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Planejamento e uso consciente do crédito aliviam despesas típicas do início do ano, diz especialista

O primeiro trimestre costuma concentrar uma série de despesas que pressionam o orçamento das famílias brasileiras, entre elas IPTU, IPVA, matrícula e material escolar, além dos gastos acumulados durante as festas de fim de ano e as férias. Diante desse cenário, a educadora financeira Sabrina Nakao defende que o planejamento antecipado, o emprego responsável do cartão de crédito e o investimento em conhecimento são ferramentas essenciais para evitar o endividamento e iniciar 2026 em situação mais equilibrada.

Cartão de crédito não é complemento de renda

Segundo Sabrina, o uso excessivo do cartão de crédito se destaca como o principal erro cometido nesse período. Muitas pessoas, observa a especialista, confundem o limite disponível com renda efetiva e comprometem parcelas significativas dos meses seguintes. Dessa forma, gastam em janeiro valores que se estendem pelo restante do ano, dificultando a quitação de despesas fundamentais e abrindo espaço para novos débitos.

A educadora lembra que as taxas de juros do rotativo do cartão permanecem entre as mais altas do mercado, podendo chegar a dois dígitos ao mês. Mesmo com limites legais para o endividamento, o instrumento deve ser manuseado com cautela, pois a combinação de taxas elevadas e parcelamentos sucessivos transforma dívidas pontuais em compromissos prolongados e custosos.

Férias e viagens exigem atenção aos gastos extras

Viagens de férias, comuns nos meses de dezembro e janeiro, contribuem para ampliar o desequilíbrio financeiro quando não são planejadas. Sabrina explica que despesas inesperadas surgem mesmo em roteiros considerados econômicos, seja com alimentação, transporte ou entretenimento. A orientação é priorizar passeios gratuitos, comparar preços antes de comprar serviços e questionar se determinado consumo seria realizado fora do contexto da viagem. Essa avaliação reduz impulsos e impede que o lazer comprometa o orçamento dos meses posteriores.

Impostos concentrados em janeiro pedem reserva prévia

IPTU, IPVA e matrícula escolar têm vencimento concentrado no primeiro bimestre. Para lidar com essa concentração de boletos, a especialista recomenda que as famílias reservem, ao longo de 2025, valores proporcionais ao montante previsto para 2026. Guardar pequenas quantias todos os meses distribui o impacto financeiro e evita a necessidade de recorrer ao crédito ou ao atraso de contas essenciais. Sabrina resume a estratégia afirmando que é preciso começar a pensar em janeiro de 2027 assim que janeiro de 2026 se iniciar.

Dívidas em aberto devem ser priorizadas pelos juros

Para quem já chega ao ano novo no vermelho, a orientação é equilibrar o pagamento das despesas correntes com a renegociação ou quitação das dívidas existentes. O foco inicial deve recair sobre aquelas que apresentam juros mais elevados, caso do cartão de crédito e do cheque especial. Negociar prazos, buscar linhas de crédito com taxas menores ou concentrar recursos extras nesses débitos reduz o custo total e libera renda para outras obrigações.

A especialista reforça que atrasar contas básicas – como energia, água ou aluguel – para honrar compromissos de longo prazo costuma agravar a situação. Multas e juros moratórios criam novas pendências e diminuem a capacidade de negociação. Portanto, despesas essenciais devem permanecer em dia enquanto se busca um acordo ou se destina parte do orçamento à amortização das dívidas caras.

Reserva de emergência garante segurança

Outra recomendação é criar uma reserva de emergência, mesmo que com valores modestos. A prática de “pagar a si mesmo primeiro” – isto é, separar uma quantia antes de distribuir o restante do salário entre as demais despesas – estabelece disciplina e protege contra imprevistos, como problemas de saúde ou perda de renda. Produtos conservadores, a exemplo do Tesouro Selic, são apontados como alternativas adequadas para essa finalidade, pois oferecem liquidez diária e baixo risco.

Educação financeira é ferramenta principal

Apesar da ampla oferta de conteúdo gratuito na internet, a educadora financeira avalia que grande parte da população desconhece conceitos básicos de orçamento, juros e investimentos. Esse desconhecimento, observa, tem custo elevado: decisões de consumo mal avaliadas, uso inadequado do crédito e falta de planejamento geram dívidas que poderiam ser evitadas. Investir em cursos, livros ou consultorias amplia a capacidade de análise, permite escolhas mais conscientes e diminui a exposição a armadilhas ao longo do ano.

Sabrina conclui que, embora as despesas do início do ano sejam inevitáveis, sua influência sobre as finanças pessoais pode ser mitigada por meio de organização prévia, controle de gastos e educação financeira contínua. Dessa forma, as famílias conseguem atravessar o período de maior cobrança de tributos e compromissos sem recorrer a empréstimos emergenciais ou prolongar dívidas, construindo um caminho mais saudável para o restante de 2026.