,7 milhões de hectares apresentam condições de regeneração, reflexo de décadas de uso inadequado em áreas onde nem a pecuária extensiva nem o cultivo de eucalipto alcançaram resultados satisfatórios.

Inserida no conceito de nova economia verde, a estratégia busca adequar o setor produtivo às exigências de mercados que valorizam práticas sustentáveis. O governo estadual, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), vem articulando incentivos, assistência técnica e linhas de crédito voltados à conservação do solo, ao manejo racional da água e à redução das emissões de carbono.

A principal frente de ação combina rotação de culturas, correção e adubação de áreas degradadas, técnicas de plantio direto e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). A Semadesc credita os avanços à junção de planejamento, inovação tecnológica e acesso a financiamento, fatores que colocam o estado entre as referências nacionais em gestão responsável dos recursos naturais.

Programas que sustentam a política

Cinco iniciativas ancoram esse esforço: o Prosolo, o MS Irriga, o Plano ABC+ MS, o Precoce MS e o FCO Verde. Elas operam de forma complementar para restaurar pastagens, elevar produtividade e diminuir a pegada de carbono.

O Prosolo concentra-se na recuperação de áreas afetadas por erosão, restauração da fertilidade e melhoria de estradas vicinais. O MS Irriga estimula a irrigação eficiente e o uso cuidadoso dos mananciais hídricos. Já o Plano ABC+ MS promove sistemas produtivos de baixa emissão, com destaque para ILPF, uso de bioinsumos e manejo adequado de resíduos agropecuários.

Voltado à pecuária, o Precoce MS incentiva práticas de manejo que encurtam o ciclo de engorda, enquanto o FCO Verde disponibiliza crédito específico para projetos sustentáveis. Entre 2020 e 2024, essa linha financiou 771 propostas, totalizando R$ 812 milhões em investimentos.

Integração público-privada e indicadores de avanço

A coordenação entre poder público, produtores rurais e centros de pesquisa tem sido apontada como determinante para que Mato Grosso do Sul consolide um modelo de pecuária de baixo carbono. Estudos do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (LAPIG) e do MapBiomas mostram que o estado figura entre os que mais concentram pastagens de baixo vigor. Parte relevante dessas áreas fica no Pantanal, onde a dinâmica ambiental própria do bioma impede associar todos os trechos a degradação causada pela atividade humana, informação considerada fundamental para calibrar políticas de recuperação.

O Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD) atribui a deterioração verificada no território sul-mato-grossense, sobretudo, à pecuária extensiva histórica, caracterizada por baixa lotação animal e manejo limitado do solo. A perda de produtividade motivou a formulação de medidas estruturadas, hoje tratadas como política de Estado.

Certificação, rastreabilidade e exigências internacionais

Com foco na credibilidade ambiental, o governo investe R$ 7,6 milhões em projetos de certificação e monitoramento de carbono nas cadeias da soja e do milho. Na pecuária, o reconhecimento do estado como área livre de febre aftosa sem vacinação, obtido em 2025, abre espaço para novas exigências de rastreabilidade. O Sistema Estadual de Rastreabilidade Bovina tem início previsto para 2026, com cobertura total até 2032, e será complementado pelo Selo Verde, que integrará dados ambientais e produtivos.

Liderança em integração de sistemas produtivos

Mato Grosso do Sul lidera o ranking nacional de áreas com ILPF, somando mais de 3,6 milhões de hectares. A adoção desse sistema diversifica a renda dos produtores, diminui a pressão por abertura de novas áreas e melhora a fertilidade do solo. O estado também figura entre os cinco maiores consumidores de bioinsumos do país, resultado do Programa Estadual de Bioinsumos, lançado em 2022.

Além disso, iniciativas de confinamento sustentável e intensificação de pastagens têm elevado a produtividade da carne sem ampliar a fronteira agrícola. Para atender à crescente demanda por conhecimento técnico, parcerias entre o governo, a Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e instituições federais oferecem capacitações em práticas conservacionistas.

Assistência técnica e metas futuras

Projetos como Carbono ATeG, que auxilia na mensuração e redução das emissões de gases de efeito estufa, e ABC Cerrado, focado em ILPF e florestas plantadas, expandem a assistência a propriedades de diferentes perfis. O objetivo central é garantir que produtores tenham acesso a crédito sustentável e orientação técnica, elevando a produção sem comprometer a conservação ambiental.

Com a combinação de políticas públicas permanentes, integração entre atores do campo e adoção de tecnologias de baixo impacto, Mato Grosso do Sul avança na transformação de áreas degradadas em ativos produtivos, reforçando sua posição como polo de agropecuária sustentável no cenário nacional.