Os trechos rodoviários concedidos em Mato Grosso do Sul já absorveram mais de R$ 1,18 bilhão em obras e serviços, de acordo com balanço divulgado pela Agência Estadual de Regulação (AGEMS) no início de 2026. O montante soma os aportes aplicados na MS-306, em operação há seis anos, e no sistema MS-112/BR-158/BR-436, que completa o terceiro ano de concessão.
Ao todo, mais de 630 quilômetros receberam intervenções voltadas à segurança, à tecnologia de monitoramento e à infraestrutura de apoio ao usuário. As duas concessões passaram de simples corredores de transporte a vias monitoradas, estruturadas para o escoamento da produção agroindustrial, deslocamento de passageiros e integração logística do estado.
Detalhamento por rodovia
Com 219,5 quilômetros de extensão, a MS-306 foi a primeira rodovia sul-mato-grossense a ser transferida à iniciativa privada. Até o momento, a concessionária executou R$ 592,7 milhões, equivalentes a 33% do investimento previsto em contrato. O trecho tornou-se referência para a agência reguladora no que diz respeito à maturidade dos serviços de operação, manutenção e segurança viária.
Já o sistema MS-112/BR-158/BR-436, que totaliza 412,8 quilômetros, contabiliza R$ 591,1 milhões investidos, correspondentes a 18% do valor contratual. As intervenções concentram-se na modernização do pavimento, implantação de bases operacionais, postos de apoio, áreas de escape em pontos críticos e ampliação da cobertura de comunicação móvel ao longo da pista.
Principais obras executadas
Entre os destaques, está o Contorno de Chapadão do Sul, que desviou o tráfego pesado da área urbana e reduziu conflitos entre veículos de carga e tráfego local. Além disso, foram concluídos 339 quilômetros de acostamentos, 16 quilômetros de faixas adicionais e mais de dois quilômetros de correção de traçado em curvas consideradas perigosas.
As obras contemplaram ainda passagens de fauna sinalizadas, alargamento de cinco pontes, instalação de sinalização vertical e horizontal reforçada e expansão da cobertura 4G/LTE em toda a malha concedida. O projeto social Fazenda Corredor, vinculado à concessão, repassou mais de R$ 200 mil a entidades assistenciais localizadas nos municípios atendidos pelas rodovias.
Estrutura de atendimento ao usuário
Na MS-306, foram implantadas três Bases de Serviços Operacionais, três praças de pedágio, um Centro de Controle Operacional e postos fixos da AGEMS e da Polícia Militar Rodoviária. No sistema MS-112/BR-158/BR-436 seguem em implantação bases de atendimento com equipes médicas, socorro mecânico e guinchos.
Entre janeiro e novembro de 2025, as duas concessões registraram 10.055 atendimentos. A MS-306 respondeu por 3.505 ocorrências, enquanto o sistema MS-112/BR-158/BR-436 somou 6.550. Os serviços englobam resgate pré-hospitalar, remoção de veículos, troca de pneus e auxílio a panes mecânicas.
Resultados ambientais
As ações de fauna resultaram no afugentamento controlado de 2.771 animais para fora das pistas e na apreensão de sete espécimes no último ano, evitando acidentes e preservando a biodiversidade local. Passagens subterrâneas e cercas direcionais foram instaladas em trechos de maior incidência de travessia de animais silvestres.
Fiscalização e inovação regulatória
Segundo a diretoria de Transportes da AGEMS, a fiscalização percorreu 26 mil quilômetros em 2025 para verificar a qualidade do pavimento, sinalização, atendimento aos usuários e cumprimento de obrigações ambientais. O órgão também instituiu uma norma inédita no país que estabelece a Revisão Quinquenal dos contratos de concessão, instrumento que permite reavaliar periodicamente o equilíbrio econômico-financeiro à luz de variações de tráfego, custos e avanço tecnológico. O processo conta com participação social por meio de audiências públicas.
Próximos projetos
Com base na experiência adquirida, a AGEMS já trabalha na modelagem regulatória da Rota da Celulose, conjunto de aproximadamente 870 quilômetros de rodovias que deverão ser concedidas nos próximos meses. Equipes técnicas percorreram essa malha para mapear necessidades de investimento, definir padrões de segurança e estabelecer parâmetros de fiscalização semelhantes aos empregados nos contratos já vigentes.
Os resultados consolidados indicam que o modelo de concessão adotado em Mato Grosso do Sul tem proporcionado melhorias tangíveis para motoristas, transportadoras e comunidades lindeiras, além de apoiar o desenvolvimento logístico estadual. As intervenções prosseguirão em 2026, seguindo o cronograma contratual de cada trecho.









