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Alíquota maior de ICMS eleva preços da gasolina, diesel e gás de cozinha em Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul começou 2026 com aumento nos preços de combustíveis em todo o Estado. A alta está diretamente ligada à nova alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), em vigor desde 1º de janeiro, que passou a ser calculada com valor fixo por litro ou quilo, conforme determina legislação federal de padronização do tributo.

Regras nacionais e impacto imediato

A mudança segue orientação do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz). O objetivo oficial é evitar perda de arrecadação para os entes federativos e simplificar o recolhimento. Especialistas, entretanto, apontam que a uniformização reduz a autonomia estadual sobre a alíquota e tende a incentivar o consumo de combustíveis fósseis, ao tornar a tributação menos sensível a políticas locais de incentivo a energias limpas.

Valores acrescentados ao imposto

Com a atualização, o ICMS incidente sobre cada produto subiu e, por consequência, foi repassado ao consumidor final. Os acréscimos médios foram os seguintes:

Gasolina: alta de R$ 0,10 por litro, totalizando R$ 1,57 de ICMS;
Diesel comum: alta de R$ 0,05 por litro, chegando a R$ 1,17 de ICMS;
Gás de cozinha: alta de R$ 1,04 no botijão de 13 quilos, elevando a cobrança a R$ 1,47 por quilo.

Preços observados na capital

Levantamento em postos de Campo Grande mostra que a gasolina está sendo vendida entre R$ 5,53 e R$ 5,99. O diesel comum varia de R$ 5,64 a R$ 7,17, conforme localização e política comercial de cada revendedor. Representantes do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo e Lubrificantes de Mato Grosso do Sul (Sinpetro-MS) afirmam que o reajuste se deve exclusivamente à alteração tributária; outros componentes de custo, como frete ou preço de venda da Petrobras, não participaram dessa movimentação específica.

Tendência já observada em dezembro

Os combustíveis vinham de um leve avanço no último mês de 2025. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam que o preço mínimo da gasolina subiu de R$ 5,47 para R$ 5,53, enquanto a média passou de R$ 5,93 para R$ 5,95. O etanol também encareceu, com a média avançando de R$ 3,96 para R$ 4,00 por litro.

Possíveis novos ajustes

Economistas e consultorias de energia avaliam que outros aumentos podem ocorrer no primeiro semestre. Entre os fatores citados estão a demanda sazonal mais alta, a disparidade entre preços internos e cotações internacionais e a oscilação do câmbio. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) calcula que, no início de janeiro, o preço da gasolina nas refinarias da Petrobras estava 9 % abaixo do valor de paridade de importação, enquanto o diesel registrava diferença de 2 %. Essa defasagem pressiona a estatal por correções, sobretudo em períodos de maior consumo.

Comportamento regional em dezembro

O Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) confirma que, em dezembro, o Centro-Oeste teve aumento em etanol, gasolina e diesel comum, com estabilidade apenas para o diesel S-10. O etanol avançou 2,21 %, atingindo média de R$ 4,62, e a gasolina subiu 0,15 %, chegando a R$ 6,47. Segundo a consultoria, mesmo com reajustes, o etanol permanece competitivo financeiramente e gera emissões menores de gases de efeito estufa.

Reflexos para famílias e setores produtivos

A elevação do ICMS impacta diretamente o orçamento de motoristas, empresas de transporte, comércio, logística e agricultura, segmentos que dependem intensamente do modal rodoviário. Especialistas em economia doméstica sugerem que consumidores acompanhem os preços nos postos, pesquisem regularmente e considerem a utilização de biocombustíveis quando possível, como forma de mitigar o efeito da tributação mais alta.

Além do impacto imediato no bolso, analistas apontam que a medida reforça o debate sobre a necessidade de ampliar investimentos em fontes renováveis e em soluções de mobilidade de menor emissão. A expectativa é que a combinação de política tributária, comportamento do mercado internacional e flutuação cambial continue influenciando os preços ao longo de 2026, exigindo monitoramento constante de consumidores e setores econômicos.