Campo Grande – Um incêndio de grandes proporções destruiu três barracos em uma área de ocupação no bairro Jardim Centro Oeste, na tarde de sexta-feira, 9. As chamas começaram em um dos imóveis improvisados, avançaram rapidamente para construções vizinhas e mobilizaram equipes do Corpo de Bombeiros. Não houve mortos nem feridos, e todos os moradores conseguiram deixar as residências antes que o fogo tomasse conta do local.
Segundo informações do tenente Luis Fernando de Oliveira Moura, as guarnições foram acionadas para conter o fogo em um único barraco. Ao chegarem, verificaram que o incêndio já havia se espalhado para outras duas moradias, consumindo dependências e objetos pessoais dos ocupantes em questão de minutos. O trabalho de contenção foi dificultado pela geografia da área, caracterizada por vielas estreitas e ausência de vias de acesso adequadas para veículos de grande porte.
Causa segue sob investigação
As circunstâncias que deram origem às chamas ainda são apuradas. Moradores relatam que o fogo pode ter começado após um curto-circuito. De acordo com esses relatos, uma adolescente de 14 anos, filha de uma das moradoras, teria puxado um fio elétrico, provocando faiscas e iniciando o foco. Até o momento, não há laudo oficial que confirme essa hipótese, e a corporação mantém a investigação para determinar as causas com precisão.
Perdas materiais atingem várias famílias
O barraco onde o incêndio começou pertencia à dona de casa Ana Claudia Ferreira, que vivia na ocupação havia cerca de um ano. Ela perdeu roupas, móveis e utensílios comprados recentemente para os filhos. Além dela, outras famílias residentes nos dois barracos adjacentes tiveram pertences completamente destruídos. Como as construções eram erguidas com madeira, lona e outros materiais inflamáveis, o fogo se propagou em menos de 15 minutos, segundo testemunhas.
A ocupação, formada por habitações improvisadas, já enfrentava carência de infraestrutura, como rede elétrica regular e abastecimento de água. A ausência desses serviços adequados tende a aumentar o risco de incidentes semelhantes, além de agravar a vulnerabilidade dos moradores após perdas materiais significativas. Em consequência do incêndio, diversas pessoas ficaram sem abrigo e dependem de apoio comunitário para necessidades básicas, entre elas vestuário, alimentação e local seguro para dormir.
Ação dos bombeiros e dificuldades no combate
Para conter as chamas, o Corpo de Bombeiros precisou posicionar caminhões em pontos estratégicos fora da área mais adensada da ocupação. A equipe utilizou mangueiras de grande extensão, abafadores e ferramentas manuais. Ainda assim, o combate foi prejudicado pelo solo irregular e pela aglomeração de barracos, o que obrigou os bombeiros a avançar a pé e abrir espaços improvisados para circulação de água e pessoal. A corporação conseguiu impedir que o fogo se estendesse a outras estruturas próximas, evitando um cenário de destruição ainda maior.
Após o controle total das chamas, os bombeiros realizaram o trabalho de rescaldo para eliminar focos residuais e prevenir reignições. Paralelamente, iniciaram a coleta de informações para o relatório técnico que deve apontar as causas do incidente, avaliar o grau de risco remanescente e recomendar medidas de prevenção na região.
Mobilização comunitária e expectativa por apoio oficial
Desde o fim do combate, vizinhos se organizam para oferecer ajuda emergencial às famílias atingidas. Moradores arrecadam roupas, alimentos e colchões, enquanto buscam alternativas para abrigar quem perdeu a casa. Até o momento, nem a Prefeitura de Campo Grande nem organizações não governamentais divulgaram plano oficial de assistência. A expectativa é que, nas próximas horas, autoridades municipais definam ações emergenciais para fornecer mantimentos, material de higiene e suporte temporário de moradia.
Em nota preliminar, o Corpo de Bombeiros reforçou a importância de instalações elétricas adequadas e fiscalizadas em áreas de ocupação, destacando que ligações improvisadas costumam elevar o risco de curtos-circuitos e incêndios. A corporação recomendou atenção a sinais de sobrecarga, uso de disjuntores e manutenção periódica de fiações, além da necessidade de acessos viáveis para viaturas em caso de urgência.
Enquanto o laudo oficial não é concluído, as famílias afetadas contabilizam prejuízos e buscam alternativas para reconstruir a rotina. Com três barracos totalmente destruídos, o episódio evidencia a vulnerabilidade existente em regiões sem infraestrutura consolidada e ressalta a urgência de políticas públicas voltadas à regularização de moradias, segurança elétrica e resposta rápida a desastres.
A investigação permanece em curso. Assim que concluído, o relatório do Corpo de Bombeiros deverá indicar as causas definitivas do incêndio e apresentar recomendações à comunidade e ao poder público para evitar novos incidentes semelhantes no Jardim Centro Oeste e em outras áreas de ocupação na capital sul-mato-grossense.









