Campo Grande inicia o ano de 2026 com um reforço de R$ 20 milhões já empenhados no orçamento da União para a área da saúde. O montante, anunciado pela senadora Tereza Cristina (PP), será repassado à Secretaria Municipal de Saúde e tem como objetivo acelerar a compra de medicamentos, contratar profissionais e ampliar a oferta de serviços aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) na capital sul-mato-grossense.
Segundo a parlamentar, o recurso encontra-se formalmente comprometido no orçamento federal, etapa que garante reserva financeira específica para o município. “A verba já está empenhada”, enfatizou a senadora ao explicar que a próxima fase envolve liberar o dinheiro com celeridade, a fim de disponibilizar remédios, médicos e demais insumos necessários ao funcionamento da rede. Ela ponderou que o valor representa apenas um primeiro passo, mas pode aliviar parte das carências atuais caso seja aplicado de forma ágil.
Nos últimos anos, a saúde pública de Campo Grande tem enfrentado desafios crônicos, entre eles o déficit estimado de cerca de 1.000 leitos hospitalares. A insuficiência de vagas pressiona hospitais, unidades de pronto atendimento (UPAs) e centros regionais de saúde, que, na prática, vêm atuando como minihospitais para suprir demandas de internação. Em 2025, relatos de pacientes aguardando por leitos – principalmente mães e crianças – chamaram atenção para filas prolongadas e permanência em macas nos corredores.
Além da limitação de leitos, a rede municipal registrou períodos de desabastecimento de medicamentos e materiais básicos. Em determinados momentos, faltaram pelo menos 23 tipos de remédios e 17 insumos essenciais, como luvas, seringas e gazes. Unidades também relataram problemas de infraestrutura, incluindo falta de água, ausência de papel higiênico e equipamentos inoperantes, fatores que impactaram a rotina de profissionais e pacientes.
Com mais de 70% da população dependente exclusivamente do SUS, qualquer instabilidade no sistema provoca reflexos diretos no acesso a consultas, exames e procedimentos de alta complexidade. Para a Secretaria Municipal de Saúde, a chegada dos R$ 20 milhões é vista como oportunidade imediata de recompor estoques, reforçar plantões e reduzir filas, enquanto soluções estruturais são discutidas em paralelo.
Tereza Cristina destacou que o financiamento da saúde é tripartite, envolvendo União, Estado e município. De acordo com ela, a normalização dos serviços exige coordenação entre as três esferas, já que nenhum ente isoladamente consegue suprir toda a demanda. A parlamentar argumentou que o novo aporte deve ser acompanhado de planejamento e contrapartidas para garantir resultados duradouros.
Ao comentar a fase atual da administração municipal, a senadora lembrou que o primeiro ano de gestão exigiu medidas de ajuste consideradas impopulares, mas necessárias. Ela previu um período mais tranquilo em 2026, desde que todas as secretarias atuem de forma integrada e respondam rapidamente às necessidades apontadas pela prefeita. A colaboração de servidores e gestores foi apontada como peça-chave para ampliar a eficiência do serviço público.
Embora o empenho represente reserva assegurada, o repasse efetivo depende de trâmites no Ministério da Saúde e posterior descentralização de créditos para a prefeitura. Técnicos da Secretaria Municipal informaram que o planejamento inicial prevê priorizar medicamentos de maior impacto na atenção básica e reforçar a escala de profissionais em plantões de urgência, medida que pode exigir contratações temporárias de médicos e enfermeiros.
Em paralelo à chegada dos recursos, o município busca novas fontes de financiamento para projetos estruturantes, entre eles a construção de um hospital municipal e a ampliação de leitos de média complexidade. A expectativa é articular verbas federais a contrapartidas estaduais, possibilitando reduzir a sobrecarga nas UPAs e melhorar a capacidade de internação. Enquanto negociações avançam, a administração local trabalha para que os R$ 20 milhões empenhados cheguem efetivamente às unidades de saúde e amenizem gargalos críticos identificados nos últimos anos.









