Search

Polícia Militar exibe arma e drogas apreendidas após confronto que resultou em morte em Três Lagoas

A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul apresentou, nesta segunda-feira (12), o material apreendido após o confronto que terminou com a morte de Douglas Portella de Castro, de 25 anos, em Três Lagoas. Segundo a corporação, o embate ocorreu no fim da manhã, em uma área de mata nas proximidades do Conjunto Habitacional Orestinho, e envolveu uma equipe da Força Tática.

De acordo com informações oficiais, os policiais recolheram um revólver calibre .38 que estaria em posse de Douglas no momento do disparo. A arma passou por perícia preliminar e foi apresentada com três cápsulas deflagradas e duas intactas, indicando que cinco munições estavam no tambor. Os laudos técnicos devem prosseguir para verificar a compatibilidade dos projéteis encontrados na cena com o armamento exibido.

Além do revólver, foram mostradas 31 porções de cocaína e três porções de maconha. A Polícia Militar afirma que as substâncias estavam com Douglas no instante da abordagem. Todo o material ficou sob custódia da perícia para análise de peso, composição e possível vínculo com outras ocorrências de tráfico na região.

Conforme a PM, Douglas Portella de Castro era conhecido pelo apelido de “Presidente” e seria integrante de uma facção criminosa com atuação no tráfico de drogas em Três Lagoas. A corporação sustenta que o suspeito já era monitorado e que havia registros recentes de suposta participação dele em atividades ilícitas.

Na quinta-feira (8), quatro dias antes do confronto, Douglas e outras três pessoas foram detidos por uma equipe policial sob suspeita de comercializar entorpecentes. Na ocasião, ele teria assumido a propriedade da droga que estava com o grupo. Todos foram levados à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do município, onde dois adultos e um adolescente prestaram depoimento ao lado de Douglas. Após os procedimentos de praxe, o quarteto foi liberado.

A Polícia Militar informou que a ação que resultou na morte de Douglas integra uma série de operações de patrulhamento tático em áreas consideradas pontos de venda de drogas. Segundo o relato preliminar, a equipe recebeu a informação de que um homem armado estaria escondido na mata e, ao se aproximar, teria sido recebida a tiros. Os policiais reagiram, e Douglas foi atingido. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, porém o óbito foi constatado no local.

O caso está sob apuração da Corregedoria da Polícia Militar, responsável por verificar a conduta dos agentes envolvidos no tiroteio. Paralelamente, a 3ª Delegacia de Polícia Civil de Três Lagoas instaurará inquérito para examinar as circunstâncias do confronto, incluindo a origem da arma, a procedência das drogas e a dinâmica dos disparos.

Peritos criminais recolheram vestígios no terreno onde ocorreu o embate, entre eles estojos de munição, fragmentos de projéteis e amostras de solo com marcas de sangue. Esses elementos serão encaminhados ao Instituto de Criminalística, que deverá produzir laudos sobre balística, trajeto de disparos e distância de tiro. O corpo de Douglas foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) para exame necroscópico, cujo resultado também integrará o processo investigativo.

A apresentação do material apreendido ocorreu após a conclusão da perícia inicial na arma, procedimento adotado para preservar a cadeia de custódia. Conforme protocolo, o revólver, as munições e os entorpecentes seguirão anexados ao inquérito policial até decisão judicial. Caso confirmada a participação de Douglas em facção criminosa, as provas poderão servir para ligar outras ocorrências de tráfico aos mesmos autores.

A reportagem solicitou à Polícia Civil um cronograma para a finalização dos laudos, mas ainda não houve definição de prazo. Enquanto isso, as equipes da Força Tática continuam em patrulhamento no entorno do Conjunto Habitacional Orestinho e em outros bairros apontados como áreas de risco, com o objetivo de localizar pessoas ligadas ao grupo mencionado pela Polícia Militar.

Até o momento, não há informação sobre outros suspeitos envolvidos diretamente no confronto desta segunda-feira. A Polícia Militar reforçou que eventuais testemunhas podem prestar depoimento de forma anônima por meio do Disque-Denúncia, contribuindo com a investigação conduzida pela 3ª Delegacia de Polícia Civil e pela Corregedoria da corporação.

As autoridades reiteraram que o procedimento interno busca esclarecer detalhes da atuação dos policiais na ocorrência, incluindo tempo de resposta, quantidade de disparos efetuados e cumprimento das diretrizes de abordagem. O resultado dessa apuração determinará se haverá responsabilização administrativa ou criminal dos agentes.

Isso vai fechar em 35 segundos