A movimentação de cargas nos portos brasileiros alcançou 1,28 bilhão de toneladas de janeiro a novembro de 2025, volume que supera em 4,97% o registrado no mesmo período do ano anterior. Os dados constam de levantamento do Ministério de Portos e Aeroportos, elaborado a partir das informações da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), e apontam para um novo recorde anual caso a tendência se mantenha até dezembro. A projeção oficial indica que o total poderá ultrapassar 1,34 bilhão de toneladas em 2025.
O avanço é atribuído pelo governo federal à expansão da infraestrutura portuária, aos programas de modernização dos terminais e à combinação de investimentos públicos e privados realizados nos últimos anos. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, trata-se do terceiro exercício consecutivo em que o país registra crescimento na movimentação de mercadorias por via marítima, resultado direto de políticas voltadas ao aumento da eficiência operacional.
A avaliação do desempenho também considera o ambiente regulatório. De acordo com a Antaq, a estabilidade das regras para o setor tem estimulado aportes de capital e favorecido a diversificação dos serviços prestados pelos portos. A agência sustenta que a ampliação da capacidade instalada contribui para reduzir gargalos logísticos, refletindo no ganho de competitividade para exportadores e importadores.
Desempenho em novembro
Apenas em novembro de 2025, os portos brasileiros movimentaram 118,2 milhões de toneladas, avanço de 14,5% em comparação ao mesmo mês de 2024. Nos portos públicos, o resultado foi ainda mais expressivo: 42,1 milhões de toneladas, alta de 17%. Entre as instalações administradas pela União, destaque para o Porto de Paranaguá, no Paraná, responsável por 5,9 milhões de toneladas no mês, volume 44,3% superior ao de novembro do ano anterior.
Nos terminais autorizados — categoria que engloba instalações privadas — a movimentação totalizou 76,1 milhões de toneladas, crescimento de 13,1%. O Terminal Aquaviário de Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro, liderou o aumento proporcional nesse grupo, com 6,3 milhões de toneladas e expansão de 55,7% na comparação anual.
Modalidades de navegação
O levantamento detalha o comportamento das diferentes modalidades de navegação no mês de novembro. O transporte de longo curso, responsável pelas operações internacionais, movimentou 85,7 milhões de toneladas, incremento de 13% frente a novembro de 2024. A cabotagem — navegação entre portos nacionais — somou 26,2 milhões de toneladas, aumento de 11,87%. Já a navegação interior, que utiliza hidrovias para deslocamento de cargas dentro do país, avançou 59,28%, alcançando 6,2 milhões de toneladas.
No segmento de contêineres, foram manipuladas 13,8 milhões de toneladas em novembro, alta de 7,18% em relação a igual período de 2024. O desempenho confirma a tendência de crescimento do transporte conteinerizado, modalidade que agrega maior valor logístico ao permitir o embarque de mercadorias em unidades padronizadas e com menor tempo de operação.
Principais mercadorias
Entre os produtos que mais contribuíram para o resultado positivo de 2025 estão trigo, soja e milho. Esses grãos, destinados em grande parte ao mercado externo, respondem por parcela significativa da pauta de exportações do país e reforçam a importância da cadeia portuária para o agronegócio. Além dos grãos, commodities minerais e derivados de petróleo também mantiveram participação relevante na movimentação total.
Perspectivas até o fim do ano
Com o desempenho consolidado até novembro, a expectativa do Ministério de Portos e Aeroportos é de que o volume anual registre novo patamar histórico, superando 1,34 bilhão de toneladas. Para o governo, a confirmação desse cenário evidenciaria a eficácia das políticas de modernização e o alinhamento entre os setores público e privado na área de logística.
Autoridades do ministério e da Antaq afirmam que a continuidade do ciclo de investimentos em dragagem, ampliação de pátios, melhoria de acessos terrestres e incentivo à digitalização dos processos é fundamental para sustentar o crescimento em 2026 e nos anos seguintes. Apesar do desempenho favorável, o diagnóstico oficial indica a necessidade de expandir a capacidade de armazenamento e acelerar licitações de novos terminais a fim de acomodar a demanda projetada para o médio prazo.
O governo também ressalta a relevância de políticas voltadas à navegação de cabotagem e às hidrovias. Esses modais são considerados estratégicos para melhorar a integração das regiões brasileiras, reduzir custos logísticos internos e aumentar a competitividade das exportações. O Plano de Investimentos em Logística Aquaviária, em elaboração pelo ministério, deve priorizar projetos que ampliem a oferta de rotas de cabotagem e viabilizem novos corredores de transporte fluvial.
Com recordes sucessivos, o setor portuário consolida-se como um dos principais vetores de crescimento da infraestrutura brasileira. A expectativa oficial é de que a soma de iniciativas públicas e privadas mantenha o ritmo de expansão registrado em 2025 e contribua para a diversificação da economia, garantindo maior eficiência às cadeias de suprimentos nacionais e internacionais.









