O início de 2026 foi marcado por um avanço na assistência pediátrica de alta complexidade em Mato Grosso do Sul. No Hospital Unimed Campo Grande, o recém-nascido prematuro José Davi, com apenas sete dias de vida e 1,450 kg, foi submetido a uma cirurgia para correção de Persistência do Canal Arterial (PCA). Trata-se do primeiro procedimento dessa natureza realizado na instituição, ampliando o acesso regional a intervenções cardíacas especializadas em neonatos.
A PCA é uma cardiopatia congênita em que o canal arterial — estrutura que conecta a artéria pulmonar à aorta durante a vida intrauterina — permanece aberto após o nascimento. Se não tratada, pode provocar sobrecarga cardíaca e comprometimento respiratório. Em recém-nascidos prematuros, o fechamento espontâneo é menos provável, tornando a intervenção cirúrgica fundamental para reduzir riscos e melhorar a qualidade de vida.
Para viabilizar a operação, o hospital passou por um planejamento de vários meses envolvendo equipes de cardiologia pediátrica, cirurgia cardíaca, neonatologia, anestesiologia, enfermagem e fisioterapia respiratória. Entre as etapas preparatórias estiveram a atualização de protocolos, aquisição de equipamentos específicos para pacientes de baixo peso e treinamento direcionado aos profissionais que atuariam no centro cirúrgico e na unidade de terapia intensiva neonatal.
A cirurgia durou pouco mais de duas horas e seguiu o protocolo definido pelo grupo multiprofissional. Segundo a equipe médica, todo o procedimento transcorreu conforme o previsto: acesso cirúrgico adequado, correção do canal arterial e estabilização hemodinâmica imediata. Após o término da intervenção, José Davi foi transferido para a ala pediátrica, onde permanece sob monitorização contínua.
Com 35 semanas de vida (idade corrigida considerando a prematuridade), o paciente recebe cuidados intensivos e acompanhamento diário de cardiologia e neonatologia. O quadro clínico é considerado estável, e não foram registrados sinais de complicação pós-operatória. A família relata ter encontrado suporte integral da equipe assistencial, aspecto valorizado no processo de recuperação do recém-nascido.
A realização do procedimento em Campo Grande evita deslocamentos para centros de referência fora do estado, prática anteriormente comum em casos de cardiopatias congênitas complexas. A diretoria do hospital aponta que a abertura desses leitos de alta complexidade contribui para reduzir o tempo de resposta em situações críticas e favorece a continuidade do cuidado próximo ao núcleo familiar.
Além do benefício imediato ao paciente, a cirurgia representa a consolidação de um projeto institucional voltado à expansão da linha de atendimento cardíaco pediátrico. Investimentos em tecnologia, contratação de especialistas e capacitação de equipes formam o tripé que sustenta a meta de oferecer, no médio prazo, um serviço completo para correção de diversas cardiopatias congênitas, desde diagnósticos menos complexos até casos que exijam intervenções híbridas ou múltiplas.
A cirurgiã responsável, profissional com três décadas de experiência em cardiologia pediátrica, destacou que a estrutura montada no hospital possibilita replicar o procedimento com segurança em outros pacientes neonatais. De acordo com a médica, o desafio principal em bebês com menos de dois quilos é manter a estabilidade térmica e hemodinâmica durante toda a operação, demanda que requer equipamentos apropriados, equipe treinada e logística ágil de material cirúrgico.
Os protocolos adotados incluem monitorização invasiva contínua, uso de incubadoras aquecidas no trajeto entre a unidade de terapia intensiva e o bloco cirúrgico, e preparo pré-operatório com ventilação assistida e ajuste de fármacos inotrópicos. No pós-operatório imediato, o foco recai sobre controle de dor, prevenção de infecção e suporte respiratório para facilitar a extubação precoce, quando possível.
Para a administração do hospital, a experiência bem-sucedida reforça o compromisso com assistência segura, qualificada e humanizada. A gestão ressalta que a sinergia entre conhecimento científico, tecnologia de ponta e acolhimento familiar foi determinante para o desfecho positivo, criando um modelo de referência para futuras cirurgias. O plano de expansão inclui parcerias com serviços públicos e privados a fim de disponibilizar vagas para pacientes encaminhados por diferentes redes de atenção.
Enquanto a equipe multidisciplinar segue acompanhando a evolução clínica de José Davi, o caso simboliza uma mudança de patamar na oferta de cuidados cardiovasculares pediátricos em Mato Grosso do Sul. Ao concentrar recursos e expertise na capital, o estado amplia a capacidade de tratar localmente condições que, até então, exigiam transferências longas e potencialmente arriscadas para recém-nascidos prematuros.
Com o êxito da cirurgia e a perspectiva de novos procedimentos, o Hospital Unimed Campo Grande posiciona-se como polo emergente de referência em cardiologia pediátrica, trazendo benefícios diretos às famílias que necessitam de atendimento especializado sem sair da região.









