Search

Campo Grande registra quase 15 mil furtos em 2025 e acende alerta para segurança residencial

Campo Grande encerrou 2025 com 14.994 furtos registrados, segundo balanço da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS). O número equivale a uma média de 41 ocorrências por dia e coloca o tema da segurança patrimonial no centro das preocupações de moradores e autoridades, especialmente no período de festas e férias escolares, quando muitas residências ficam vazias.

A estatística oficial provoca inquietação em diferentes setores porque o furto, por definição, não envolve violência explícita, mas causa prejuízos financeiros e sensação de vulnerabilidade. Especialistas em proteção residencial apontam que a maioria dos casos ocorre em imóveis com pouca ou nenhuma barreira física e sem qualquer forma de monitoramento em tempo real. Para eles, a escolha de alvos obedece a um critério de facilidade: quanto menor a possibilidade de ser flagrado ou identificado, maior a probabilidade de o local ser invadido.

Mudança de comportamento dos proprietários

Profissionais do setor de segurança eletrônica observam uma transformação no perfil do consumidor campo-grandense. Segundo relato do empresário Leandro de Andrade do Carmo, que atua na área, muitos moradores deixaram de optar pelo modelo de locação de equipamentos e passaram a investir na compra de sistemas próprios. O argumento principal está relacionado à autonomia: adquirindo as ferramentas, o usuário assume o gerenciamento completo da vigilância e elimina mensalidades.

Nesse formato de autogestão, dispositivos como sensores de presença, alarmes e câmeras de alta resolução enviam notificações instantâneas para o celular do proprietário. Caso uma cerca elétrica seja rompida ou um alarme seja disparado, o aviso chega imediatamente ao aplicativo dedicado, permitindo reação rápida, acionamento da polícia ou simplesmente verificação remota da situação. O processo reduz o intervalo entre a tentativa de invasão e a adoção de medidas, fator apontado como crucial para impedir perdas.

Evolução tecnológica

A modernização dos equipamentos ampliou as possibilidades de vigilância. Câmeras capazes de gerar imagens coloridas mesmo em baixa luminosidade, aliadas a microfones e alto-falantes integrados, permitem não apenas o registro da ocorrência, mas também a interação direta. O proprietário pode ouvir o que acontece no ambiente monitorado e comunicar-se com qualquer pessoa presente, recurso que, segundo profissionais do setor, tem efeito inibidor sobre potenciais invasores.

Outro avanço é a integração com serviços em nuvem, que possibilita armazenamento remoto de gravações. Dessa forma, mesmo que o equipamento físico seja danificado ou levado, as evidências permanecem preservadas em tempo real. A funcionalidade ganhou relevância à medida que criminosos passaram a tentar destruir câmeras para ocultar rastros.

Importância das barreiras físicas

Apesar dos ganhos proporcionados pela tecnologia, especialistas ressaltam que o primeiro nível de proteção continua sendo a barreira física. Cercas elétricas e concertinas galvanizadas permanecem entre as soluções mais adotadas em Campo Grande, pois dificultam o acesso e sinalizam que a residência não é um alvo fácil. A presença visual desses obstáculos, combinada a um sistema de alarme, diminui o caráter de oportunidade que caracteriza o furto.

Dados operacionais de empresas de segurança indicam que residências com cercas eletrificadas e monitoramento remoto registram índice de ocorrência menor que aquelas sem qualquer tipo de defesa. Embora o investimento inicial seja superior, a economia obtida com a redução de perdas materiais e a tranquilidade proporcionada ao morador são vistas como fatores determinantes para a adoção de medidas robustas.

Repercussão e perspectivas

O total de quase 15 mil furtos em 2025 reforça o desafio colocado para a segurança pública de Campo Grande. As autoridades utilizam o levantamento da Sejusp-MS para traçar estratégias de policiamento ostensivo e ações de inteligência voltadas à identificação de padrões de atuação dos criminosos. Paralelamente, o setor privado projeta aumento na procura por soluções de autodefesa eletrônica e física, tendência que deve se acentuar nos primeiros meses de 2026, período em que muitos proprietários revisam contratos e decidem por novas aquisições.

Entre as medidas recomendadas por consultores de segurança, além da instalação de sistemas eletrônicos e barreiras físicas, estão a adoção de rotinas simples, como pedir a vizinhos para recolher correspondências durante ausências prolongadas, manter iluminação externa acionada por sensores e evitar divulgação de viagens em redes sociais. Essas práticas complementares reduzem a exposição e reforçam o conceito de camadas de proteção, considerado mais eficiente do que adotar apenas um tipo de recurso.

Com o registro de 41 ocorrências diárias e um cenário de evolução constante no modus operandi dos criminosos, a combinação de tecnologia, barreiras físicas e participação comunitária surge como caminho prioritário para conter o avanço dos furtos e preservar o patrimônio dos moradores de Campo Grande.