Câmaras frias que alcançam 20 metros de altura e suportam centenas de toneladas de mercadorias integram o sistema utilizado pela Central de Abastecimento de Mato Grosso do Sul (Ceasa/MS), em Campo Grande, para manter frutas, verduras e legumes em condições ideais de consumo. O controle de temperatura ao longo de toda a cadeia logística — da colheita ao armazenamento final — evita perdas, preserva nutrientes e prolonga a vida útil dos produtos que abastecem o mercado sul-mato-grossense.
Em 2025, o entreposto recebeu remessas de hortifrutis provenientes de diversas regiões do país, como Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte, além de partidas vindas da Argentina, Chile, Uruguai, Estados Unidos e Egito. Todos os carregamentos seguiram critérios rígidos de colheita, embalagem, transporte refrigerado e acondicionamento, assegurando que chegassem à capital em condições semelhantes às de origem.
O processo de conservação inicia ainda na lavoura. Produtores realizam a colheita nas primeiras horas da manhã, embalam os itens em caixas adequadas e encaminham a carga para caminhões refrigerados. Durante trajetos que podem ultrapassar 2,5 mil quilômetros — caso da uva sem sementes Pingo de Mel, cultivada em Petrolina (PE) — sensores registram a temperatura interna, garantindo que o intervalo térmico recomendado seja mantido até o destino final.
Uma vez no pátio da Ceasa/MS, as cargas são direcionadas a pavilhões equipados com estruturas climatizadas de grande porte. O pavilhão 10, inaugurado em 2025, concentra algumas das maiores câmaras frias do complexo. Empresas como Casa do Morango, Horti Van e Top Morena reservam aproximadamente metade de seus espaços para essas instalações, que chegam a 20 metros de altura e comportam grandes volumes de mercadorias acondicionadas em paletes.
A Horti Van especializou-se na comercialização de frutas classificadas como premium. Esse segmento engloba produtos submetidos a seleção mais criteriosa, transporte totalmente refrigerado, embalagens reforçadas e rastreabilidade por código de barras. Cada etiqueta informa procedência, variedade, produtor e data de envio. Para o consumidor, a classificação premium representa maior uniformidade de tamanho, cor e sabor, além de segurança alimentar reforçada — fatores que influenciam no preço final e no perfil de compra.
Entre os itens ofertados pela empresa estão maçãs das variedades Gala, Pink e Red, importadas da Argentina e do Chile; melões premium produzidos no Rio Grande do Norte; mangas Tommy cultivadas em Juazeiro (BA); e a já citada uva Pingo de Mel. Após o desembarque, todas as frutas são mantidas a 4 °C, enquanto os legumes permanecem entre 10 °C e 14 °C. A capacidade total da câmara administrada pela Horti Van é de aproximadamente 300 mil quilos.
Outro destaque no entreposto é a pera asiática Singo Pear. Cada unidade chega embalada individualmente, protegida por estrutura de isopor que evita danos durante o transporte de longa distância e permanece sob refrigeração constante até a venda. A apresentação diferenciada reforça o posicionamento da fruta no segmento premium e atende consumidores que buscam produtos exóticos ou de padrão superior.
O controle térmico também beneficia itens tradicionais, como tomates, folhas verdes e raízes. Ao permanecerem em ambiente climatizado logo após a chegada, essas hortaliças sofrem menor perda de água, mantêm textura crocante e exibem coloração mais viva nas prateleiras. Para os comerciantes que operam no entreposto, a redução de desperdício representa economia direta e maior previsibilidade de estoque.
A Ceasa/MS funciona de segunda a sábado, das 4h às 12h. Além de atender atacadistas, feirantes, supermercados e restaurantes, o complexo permite a entrada do consumidor final, que pode adquirir produtos frescos vindos de diferentes regiões do Brasil e do exterior. A diversidade de origens oferece ampla gama de preços e qualidades, desde itens convencionais até frutas de alto valor agregado.
Ao investir em câmaras frias de grande porte e manter a cadeia de frio do produtor ao ponto de venda, o entreposto consolida sua posição como polo de distribuição de hortifrutis na região Centro-Oeste. A infraestrutura reduz perdas, garante abastecimento regular e amplia a oferta de itens frescos ao consumidor, reforçando a importância da logística especializada para a competitividade do setor.








