Mato Grosso do Sul está em estado de atenção para a possibilidade de chuvas intensas e ventos fortes entre sábado (10) e domingo (11), em razão da formação do primeiro ciclone extratropical de 2026. O sistema atmosférico deve se desenvolver sobre a Região Sul do país e, ao avançar, pode potencializar instabilidades em diversas áreas do território sul-matogrossense.
A meteorologista Ana Paula Paes explica que o ciclone tende a impulsionar uma frente fria, elevando a umidade e favorecendo a ocorrência de pancadas de chuva acompanhadas de descargas elétricas. Dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec/MS) e do NetClima indicam rajadas variando de 40 km/h a 70 km/h, além de risco de granizo pontual.
Risco de ventos fortes e descargas elétricas
Órgãos de meteorologia destacam que as células de tempestade associadas ao ciclone podem se formar rapidamente, gerando precipitação significativa em curto período. Nuvens carregadas já foram identificadas em imagens de satélite, sinalizando a intensificação das condições de instabilidade. O cenário é similar ao registrado poucos dias antes em Campo Grande, quando uma tempestade provocou queda de árvores, alagamentos e danos à infraestrutura urbana, incluindo interrupções no fornecimento de energia em alguns bairros.
Embora o volume exato de chuva varie conforme a localização, o alerta se estende a todas as regiões do Estado. A orientação é que a população acompanhe os boletins meteorológicos e adote medidas preventivas, especialmente em áreas suscetíveis a alagamentos ou com histórico de problemas na rede de drenagem.
Atuação da concessionária de energia
Com a previsão de novos temporais, a Energisa Mato Grosso do Sul mantém equipes de prontidão para atender ocorrências relacionadas à rede elétrica. Segundo o coordenador operacional Marcelo Santana, a principal preocupação é o rompimento de cabos em decorrência de queda de árvores ou objetos projetados pelo vento. “O contato direto ou a aproximação de fios energizados representam alto risco de choque”, alerta o técnico.
A concessionária reforça que, em caso de identificação de cabos no solo ou galhos sobre a fiação, a população deve acionar imediatamente os canais de atendimento da empresa. O reparo deve ser executado exclusivamente por profissionais capacitados, uma vez que a rede permanece energizada mesmo quando não há faíscas visíveis.
Orientações de segurança
Para reduzir incidentes durante as tempestades, a Energisa recomenda:
- Não tocar, pisar ou se aproximar de fios caídos;
- Evitar o uso de aparelhos conectados à tomada enquanto houver incidência de raios;
- Manter distância de estruturas metálicas, postes e cercas durante descargas elétricas;
- Desligar o disjuntor geral em situações de curto-circuito, faíscas ou alagamento próximo às instalações internas;
- Recolher objetos soltos em quintais ou varandas, reduzindo o risco de impacto contra a rede elétrica.
Essas precauções também visam minimizar a probabilidade de danos a equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos. Em caso de queda de energia, a orientação é aguardar a estabilização do sistema antes de religar aparelhos sensíveis.
Procedimentos de monitoramento
O Cemtec/MS reforça que o acompanhamento em tempo real das condições meteorológicas segue intensificado. Imagens de radar e satélite são atualizadas continuamente para identificar mudança brusca na direção dos ventos ou no deslocamento das áreas de chuva. Quando necessário, alertas regionais são encaminhados à Defesa Civil para eventual mobilização de equipes de apoio.
A população pode receber notificações por aplicativos de celular ou por mensagens de texto, dependendo do serviço de alerta cadastrado. Em áreas rurais, recomenda-se atenção redobrada, pois ventos fortes podem destelhar construções leves ou afetar plantios. Produtores devem verificar a fixação de estruturas como silos e galpões, bem como proteger animais em espaços cobertos.
Impactos recentes reforçam necessidade de prevenção
A tempestade registrada anteriormente em Campo Grande, embora de curta duração, expôs fragilidades na arborização urbana e na rede pluvial. Além de derrubar árvores de grande porte, o evento causou pontos de alagamento em vias de alto fluxo, comprometendo o trânsito e dificultando o trabalho de equipes de manutenção. Situações semelhantes podem ocorrer novamente caso as previsões se concretizem, segundo técnicos da Defesa Civil.
Diante desse histórico, a recomendação de especialistas é que moradores façam a limpeza de calhas, verifiquem o estado de telhados e removam possíveis obstruções nos ralos externos. Em condomínios, síndicos devem revisar bombas de drenagem e sistemas de emergência para casos de falta de energia prolongada.
As autoridades reiteram que, embora o ciclone extratropical se forme fora do território sul-matogrossense, seus efeitos indiretos podem ser significativos. A combinação de umidade, calor e deslocamento de massa de ar fria cria condições favoráveis para nuvens de grande desenvolvimento vertical, capazes de produzir chuvas volumosas em um intervalo curto.
O monitoramento seguirá ativo até que o sistema perca intensidade ou se afaste, o que pode ocorrer após domingo (11). Enquanto isso, órgãos estaduais e municipais permanecem em alerta, orientando a população a priorizar a segurança e a buscar informações em canais oficiais sempre que houver alteração na previsão do tempo.









