O mercado de trabalho brasileiro encerrou o trimestre móvel terminado em novembro com 39,4 milhões de empregados com carteira assinada no setor privado, o maior contingente desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (30), mostram avanço de 2,6% em relação ao trimestre anterior, equivalente à incorporação de cerca de 1 milhão de trabalhadores formais.
O setor público também registrou expansão. O número de servidores chegou a 13,1 milhões, novo recorde, após crescer 1,9% (mais 250 mil pessoas) no trimestre e 3,8% (mais 484 mil) no intervalo de um ano. Apesar de a variação trimestral no setor privado não ter sido classificada como estatisticamente significativa, o IBGE destacou que a trajetória de aumento sustentado garantiu a marca inédita de 39,4 milhões de vínculos formais ao fim de novembro.
No mesmo período, o contingente de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado permaneceu estável, totalizando 13,6 milhões de pessoas. Na comparação anual, porém, houve recuo de 3,4%, ou 486 mil trabalhadores a menos nessa condição. Paralelamente, o número de trabalhadores por conta própria alcançou 26 milhões, estabelecendo novo pico da série histórica. Embora este grupo tenha se mantido estável frente ao trimestre anterior, cresceu 2,9% em doze meses, o que representa acréscimo de 734 mil pessoas.
A soma dos segmentos considerados informais — empregados sem carteira, trabalhadores domésticos sem registro, conta própria e empregadores sem CNPJ, além de auxiliares familiares — resultou em 38,8 milhões de pessoas. Esse volume corresponde a 37,7% da população ocupada, percentual inferior aos 38,0% observados no trimestre encerrado em agosto e aos 38,8% registrados no mesmo trimestre de 2024. Segundo o IBGE, a queda na proporção de informais decorre principalmente do avanço dos vínculos formais, sem crescimento paralelo do contingente informal.
Entre as atividades econômicas, administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais foi responsável por parte expressiva do aumento da ocupação. Apenas esse grupo adicionou 492 mil trabalhadores, expansão de 2,6% sobre o trimestre móvel anterior. Embora existam vínculos temporários nesse segmento, funções ligadas à educação, por exemplo, são formalizadas por contrato legal, o que contribui para a elevação do emprego com carteira.
A taxa de desocupação ficou em 5,2% da força de trabalho, ou 5,6 milhões de pessoas procurando emprego, o menor patamar desde 2012, início da série histórica da Pnad Contínua. O indicador vem registrando sucessivas quedas desde o trimestre terminado em junho de 2025, refletindo a recuperação gradual do mercado de trabalho.
No rendimento, o trimestre encerrado em novembro também trouxe máximas históricas. O ganho médio real habitual dos ocupados chegou a R$ 3.574, avanço de 1,8% frente ao trimestre anterior e de 4,5% em 12 meses, já descontada a inflação. O resultado foi puxado, principalmente, pelo aumento de 5,4% nos salários dos trabalhadores de Informação, Comunicação, Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas.
Comparado ao mesmo trimestre de 2024, houve crescimento de rendimentos em cinco grandes ramos de atividade: Agricultura, Pecuária, Produção Florestal, Pesca e Aqüicultura (7,3%); Construção (6,7%); Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas (6,3%); Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (4,2%); e Serviços domésticos (5,5%).
Com mais pessoas ocupadas e maior remuneração, a massa de rendimento real habitual totalizou R$ 363,7 bilhões, novo recorde. O montante representa alta de 2,5% (incremento de R$ 9,0 bilhões) sobre o trimestre móvel anterior e de 5,8% (mais R$ 19,9 bilhões) em relação ao mesmo período de 2024.
A Pnad Contínua, principal pesquisa sobre força de trabalho do país, visita 211 mil domicílios a cada trimestre, distribuídos por 3.500 municípios. Cerca de dois mil entrevistadores coletam informações sob coordenação de mais de 500 agências do IBGE, garantindo abrangência nacional e regularidade dos dados divulgados.









