O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul (Semadesc), Jaime Verruck, realizou na quinta-feira (8) uma visita técnica à área onde a Bracell erguerá sua nova fábrica de celulose no município de Bataguassu, a cerca de 330 quilômetros de Campo Grande. O empreendimento, estimado em aproximadamente R$ 16 bilhões, será a sexta unidade do segmento instalada no estado.
Na passagem pelo canteiro de obras, Verruck esteve acompanhado do superintendente do Sebrae/MS, Cláudio Mendonça, e do assessor de Logística da Semadesc, Eduardo Costa. O grupo participou de reunião com a diretoria da Bracell no Brasil para avaliar demandas prioritárias, definir responsabilidades e alinhar ações necessárias à implantação da planta industrial.
A empresa já dispõe de licença prévia que autoriza a produção anual de 2,5 milhões de toneladas de celulose em Bataguassu. Durante a visita, os representantes do governo e da companhia discutiram aspectos de infraestrutura, destacando a chamada Rota da Celulose — projeto que prevê a modernização das rodovias BR-262, BR-267 e MS-040, corredor logístico fundamental para o escoamento da matéria-prima e do produto acabado.
O contrato com o Consórcio XP, vencedor da licitação para executar a Rota da Celulose, deverá ser assinado até o fim de janeiro de 2026, segundo a Semadesc. A previsão é iniciar as obras em março do mesmo ano, concentrando as intervenções mais urgentes até dezembro de 2026. O objetivo é garantir condições de tráfego compatíveis com o aumento do fluxo de caminhões e, consequentemente, elevar a competitividade do setor florestal sul-mato-grossense.
Além da logística, a expansão demográfica esperada para Bataguassu foi apontada como desafio central. A instalação da fábrica poderá atrair milhares de trabalhadores e suas famílias, pressionando a oferta de moradia e serviços públicos. Para mitigar impactos, a Bracell apoia a revisão do Plano Diretor municipal, que deverá incluir diretrizes para abertura de novos loteamentos e construção de habitações. O poder público local e a iniciativa privada também devem atuar na criação de bairros planejados e infraestrutura básica.
O tema habitacional envolve, ainda, a necessidade de terrenos adequados para empreendimentos residenciais destinados tanto a funcionários quanto à comunidade em geral. O município estuda mecanismos de estímulo a parcerias com incorporadoras, enquanto a empresa avalia projetos próprios de habitação para parte da mão de obra.
A qualificação de fornecedores regionais foi outro ponto debatido. O Sebrae/MS comprometeu-se a prestar consultoria e capacitar empresas de Mato Grosso do Sul interessadas em participar das obras civis, do fornecimento de insumos industriais e da prestação de serviços contínuos após a entrada em operação. A iniciativa integra o projeto Encadear, coordenado pelo governo estadual em cooperação com federações empresariais e outras entidades do Sistema S.
Para atender à demanda de mão de obra, Senai e Senac oferecerão cursos voltados às áreas florestal, industrial, de comércio e de serviços. As capacitações incluem desde a formação de operadores de máquinas e técnicos de manutenção até treinamentos em gestão, logística e segurança do trabalho. A expectativa é formar profissionais qualificados antes mesmo do pico das obras.
Durante a fase de construção, a fábrica deverá gerar cerca de 12 mil postos de trabalho diretos. Quando estiver em plena operação, o quadro permanente deve atingir 2 mil empregos diretos, sem contar os indiretos na cadeia de suprimentos, transporte e serviços. O empreendimento reitera a posição de Mato Grosso do Sul como polo relevante da indústria de base florestal no país.
O projeto prevê capacidade de produção de até 2,92 milhões de toneladas anuais de celulose kraft na Composição A e 2,6 milhões de toneladas por ano de celulose kraft e celulose solúvel na Composição B. Para alimentar as linhas de fibra, serão utilizados aproximadamente 12 milhões de metros cúbicos de eucalipto por ano, cultivados em florestas plantadas na região.
A unidade contará com sistema de cogeração de energia de 462 MW, suficiente para manter a fábrica autossuficiente e, eventualmente, comercializar excedentes na rede elétrica. A combinação de escala industrial, manejo florestal e geração própria de energia reforça o potencial de Mato Grosso do Sul para atrair investimentos e ampliar sua participação no mercado global de celulose.
Com a visita técnica, governo estadual, Bracell e parceiros deram mais um passo no planejamento integrado do megaprojeto. As próximas etapas incluem a conclusão dos licenciamentos, o detalhamento dos pacotes de obras civis e a mobilização das equipes responsáveis pelo início efetivo da construção, previsto para os próximos meses.









