O Setor de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil prendeu, na manhã desta terça-feira (6), em Dourados, Mato Grosso do Sul, um homem de 47 anos apontado como o segundo participante de um sequestro relâmpago seguido de roubo praticado contra um estudante universitário em setembro de 2025. A captura ocorre cerca de dois meses após a primeira detenção relacionada ao caso, registrada em 9 de dezembro do mesmo ano, quando um jovem de 19 anos foi localizado e colocado à disposição da Justiça.
Conforme informações repassadas pela Polícia Civil, o crime teve início quando a vítima, de 22 anos, retornava para casa em seu automóvel após atividades na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Ao transitar por vias urbanas da cidade, o estudante foi interceptado por dois homens que se aproximaram em uma motocicleta. De arma em punho, a dupla ordenou que ele parasse o veículo e, sob ameaça, assumiu o controle da situação, entrando no carro e iniciando o sequestro.
Durante aproximadamente oito horas, o universitário ficou sob poder dos autores. Nesse período, relatou ter sido agredido física e psicologicamente, resultando em ferimentos de pouca gravidade, mas suficientes para caracterizar violência. Ainda sob coação, o jovem foi colocado no porta-malas do próprio automóvel, onde permaneceu cerca de duas horas enquanto os suspeitos circulavam por diferentes regiões de Dourados e por trechos de área rural, aparentemente em busca de um local mais isolado para concluir a extorsão.
O objetivo principal dos sequestradores era obter dinheiro por meio de transferências bancárias via PIX. Para isso, obrigaram a vítima a desbloquear o celular e fornecer senhas. Entretanto, a transação não se concretizou: o aparelho bloqueou automaticamente após sucessivas tentativas e a conta informada não possuía saldo suficiente para a retirada exigida. Sem êxito na transferência, os criminosos continuaram a percorrer estradas vicinais, possivelmente avaliando alternativas para sustentar as ameaças.
A ação terminou quando o carro ficou sem combustível em uma estrada de terra. Nesse momento, os sequestradores decidiram libertar o estudante e fugir levando apenas o telefone celular subtraído. O jovem conseguiu ajuda de moradores da região rural e, em seguida, compareceu à delegacia para registrar ocorrência, descrevendo minuciosamente os fatos e as características dos autores, o que facilitou a investigação subsequente.
Com base nos depoimentos e em imagens de câmeras de segurança, o SIG identificou rapidamente dois suspeitos. O primeiro, de 19 anos, foi preso em 9 de dezembro de 2025. Já o segundo investigado, de 47 anos, teve o mandado de prisão expedido, mas permaneceu foragido até esta terça-feira, quando foi localizado em um bairro da periferia de Dourados. No momento da captura, ele não ofereceu resistência.
Segundo a Polícia Civil, a prisão do segundo suspeito deve encerrar a fase inicial do inquérito, que já reúne provas materiais, laudos periciais e depoimentos da vítima e de testemunhas. Os investigadores agora se concentram na análise de dados extraídos de aparelhos apreendidos para verificar se a dupla participou de outros crimes semelhantes na região.
O detido foi encaminhado à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) de Dourados, onde passou por interrogatório formal. Ele deve responder pelos crimes de sequestro qualificado, roubo majorado pelo emprego de arma e concurso de pessoas, além de lesão corporal. Caso seja condenado, pode enfrentar pena superior a 15 anos de reclusão, a depender da decisão judicial.
A Polícia Civil informou que o estudante se recuperou dos ferimentos e recebeu apoio psicológico oferecido pela universidade e por serviços de assistência à vítima. O veículo utilizado no crime foi encontrado sem avarias significativas, mas passou por perícia antes de ser devolvido ao proprietário.
Com as duas prisões efetivadas, o SIG considera esclarecida a autoria do sequestro relâmpago. O inquérito deve ser concluído e remetido ao Ministério Público nos próximos dias, seguindo o trâmite legal para eventual apresentação de denúncia e posterior julgamento.









