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Iagro aponta quase 1 milhão de hectares de soja sem cadastro a quatro dias do fim do prazo em MS

A Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) registrou, até o momento, a falta de cadastro de aproximadamente 1 milhão de hectares destinados ao cultivo de soja em Mato Grosso do Sul. O número preocupa o órgão porque o prazo obrigatório para o registro da safra 2025/2026 termina em 10 de janeiro, restando apenas quatro dias para que os produtores regularizem a situação.

Segundo a Iagro, mais de 4 mil fichas eletrônicas permanecem pendentes. O Estado projeta semear cerca de 4,5 milhões de hectares na próxima temporada, mas, até agora, somente 2,7 milhões constam no sistema oficial. O déficit representa 40 % da área estimada, índice considerado elevado pela defesa agropecuária estadual diante da proximidade do encerramento do prazo.

Vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), o órgão lembra que, historicamente, Mato Grosso do Sul cadastra em torno de 3,5 milhões de hectares por safra. Os dados atuais, portanto, indicam um volume significativamente abaixo da média, mesmo com o período de registro aberto desde o início do plantio.

Alerta para eventuais sanções

O diretor-presidente da Iagro, Daniel Ingold, informou que não haverá prorrogação da data-limite. Ele ressaltou que produtores que deixarem de cumprir a exigência poderão ser notificados e ficar sujeitos a sanções administrativas. O cadastro é requisito para que a agência programe ações de vigilância, monitoramento e controle fitossanitário ao longo do ciclo agrícola.

Jaime Verruck, secretário da Semadesc, também avaliou a situação como preocupante. De acordo com ele, a ausência de informações prejudica o planejamento das equipes técnicas e eleva o risco de falhas no controle de pragas e doenças que afetam a cultura da soja. O gestor reforçou que o cadastro contribui para a proteção de toda a cadeia produtiva, ao fornecer dados precisos sobre área plantada e distribuição geográfica.

Distribuição das lavouras

Mato Grosso do Sul abriga cerca de 17 mil propriedades dedicadas ao cultivo de soja. As maiores extensões estão concentradas nos municípios de Maracaju, Ponta Porã, Sidrolândia, Dourados e Rio Brilhante. Mesmo nessas regiões, o ritmo de cadastramento segue abaixo do esperado. A Iagro destaca que o registro, realizado de forma eletrônica, requer apenas o preenchimento de informações sobre localização, área plantada e datas de semeadura, o que poderia ser concluído rapidamente pelos produtores.

A previsão de 4,5 milhões de hectares para a safra 2025/2026 foi divulgada pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS). Caso o número se confirme, o Estado poderá alcançar um novo recorde de área cultivada. O incremento, porém, precisa ser refletido no banco de dados oficial para que as políticas de defesa sanitária acompanhem a expansão.

Importância do cadastro

O registro da área plantada é obrigatório em razão de legislações estaduais que tratam da prevenção e do manejo de pragas, como a ferrugem asiática. Com as informações em mãos, a Iagro define rotas de inspeção, planeja a distribuição de fiscais e orienta ações conjuntas com outras instituições públicas e privadas. Sem a atualização, o mapeamento de focos de infestação fica comprometido, elevando o risco de perdas econômicas e dificuldades na comercialização.

Além disso, a existência de um cadastro completo permite que o Estado responda rapidamente a exigências de rastreabilidade de mercados compradores. Falhas nesse processo podem resultar em entraves logísticos, barreiras fitossanitárias e custos adicionais para os produtores.

Orientações finais ao produtor

A Iagro recomenda que os agricultores concluam o procedimento antes de 10 de janeiro para evitar notificações. O acesso ao sistema eletrônico pode ser feito por meio do portal oficial da agência ou em unidades locais de atendimento, onde equipes de suporte estão disponíveis. Quem já enviou a ficha deve conferir se todas as parcelas foram registradas corretamente e se o recibo foi emitido, garantindo a validade do cadastro.

Nos próximos dias, fiscais da defesa agropecuária devem intensificar a comunicação direta com sindicatos rurais e cooperativas a fim de ampliar o índice de adesão. Caso o volume de áreas sem registro persista após o prazo, a agência poderá adotar medidas punitivas, que incluem multas e restrições à movimentação de grãos.

Para a safra 2025/2026, Mato Grosso do Sul espera avançar na produtividade e manter a competitividade nos mercados interno e externo. A regularização do cadastro, segundo a Iagro e a Semadesc, é etapa fundamental para que o Estado alcance esse objetivo sem comprometer a segurança fitossanitária.